Coluna Fragmentos: Os asilos brasileiros | aRede
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Coluna Fragmentos: Os asilos brasileiros

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Matéria publicada no JM de 04 de dezembro de 1966, dando conta da realização da tradicional festa do Asilo São Vicente de Paulo para a arrecadação de fundos para a instituição
Matéria publicada no JM de 04 de dezembro de 1966, dando conta da realização da tradicional festa do Asilo São Vicente de Paulo para a arrecadação de fundos para a instituição -

João Gabriel Vieira

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A reclusão e o isolamento de mendigos, vagabundos, crianças desassistidas, retardados mentais, velhos, leprosos e outros doentes é uma prática instituída no Brasil desde os tempos coloniais. As Ordenações Portuguesas e mesmo a Constituição Imperial (1824) eram rígidas no trato dessas pessoas que, de alguma forma, eram vistas como nocivas ao conjunto da sociedade brasileira.

Mas foi no período de transição do século XIX para o XX – momento em que o Brasil adentrou na modernidade – que essa questão ganhou força por conta da nova realidade que se instituiu no país. A urbanização avançou e com ela vieram novos valores e padrões sanitários, sociais e comportamentais.

Nos jornais brasileiros do período a ideia da filantropia ganhou espaço. Assistir aos segmentos pobres da população e ao mesmo tempo contribuir para “preservar a ordem” e combater os “vícios” e a vadiagem era um dever moral de todos que tivessem uma melhor condição social.

Mas os discursos da época procuravam estabelecer a diferença entre aqueles que deveriam ser amparados e os que deveriam ser reprimidos como, por exemplo, os bêbados, os malandros e os vadios.

Foi dentro desse contexto que surgiram inúmeras instituições filantrópicas em todo o país, voltadas para a assistência daqueles que, de acordo com a opinião pública, eram os “realmente necessitados”. Entre essas instituições estavam os asilos, organizações vinculadas a congregações católicas ou dirigidas por grupos leigos que assumiram a missão de mitigar a dor e o sofrimento dos pobres brasileiros do período.

No início dos Novecentos, Ponta Grossa experimentou um momento de crescimento econômico acentuado. Mesmo assim, indicativos socioeconômicos, artigos de jornais e outras documentações fazem menção a existência de um considerável número de pessoas pobres, desabrigadas, crianças desamparadas, mendigos e aleijados na cidade.

Para assistir esse contingente humano surgiram algumas instituições filantrópicas em Ponta Grossa como, por exemplo, o Asilo São Vicente de Paulo, fundado (26 de setembro de 1926) pela ação da Associação das Damas de Caridade e pelo Conselho Particular de Sant´Ana.

O Asilo iniciou suas atividades atendendo aproximadamente 30 pessoas entre crianças e idosos. Nesse momento destacou-se a figura do Padre Martinho Weber, um dos fundadores e primeiros administradores da instituição. Na década de 1930, as Irmãs Franciscanas da Sagrada Família assumiram o gerenciamento da instituição, que naquele momento já possuía cerca de 50 asilados.

Devido a influência católica na fundação e gerenciamento do Asilo, desde sua origem a instituição contou com uma capela de madeira na qual se realizavam as missas para os internos. No início da década de 1940 essa primeira capela foi demolida e em seu lugar ergueu-se uma nova construção em alvenaria, a mesma que existe até hoje e que se constitui em um valioso espaço da religiosidade católica na cidade.

Com o passar do tempo a estrutura física do Asilo São Vicente de Paulo mudou várias vezes. Sua função também pois, há várias décadas, a instituição se dedica ao trato apenas de idosos. Atualmente o Asilo abriga aproximadamente 200 pessoas, realiza obras assistenciais e indubitavelmente compõe um seleto grupo de instituições intimamente relacionadas com a história de nossa cidade.

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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 12 de julho de 2009.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

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