Coluna Fragmentos: Lado A, Lado B | aRede
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Coluna Fragmentos: Lado A, Lado B

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Anúncio de Natal das Lojas HM, publicado no JM em 19 de dezembro de 1971
Anúncio de Natal das Lojas HM, publicado no JM em 19 de dezembro de 1971 -

João Gabriel Vieira

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Em 2005, durante a apresentação de um Trabalho de Conclusão de Curso no Bacharelado em História da UEPG, um dos alunos que trabalhava com indústria fonográfica independente dos anos 1980 e 1990 informou aos colegas, a maioria nascida na década de 80, que o vinil era uma mídia que possuía dois lados: o lado a e o lado b!

Quando ele fez menção a tal característica, me dei conta do quanto à tecnologia havia avançado rápido nas últimas décadas. Muitas pessoas nascidas há pouco mais de 20 anos sequer chegaram a ouvir discos em vinil. Já nasceram na era do CD e, portanto, não tiveram a oportunidade de desfrutar da magia que o velho bolachão oferecia.

A idéia de gravar e reproduzir os sons gerados pelo homem é bastante antiga. Há cerca de 2.000 anos a.C., a caixinha de música foi inventada na China e talvez se constitua na primeira forma de reprodução sonora gravada. Até Thomas Edson registrar o seu famoso fonógrafo, em 1877, passaram-se milhares de anos e centenas de experiências.

No início do século XX uma das maiores inovações da indústria fonográfica foi a popularização de uma nova mídia de gravação, o disco (até então as gravações eram feitas em cilindros). Os primeiros discos do século passado eram feitos em goma-laca e giravam em 78 rotações. Os discos de dupla face, que chegavam a medir um centímetro de espessura, logo se popularizaram. Em 1948 surgiram os discos de vinil, mais leves, maleáveis e resistentes a choques e quedas. Os bolachões de vinil dominaram o mercado fonográfico até a década de 1990, quando perderam espaço para os CDs.

A gravação em vinil era analógica. As informações eram gravadas em sulcos microscópicos que faziam a agulha dos toca-discos vibrar. A vibração em sinal elétrico era amplificada e, então, produzia-se o som, ou melhor, a música. Muitas vezes um pequeno arranhão ou a exposição ao sol danificavam o disco e impossibilitavam sua audição. Eles giravam em 45 e em 33 rotações e encontravam-se nas formas de LPs (long plays) ou compactos. No Brasil, foram produzidos comercialmente até o ano de 2001. De lá para cá, são encontrados em lojas especializadas, sebos ou pela internet.

As novas mídias, como os Cds, os DVDs e o MP3, ao contrário do que se poderia imaginar, não levaram a extinção do bom e velho vinil, bem como de seu público. Existe, inclusive, uma discussão permanente sobre as vantagens e qualidades de cada um desses suportes.

Os defensores do vinil afirmam que as gravações digitais cortam frequências muito baixas e muito altas, o que altera a especificidade dos sons. Além disso, muitas capas e encartes dos discos de vinil se constituem em verdadeiras obras de arte e atualmente são disputadas por colecionadores e apreciadores dessa mídia.

Na última terça-feira (22/04), o Arco da Velha – espaço cultural especializado na comercialização de discos de vinil – que funcionou durante muitos anos em Ponta Grossa, abriu suas portas em Curitiba, cidade reconhecida por possuir uma vida cultural dinâmica e ativa. Certamente o mercado da capital paranaense saberá aproveitar a variedade e a qualidade desse importante acervo.

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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 27 de abril de 2008.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

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