Coluna Fragmentos: Cine & Arte | aRede
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Coluna Fragmentos: Cine & Arte

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Anúncio dos filmes de Mazzaropi (06/08) e de Teixeirinha (27/09) publicados no JM em 1977
Anúncio dos filmes de Mazzaropi (06/08) e de Teixeirinha (27/09) publicados no JM em 1977 -

João Gabriel Vieira

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Desde o último dia 08 de março o projeto Cinearte – capitaneado pelo JM com apoio de diversos parceiros – tem reunido quinzenalmente um grande número de aficionados pelo cinema brasileiro na Sala B do Cine Ópera. Até agora, em média 100 expectadores acompanharam cada sessão do projeto.

Para muitos pode até parecer surpresa a presença desse considerável número de pessoas dispostas a assistir e debater obras clássicas do cinema nacional como Rio 40 Graus, Assalto ao Trem Pagado e o Homem do Sputnik. No entanto, para quem estuda as nuances e transformações da sociedade ponta-grossense neste último século, tal situação em nada surpreende.

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  • Anúncio dos filmes de Mazzaropi (06/08) e de Teixeirinha (27/09) publicados no JM em 1977
    Anúncio dos filmes de Mazzaropi (06/08) e de Teixeirinha (27/09) publicados no JM em 1977
  • Anúncio dos filmes de Mazzaropi (06/08) e de Teixeirinha (27/09) publicados no JM em 1977
    Anúncio dos filmes de Mazzaropi (06/08) e de Teixeirinha (27/09) publicados no JM em 1977
  

A relação de nossa sociedade com o cinema começou há mais de um século. Em 1906 Augusto Canto, importante comerciante local da época, inaugurou o Cine Recreio dando início a uma paixão que atravessou todo século XX e se mantém até os dias atuais.

Relatos da década de 1930 dão conta que durante o “footing” – prática de caminhar pela Rua XV de Novembro e que reunia centenas de ponta-grossenses nas noites dos finais de semana – era bastante difícil ultrapassar a grande concentração de pessoas que se formava diante das portas dos dois cinemas que a cidade possuía na época: o Cine Renascença (local onde até poucos anos funcionou o Cine Inajá) e o Cine Éden (atual Cine Ópera). Além da atração pelas imagens e histórias dos filmes em cartaz, o cinema era um local em que as pessoas conversavam, flertavam, agendavam novas reuniões sociais, enfim, era onde a sociedade ponta-grossense se encontrava e reconhecia.

Um pouco mais tarde, nas décadas de 1960 e 1970, o Cine Ópera se caracterizou pela exibição de filmes que hoje recebem a denominação de “cult”. Diretores como Pier Paolo Pasolini, Luchino Visconti, Sérgio Leone, Ingmar Bergman, Federico Fellini e Akira Kurosawa tornaram-se conhecidos do público princesino através da exibição de suas produções nas telas do velho Ópera.

Até os anos 80 a cidade contava com 4 cinemas: Inajá, Pax, Ópera e Império. Com programações diversas e públicos bem característicos, mantiveram-se como espaços privilegiados de lazer na cidade, porém, no decorrer daquela década, começaram a demonstrar sinais de decadência.

A entrada do vídeo cassete no mercado brasileiro, a baixa qualidade dos equipamentos de projeção e das salas de exibição, somados a uma mudança comportamental da sociedade, fizeram com que os cinemas fossem, um a um, desaparecendo em nossa cidade.

Ponta Grossa voltaria a contar com salas de cinema apenas no início do século XXI. Modernas, confortáveis e bem aparelhadas, elas em nada lembram as antigas salas de exibição. Apesar desse avanço tecnológico, os cinemas localizados nos shoppings, não conseguiram devolver o romantismo, o glamour e a ritualização que envolviam a freqüência aos velhos cinemas da cidade. 

Talvez por isso as sessões do projeto Cinearte – assim como as do projeto Tela Alternativa, coordenado pelo professor Antônio Teixeira – continuem atraindo tantos expectadores. O que se percebe é que o fascínio exercido pelas tradicionais salas de cinema resiste ao tempo e garante a manutenção dessa prática secular em Ponta Grossa.

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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 29 de junho de 2008.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

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