Coluna Fragmentos: A criação da rede feminina de combate ao câncer de Ponta Grossa | aRede
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Coluna Fragmentos: A criação da rede feminina de combate ao câncer de Ponta Grossa

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Notícia sobre um chá beneficente promovido pela Rede Feminina de Combate ao Câncer de Ponta Grossa, publicada no JM em 03 de maio de 1987
Notícia sobre um chá beneficente promovido pela Rede Feminina de Combate ao Câncer de Ponta Grossa, publicada no JM em 03 de maio de 1987 -

João Gabriel Vieira

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Desde o ano de 2005 um grupo de historiadores locais, no qual me incluo, vem pesquisando as histórias da Associação Médica e da medicina em Ponta Grossa. Esse trabalho já resultou na publicação de 2 livros pela Editora da UEPG, estando previsto a produção de um terceiro volume para o próximo ano.

No trabalho lançado no último mês de outubro, coube ao Dr. Marco Antonio Stancik, historiador formado em nossa Universidade, escrever sobre doenças e profilaxias que mais ocuparam a prática médica e se projetaram no imaginário coletivo ponta-grossense entre as décadas de 1950 e 1970. Nesse contexto o câncer, doença que chamou pouca atenção até meados do século passado, se apresentou como o maior desafio para os profissionais que atuavam na área da saúde.

Tal cenário motivou a Associação Médica de Ponta Grossa a promover a Primeira Campanha de Combate ao Câncer. O evento ocorreu entre os dias 13 e 31 de maio de 1956 e aconteceu em parceria com a Liga Paranaense de Combate ao Câncer.

Percebe-se que, a partir dos anos 50, o câncer passou a atingir um número cada vez maior de pessoas. Devido sua letalidade e a imprecisão sobre sua manifestação e cura, a doença foi encarada como maldição, castigo e sinônimo de vergonha, evitando-se muitas vezes a pronúncia da palavra “câncer” em público.

Nos jornais que circulavam naquele período, as notícias que falavam sobre o tema revelavam a ânsia pela cura do mal: ingestão de carvão em pó, uso de antibióticos e admissão de “vírus adestrados”, eram algumas das possibilidades sugeridas por leigos ou especialistas.

Entre os médicos ponta-grossenses que tratavam publicamente dessa temática, destacam-se os Drs. Lauro Justus, Gabriel Bacila, Luiz Conrado Mansani, Fausto Brenner e Miceslau Kampe. Em suas manifestações públicas, diversas vezes divergiam sobre a forma de contração e combate à doença. Porém, todos convergiam para o mesmo ponto: a necessidade de trazer à tona o debate sobre o câncer e, principalmente, a adoção de práticas preventivas.

Foi com base em tais premissas que, ao final da Conferência de 1956, foi criada a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Ponta Grossa. Composta em grande parte por esposas de médicos, o objetivo da Rede era, justamente, descriminalizar e popularizar o tema e, desta maneira, contribuir para a redução da doença junto ao universo feminino local.

De acordo com manifestações do Dr. Lauro Justus, o câncer de útero era considerado o mais freqüente na espécie humana, sendo responsável por um número elevado de mortes. Justus alertava ainda para a necessidade da realização periódica do exame ginecológico, tema bastante complexo para a sociedade dos anos 50 por envolver condicionantes de gênero, religiosidade e moral.

Fundamental nesse processo foi a participação do Dr. Sady Pizzatto, médico que atuava na capital do estado e que proferiu a conferência de abertura da Campanha de Combate ao Câncer, e de sua esposa, Edith Rocha Pizzatto. O casal havia, pouco antes, criado a Rede em Curitiba.

A primeira diretoria da Rede Feminina de Ponta Grossa foi composta pelas Sras. Romilda Varani Lange (Presidente), Nícia Macedo Silveira, Érica Schwansee, Yolanda Cunha Knechtel, Neldi Kossatz de Araújo, Sada Rachel Curi e Zebina Kossobudski.

Logo em seguida à sua criação a Rede Feminina passou a desenvolver inúmeras atividades como a realização de palestras, conferências e publicação de artigos em jornais. Tais práticas se mantiveram ao longo desses 51 anos de existência da entidade, tornando-a uma referência regional no que diz respeito ao enfrentamento da doença. Exemplo de solidariedade e cidadania a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Ponta Grossa assumiu um papel central na conscientização e popularização do tema, merecendo o respeito irrestrito de todos os ponta-grossenses.

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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 02 de dezembro de 2007.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

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