Acipg defende salário proporcional à produtividade dos vereadores de PG | aRede
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Acipg defende salário proporcional à produtividade dos vereadores de PG

Entidade entende que a discussão pública sobre o valor pago aos vereadores, embora legítima, vem sendo conduzida sob uma chave equivocadA

Discussão sobre salários dos vereadores de Ponta Grossa entrou em pauta nesta semana
Discussão sobre salários dos vereadores de Ponta Grossa entrou em pauta nesta semana -

Da Redação

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A Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG), por meio da avaliação de seu presidente, Leonardo Puppi Bernardi, e de sua Diretoria, vem a público apresentar seu posicionamento sobre o debate da remuneração do Poder Legislativo municipal — tema que ganhou novo contorno com a recente aprovação do reajuste dos subsídios (PL nº 166/2026) e com a tramitação do projeto que propõe fixar o subsídio em um salário mínimo nacional a partir da legislatura 2029-2032 (PL nº 172/2026).

A ACIPG entende que a discussão pública sobre o valor pago aos vereadores, embora legítima, vem sendo conduzida sob uma chave equivocada: a de “aumentar” ou “reduzir”. O setor produtivo de Ponta Grossa não tem interesse em participar desse falso dilema. O que interessa à sociedade, ao empresariado e aos próprios parlamentares comprometidos com a função pública é outra pergunta: a Câmara Municipal está entregando, em produtividade legislativa e em capacidade fiscalizatória, aquilo que justifica qualquer patamar de remuneração?

Remuneração é consequência, não premissa

Para a ACIPG, a remuneração de qualquer agente público — eleito ou concursado — deve ser tratada como contrapartida a um desempenho verificável, e não como variável independente, descolada dos resultados entregues à população. Esse é, aliás, o mesmo princípio que o setor produtivo aplica diariamente em suas empresas: salário compatível pressupõe entrega compatível.

“Os vereadores têm como atribuição constitucional primária fiscalizar o Poder Executivo e legislar conforme os interesses da população que representam. Os prazos de tramitação dos processos nas diversas comissões da Casa precisam ser céleres, e esse é um dos grandes indicadores da qualidade do Legislativo de uma cidade”, avalia o presidente Leonardo Puppi Bernardi.

Sob essa lógica, uma remuneração robusta para vereadores e para seus assessores é não apenas defensável, como desejável — desde que acompanhada de contrapartidas mensuráveis. “Se os vereadores estão efetivamente fiscalizando o Executivo, se estão legislando de acordo com os anseios da população e se os processos internos da Câmara são resolutivos, isso justifica uma remuneração digna para o parlamentar e também para a equipe técnica que o assessora”, complementa o presidente.

A qualificação técnica do quadro funcional como pilar

A ACIPG chama atenção, ainda, para um ponto que considera estruturante: o perfil do quadro de assessoramento do Legislativo. “Os assessores precisam ser técnicos. Precisam contribuir efetivamente para a produção legislativa e para a atividade fiscalizatória — e não atuar como cabos eleitorais dos vereadores, especialmente em períodos eleitorais”, pontua Leonardo Puppi Bernardi. A profissionalização da assessoria parlamentar é, do ponto de vista da entidade, condição indispensável para que o investimento público em pessoal se converta em valor público entregue à cidade.

A proposta da ACIPG: vincular remuneração a indicadores objetivos

Diante do quadro atual, a ACIPG defende que o debate sobre os subsídios — em qualquer um dos sentidos hoje em discussão na Câmara — seja precedido e acompanhado pela construção de um sistema público e auditável de indicadores de desempenho do Poder Legislativo municipal, contemplando, entre outros parâmetros:

- Produtividade legislativa: número e tempo médio de tramitação de projetos de lei nas comissões temáticas;

- Capacidade fiscalizatória: quantidade e desfecho de requerimentos de informação, convocações e auditorias dirigidas ao Executivo;

- Transparência ativa: publicidade de agendas, presenças, votações nominais e gastos de gabinete;

- Qualificação técnica do quadro funcional: critérios objetivos de admissão e avaliação dos cargos comissionados;

- Responsividade à sociedade: canais formais de escuta do cidadão e do setor produtivo, com retorno mensurável.

A ACIPG entende que propostas como a recomposição inflacionária (PL nº 166/2026) ou a redução ao salário mínimo (PL nº 172/2026), isoladamente, não enfrentam a questão central — apenas deslocam o termômetro do debate. O ponto não é quanto se paga; é o que se entrega em troca do que se paga.

Convite ao diálogo institucional

Coerente com sua missão estatutária de representar o setor produtivo e contribuir para o desenvolvimento de Ponta Grossa, a ACIPG coloca-se formalmente à disposição da Câmara Municipal para, em conjunto com a Mesa Diretora, as lideranças partidárias e demais entidades da sociedade civil organizada, contribuir na construção desse pacto de governança legislativa baseado em indicadores objetivos, transparência e profissionalização.

A entidade reitera que o fortalecimento das instituições democráticas, no plano municipal, passa necessariamente pela elevação do padrão de exigência mútua entre representantes e representados — e que esse é um caminho que ACIPG e Câmara Municipal podem, e devem, percorrer juntos.

Leonardo Puppi Bernardi

Presidente da ACIPG — Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa

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