Coluna Fragmentos: A história dos classificados nas páginas do JM | aRede
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Coluna Fragmentos: A história dos classificados nas páginas do JM

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Classificado imobiliário do JM em 09 de agosto de 1977
Classificado imobiliário do JM em 09 de agosto de 1977 -

João Gabriel Vieira

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Desde o início de suas atividades, em 1954, é possível encontrar anúncios de compra e vendas de imóveis nas páginas do Jornal da Manhã. Com o passar dos anos esses anúncios tornaram-se mais sofisticados, profissionais e ganharam espaços específicos dentro da publicação: os classificados de imóveis. Geralmente acabamos naturalizando certas práticas que na verdade surgem a partir de determinados comportamentos socialmente instituídos.

Compreendendo que toda cidade é dinâmica – pois manifesta nuances, ações e movimentos da sociedade que a ocupa – concluímos que sua estrutura física traduz vários elementos: seu crescimento populacional e sua expansão; o seu adensamento demográfico em áreas específicas; a valorização de determinados espaços; sua favelização; a formação de núcleos habitacionais; sua verticalização, etc.

Tomando a cidade de Ponta Grossa como exemplo, e considerando seu processo histórico de urbanização, percebemos que desde o início do século XX começaram a se definir e valorizar alguns espaços urbanos em detrimento de outros. Desse período até a década de 1960 nota-se a concentração de pessoas e a valorização de espaços na área central da cidade com uma gradativa redução de densidade demográfica em direção a periferia.

No entanto, ao final dos anos 60, tal característica foi alterada. A construção de núcleos habitacionais – a começar pelo 31 de Março (1967) – em áreas mais distantes e isoladas das regiões centrais, destinados a populações de baixa renda, configura um novo modelo de ocupação do solo urbano local.

Nas décadas de 1970 e 1980 nota-se um adensamento populacional em regiões periféricas, a ampliação das favelas, o aparecimento de novos núcleos como o Santa Paula e o início de um tímido processo de verticalização para além do centro da cidade com o Conjunto Monteiro Lobato.

Outro fenômeno percebido nas últimas décadas diz respeito ao deslocamento dos segmentos sociais com maior poder aquisitivo da região central da cidade. Desde os anos 70 verifica-se um processo de valorização de determinadas áreas periféricas como a Vila Estrela e o Jardim Carvalho. Recentemente os condomínios fechados e de alto padrão – localizados em áreas como a Boa Vista, Olarias e Órfãs – tornaram-se espaços altamente valorizados e procurados por tais segmentos.

Em contrapartida, diversos imóveis localizados no centro de Ponta Grossa deixaram de ser utilizados com fins residenciais e paulatinamente passaram a exercer funções comerciais e de prestação de serviços. Em alguns casos, esse fenômeno alterou profundamente o perfil de determinadas ruas centrais da cidade. A Avenida Paula Xavier e a Rua Francisco Burzio expressam com nitidez tal mudança.

Atualmente os cadernos imobiliários, cada vez mais sofisticas e atrativos, ocupam grandes espaços nos jornais e refletem todo esse movimento. As ofertas de compra, venda e aluguel de imóveis, destinam-se claramente a públicos diferentes. A preocupação do mercado imobiliário não se limita ao atendimento às classes com maior poder aquisitivo. As atuais facilidades de financiamento permitem que grupos sociais que até pouco tempo encontravam dificuldades para a aquisição de imóveis consigam adquiri-los. 

Mais do que simples cadernos de compra e venda, os classificados de imóveis nos permitem perceber a dinâmica social, o movimento do mercado e o modelo de desenvolvimento urbano de uma cidade.

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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 06 de julho de 2008.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

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