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Doze policiais rodoviários de PG são afastados durante operação do Gaeco

Mandados foram cumpridos em oito municípios; policial é suspeito de obstrução da Justiça e civis foram presos após apreensão de armas e munições

Os Núcleos de Guarapuava e Ponta Grossa do Gaeco deflagraram duas operações em conjunto
Os Núcleos de Guarapuava e Ponta Grossa do Gaeco deflagraram duas operações em conjunto -

Publicado Por Milena Batista

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Um policial militar de Ibaiti foi preso por obstrução da Justiça durante o cumprimento dos mandados da Operação Via Pix, deflagrada nesta quinta-feira (13) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná. Além dele, quatro civis foram presos em flagrante após a apreensão de armas de fogo e munições em desacordo com a legislação. Uma das prisões ocorreu em Castro e outras três em Jaguariaíva. Ao todo, 12 policiais rodoviários de Ponta Grossa foram afastados das funções operacionais durante a operação.

Os Núcleos de Guarapuava e Ponta Grossa do Gaeco deflagraram duas operações em conjunto: a segunda fase da Operação Rota 466 e a Operação Via Pix, ambas voltadas à apuração de possíveis crimes praticados por policiais rodoviários estaduais. Foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão contra os investigados.

Na segunda fase da Operação Rota 466, o Núcleo de Guarapuava do Gaeco, com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar, cumpriu 11 mandados de busca e apreensão, três mandados de busca pessoal, um mandado de prisão e arresto de bens e contas bancárias. As buscas foram realizadas nas cidades de Guarapuava, Imbituva, Ponta Grossa, Laranjeiras do Sul, Guaraniaçu e Pitanga.

Nesta etapa, o objetivo foi aprofundar as investigações, após a identificação de provas envolvendo outros três policiais militares que ainda não haviam sido alvos na primeira fase, sendo dois deles da Polícia Rodoviária Estadual. Os policiais foram afastados de suas funções operacionais.

Segundo o apurado, os agentes exigiam propina de condutores flagrados por infrações de trânsito ou de pessoas que trabalhavam com salvamento de cargas tombadas, configurando possíveis crimes de concussão, corrupção passiva e lavagem de ativos. Também foram identificadas pessoas físicas e jurídicas que teriam participado da lavagem dos valores de propina por meio de suas contas bancárias e que também foram alvo de mandados de busca.

Um ex-comandante do Posto de Polícia Rodoviária de Guarapuava, que já havia sido alvo da primeira fase da operação, foi preso preventivamente. Após o avanço das investigações, foi constatado que ele teria praticado outros crimes de corrupção, recebendo pelo menos R$ 47 mil em propina, além de tentar atrapalhar as investigações e dificultar a coleta de provas.

Via Pix

O Núcleo de Ponta Grossa do Gaeco, também com apoio da Corregedoria da Polícia Militar, cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em residências e postos policiais nos municípios de Ponta Grossa, Castro, Piraí do Sul, Telêmaco Borba, Jaguariaíva, Arapoti, Wenceslau Braz e Siqueira Campos.

As ordens judiciais foram expedidas pela Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual, que também determinou o afastamento das funções operacionais de sete policiais rodoviários estaduais, além do bloqueio de contas bancárias.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, um policial militar foi preso por obstrução da Justiça. Além disso, quatro civis foram presos em flagrante em razão da apreensão de armas de fogo e munições em desacordo com a legislação. Uma das prisões ocorreu em Castro e outras três em Jaguariaíva.

As investigações tiveram início em março de 2025, a partir de informações fornecidas ao Ministério Público pelo 4º Comando Regional da Polícia Militar, procurado por motoristas profissionais que relataram estar sendo extorquidos por policiais rodoviários na região de Piraí do Sul.

A apuração revelou uma estrutura de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo policiais militares, empresas e civis. Durante fiscalizações em rodovias estaduais, blitzes ou em frente aos postos policiais, os investigados exigiriam vantagens indevidas de motoristas sob diferentes pretextos, muitos deles sem qualquer base legal, e somente liberariam os veículos após o pagamento.

Os valores poderiam ser entregues em dinheiro ou por meio de transferências bancárias via PIX, geralmente para contas de empresas e civis que seriam utilizadas como “laranjas”. A investigação também identificou quase uma centena de motoristas que teriam realizado pagamentos por exigência dos policiais, parte deles já ouvidos pelo Ministério Público.

Somente com base nas contas bancárias identificadas até o momento, entre dezembro de 2024 e agosto de 2025, os investigados teriam recebido ilegalmente cerca de R$ 140 mil por meio de pagamentos via PIX.

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