O desejo do conhecimento que ultrapassa décadas
Conheça a história do Seu Manoel, do EJA de Tibagi, e a incessante luta que rompeu os anos pela possibilidade de ler e escrever o próprio nome.
Conheça a história do Seu Manoel, do EJA de Tibagi, e a incessante luta que rompeu os anos pela possibilidade de ler e escrever o próprio nome.
O Vamos Ler – Geração Digital traz uma matéria diferente desta vez. Buscando incorporar todas as formas de educação, o relato da professora Maria Luiza Martins de Freitas, que leciona para o 2º ano da Escola Municipal São Bento, em Tibagi, aponta que não existe idade para o aprendizado – e que práticas benéficas podem contribuir para quem precisa.
A descrição da docente relata para a turma do EJA – Educação de Jovens e Adultos, que conta com 17 estudantes no município, após iniciar o ano letivo em fevereiro com 12. “A idade dos alunos varia de 21 a 74 anos. Eles estão sempre animados e são muito unidos, junto com a professora sempre programam alguma janta diferente e passeios”, destaca Maria Luiza.
A professora da Escola São Bento conta que, no último passeio da turma, os estudantes do EJA puderam realizar um jantar – que já é típico dos alunos e da docente da Educação de Jovens e Adultos – com feijoada, além de um passeio para conhecer a cidade, principalmente pontos turísticos que, segundo explica Maria Luiz, muitos não conheciam.
Utilizando da sinergia entre a diretora da instituição Vanderli, com a secretária de Educação de Tibagi, Ana Elis Gomes, o transporte pôde levar os alunos a uma sorveteria. “Todos tomaram soverte e milk-shake. Eles se sentiram muito emocionados, valorizados e motivados”, conforme explica a docente.
O caso de Seu Manoel
Maria Luiza, em seu relato ao Vamos Ler – Geração Digital, fez questão de destacar uma história particular: a do ‘Seu’ Manoel Jorge dos Santos. “É um aluno alegre, assíduo e muito religioso, não perde missa, novena ou terça. Trata a todos com muito respeito, sempre traz balas para seus colegas de classe”, explica a professora.
Sua história, conforme destacada no vídeo que você pode conferir no player acima, demonstra que a falta de oportunidades na juventude não permitiu sua alfabetização anteriormente. “O maior sonho dele era aprender a escrever e poder assinar seu nome, porém devido às dificuldades financeiras saiu muito jovem da escola para ajudar a família e não pode concluir seus estudos na época certa”, relata Maria Luiza ao Vamos Ler.
Com 74 anos, veio a realização do que fora interrompido há décadas atrás. “Senti-me emocionada a primeira vez que ele conseguiu assinar o nome. Seu Manoel conta que agora já não precisa mais a 'almofadinha' para marcar a compra que faz no mercado local ou no posto de saúde, pois já escreve seu nome, realizou seu sonho”, completa a docente.
Para finalizar, Maria Luiza explica que Seu Manoel não quer parar: busca aprimorar a leitura, escrever textos e fazer contas – tudo isso com uma boa saúde aliada aos oito quilômetros que faz por dia. Assim, Seu Manoel demonstra que o aprendizado e alfabetização não tem idade e nem barreiras, quando a vontade, mesmo que as décadas se passem, continua falando mais alto.
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