Aeroporto Sant’Ana completa um ano sem oferta de voos | aRede
PUBLICIDADE

Aeroporto Sant’Ana completa um ano sem oferta de voos

Sem voos comerciais desde 29 de março de 2025, o aeroporto de Ponta Grossa está em meio a obras de ampliação e cobrança por soluções que viabilizem a retomada

O Aeroporto Sant'Ana passa por obras desde a operação do último voo comercial em Ponta Grossa, realizada há um ano
O Aeroporto Sant'Ana passa por obras desde a operação do último voo comercial em Ponta Grossa, realizada há um ano -

Lilian Magalhães e Milena Batista

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

Ponta Grossa completa um ano sem voos comerciais no Aeroporto Sant’Ana em meio a um cenário de incertezas e cobranças por soluções. A interrupção das operações ocorreu após a decisão da Azul de suspender a rota no município, inicialmente prevista para março de 2025 e posteriormente adiada até o fim daquele mês, quando foi realizado o último voo com destino a Viracopos.

A companhia aérea justificou a saída com base em fatores como aumento de custos operacionais, alta do dólar e limitações na frota, um contexto que afetou outras cidades brasileiras no mesmo período. Ainda assim, o impacto em Ponta Grossa foi imediato.

A confirmação do fim dos voos provocou forte reação do setor produtivo local. Entidades empresariais classificaram a decisão como um retrocesso e alertaram para os prejuízos à competitividade da cidade, especialmente em um momento de expansão industrial. A ausência de voos comerciais passou a ser apontada como entrave logístico, elevando custos e dificultando a atração de novos investimentos.

OBRAS PREPRARAM RETOMADA

Diante do novo cenário, a Prefeitura iniciou, em 2025, um pacote de obras no Aeroporto Sant’Ana, com investimento de R$ 35 milhões. O projeto inclui ampliação do terminal de passageiros, reestruturação do pátio de aeronaves, construção de taxiway, melhorias no acesso viário e ampliação do estacionamento.

Projeção mostra como o Aeroporto Regional de Ponta Grossa deve ficar após as obras.
Projeção mostra como o Aeroporto Regional de Ponta Grossa deve ficar após as obras. |  Foto: Divulgação/PMPG.

A secretária de Indústria, Comércio e Qualificação Profissional, Faynara Merege, acompanhou o início das intervenções, que são tratadas como etapa fundamental para reposicionar o aeroporto e torná-lo mais atrativo para futuras operações.

A proposta segue diretrizes do Plano Aeroviário Nacional e busca adequar a estrutura às exigências do setor, ainda que, neste momento, o aeroporto permaneça sem voos comerciais regulares.

AMPLIAÇÃO DA PISTA

Paralelamente às obras, avançam as tratativas para ampliar a pista do aeroporto, considerada uma das principais limitações operacionais do Sant’Ana. O projeto prevê a extensão da pista dos atuais 1.430 metros para cerca de 2.500 metros.

A imagem aérea mostra o espaço do Aeroporto Sant'Ana passando por grandes alterações.
A imagem aérea mostra o espaço do Aeroporto Sant'Ana passando por grandes alterações. |  Foto: Reprodução/Google Maps.

O secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, tem destacado que a iniciativa depende diretamente da solução para a linha férrea que cruza a área próxima ao aeroporto. A proposta em discussão envolve o rebaixamento dos trilhos, em negociação com a concessionária Rumo.

O investimento estimado é de cerca de R$ 70 milhões e é tratado como estratégico para viabilizar a operação de aeronaves maiores e ampliar a atratividade do terminal.

COBRANÇA POR AGILIDADE GANHA FORÇA POLÍTICA

O tema também passou a ser tratado com prioridade entre deputados que representam os Campos Gerais. Para Moacyr Fadel (PSD), deputado estadual, o aeroporto é um ativo estratégico para toda a região. “Temos um setor produtivo forte, diversificado e competitivo que precisa de logística eficiente para continuar crescendo”, destaca.

Já o deputado estadual Fabio Oliveira (Novo) afirma que a situação atual é incompatível com o porte econômico de Ponta Grossa. “O que Ponta Grossa vive hoje é inaceitável para uma cidade do tamanho e da importância que nós temos no Paraná. Estamos em expansão, e, ainda assim, há um ano sem voos”, afirma.

Além disso, ele defende medidas de curto prazo para retomada dos voos, sem depender exclusivamente do leilão federal previsto para 2026. “Ponta Grossa não pode esperar dois anos sem voos. É necessário construir uma solução de curto prazo”, diz.

DEBATE INCLUI CRIAÇÃO DE NOVO AEROPORTO

Enquanto as melhorias no Sant’Ana avançam, parte do setor produtivo defende uma discussão mais ampla sobre o futuro da aviação na cidade. Para o superintendente da Fiep, João Arthur Mohr, o momento exige planejamento em duas frentes.

Em visita ao espaço, representantes do setor produtivo de Ponta Grossa mostram como está o Aeroporto Sant'Ana atualmente.
Em visita ao espaço, representantes do setor produtivo de Ponta Grossa mostram como está o Aeroporto Sant'Ana atualmente. |  Foto: Leonardo Puppi Bernardi/

Ele defende uma mobilização conjunta entre sociedade civil, Prefeitura, Governo do Estado e União para garantir investimentos estruturais. Segundo Mohr, já existem estudos e possibilidades de áreas para um novo aeroporto em Ponta Grossa, especialmente na região próxima à BR-376, no sentido Curitiba, nas proximidades do município de Palmeira.

Para ele, o primeiro passo é a contratação de um estudo técnico que defina a viabilidade e o local ideal para um novo sítio aeroportuário. “Sem o estudo de viabilidade nada acontece”, afirma. Mohr alerta, no entanto, que um novo aeroporto é uma solução de longo prazo, com prazo estimado de até 10 anos entre projeto, licenciamento e execução. Por isso, defende uma estratégia em duas etapas.

A primeira envolve melhorias no Aeroporto Sant’Ana para viabilizar o retorno dos voos comerciais no curto prazo. A segunda prevê o desenvolvimento de um novo aeroporto, mais moderno e com maior capacidade, que possa atender à demanda futura da cidade. No cenário projetado, o Sant’Ana poderia ser mantido para aviação executiva ou receber nova destinação após a entrada em operação de um novo terminal.

PERSPECTIVAS

Um ano após o fim dos voos comerciais, o Aeroporto Sant’Ana permanece no centro das discussões sobre o futuro logístico de Ponta Grossa. Entre obras em andamento, projetos estruturais e cobranças por soluções imediatas, o município busca equilibrar ações de curto, médio e longo prazo.

A retomada dos voos ainda não tem data definida, mas segue como uma das principais demandas para sustentar o ritmo de crescimento econômico da cidade.

O Aeroporto Sant'Ana completa um ano sem oferta de voos em 29 de março de 2026.
O Aeroporto Sant'Ana completa um ano sem oferta de voos em 29 de março de 2026. |  Foto: Divulgação/PMPG.

Aeroporto Sant’Ana entra no radar da concessão federal e ganha nova perspectiva de investimento

Às vésperas de completar um ano sem voos comerciais, o Aeroporto Sant’Ana voltou ao centro do debate em Ponta Grossa com uma novidade importante: o terminal foi incluído na lista de aeroportos regionais que poderão ser repassados ao futuro operador do Aeroporto de Brasília, dentro do modelo de concessão em blocos organizado pelo Governo Federal. O pacote prevê 29 aeroportos regionais e, entre eles, está Ponta Grossa. Ao mesmo tempo, o Sant’Ana segue em fase de transformação, com obras de R$ 35 milhões para novo terminal, taxiway e ampliação do estacionamento, enquanto a Prefeitura e o Estado tratam da ampliação da pista para 2.500 metros.

Em relação aos investimentos por parte do Governo do Estado, a Prefeitura Municipal de Ponta Grossa declarou ao Portal aRede que o Aeroporto Sant’Ana não tem sido prioridade. “A infraestrutura aeroportuária é um ativo estratégico para a competitividade regional. No entanto, é importante destacar, sob uma ótica técnica, que historicamente o Aeroporto Sant’Ana não tem sido priorizado, no âmbito do planejamento estadual, com o mesmo nível de sensibilidade e alocação de recursos verificados em outros aeroportos regionais paranaenses”.

Para a prefeitura, a assimetria de investimentos impacta diretamente a capacidade de avanço das etapas necessárias à retomada de voos comerciais, especialmente no que diz respeito à ampliação de pista, adequações de segurança operacional e ganhos de escala para atração de companhias aéreas. “Tratam-se de intervenções que exigem elevado aporte de capital e articulação interfederativa, não sendo viáveis apenas com recursos próprios do município”.

O projeto do Aeroporto de Ponta Grossa apresenta ampliação do pátio de aeronaves, taxiway e estacionamento. A ampliação da pista ainda está sendo discutida.
O projeto do Aeroporto de Ponta Grossa apresenta ampliação do pátio de aeronaves, taxiway e estacionamento. A ampliação da pista ainda está sendo discutida. |  Foto: Divulgação/PMPG.

INFRAESTRUTURA

Diante desse cenário, Ponta Grossa tem adotado uma estratégia ativa de diversificação de fontes de financiamento e governança. “Nesse sentido, avançamos no diálogo com o Governo Federal, por meio de programas estruturantes para a aviação regional, o que resultou na contemplação do aeroporto em iniciativas voltadas à modernização e ampliação da infraestrutura”, comentou a Prefeitura.

O órgão ressaltou que, paralelamente, está em curso a estruturação de um modelo de concessão à iniciativa privada, alinhado às melhores práticas regulatórias do setor, com o objetivo de garantir maior eficiência operacional, sustentabilidade econômico-financeira e capacidade de investimentos. “Esse movimento é fundamental para reposicionar o aeroporto como um vetor de desenvolvimento, ampliando sua atratividade para operadores aéreos e integrando-o de forma mais competitiva à malha logística nacional”.

Por fim, a prefeitura reiterou que o município permanece à disposição para atuar de forma coordenada com o Governo do Estado do Paraná, entendendo que uma atuação mais robusta e sensível às especificidades de Ponta Grossa será determinante para acelerar a conclusão das obras e viabilizar, com maior celeridade, a retomada dos voos comerciais.

NOVA OPERAÇÃO

A leitura da Prefeitura é de que o aeroporto não pode ficar restrito ao cenário atual. Segundo a prefeita Elizabeth Schmidt (União Brasil), a gestão abriu conversas com empresas do setor aéreo e logístico para apresentar o potencial de Ponta Grossa, além de levar o tema ao Ministério de Portos e Aeroportos para discutir alternativas de concessão e ampliar a participação da iniciativa privada.

A administração municipal também sustenta que segue trabalhando tecnicamente para viabilizar a ampliação da pista, considerada etapa decisiva para aumentar a capacidade operacional do Sant’Ana e torná-lo mais atrativo a novas rotas e investimentos. Esse movimento ocorre em paralelo ao debate sobre infraestrutura logística e ao esforço da cidade para sustentar o ritmo de expansão industrial.

GALERIA DE FOTOS

  • Em visita ao espaço, representantes do setor produtivo de Ponta Grossa mostram como está o Aeroporto Sant'Ana atualmente.
    Em visita ao espaço, representantes do setor produtivo de Ponta Grossa mostram como está o Aeroporto Sant'Ana atualmente.
  • Em visita ao espaço, representantes do setor produtivo de Ponta Grossa mostram como está o Aeroporto Sant'Ana atualmente.
    Em visita ao espaço, representantes do setor produtivo de Ponta Grossa mostram como está o Aeroporto Sant'Ana atualmente.
  • Em visita ao espaço, representantes do setor produtivo de Ponta Grossa mostram como está o Aeroporto Sant'Ana atualmente.
    Em visita ao espaço, representantes do setor produtivo de Ponta Grossa mostram como está o Aeroporto Sant'Ana atualmente.
  • Em visita ao espaço, representantes do setor produtivo de Ponta Grossa mostram como está o Aeroporto Sant'Ana atualmente.
    Em visita ao espaço, representantes do setor produtivo de Ponta Grossa mostram como está o Aeroporto Sant'Ana atualmente.

COMPETITIVIDADE

No setor produtivo, o entendimento é o mesmo: aeroporto é infraestrutura de desenvolvimento. A Acipg incluiu a ampliação do aeroporto entre as prioridades de 2026, ao lado do Porto Seco, e tratou o tema como parte da agenda estratégica para uma cidade que cresce em indústria, emprego e logística. Na última semana, segundo o presidente da entidade, Leonardo Puppi Bernardi, representantes do setor produtivo visitaram, juntos, o Aeroporto Sant’Ana para acompanhar o andamento das obras no local.

A entidade defende mais infraestrutura para acompanhar o porte econômico de Ponta Grossa e sustentar a chegada de novos investimentos, em um momento em que a Secretaria de Indústria, Comércio e Qualificação Profissional também trabalha com foco em capacitação e retenção de mão de obra.

Na foto, um menino no Aeroporto de Pato Branco. A unidade recebeu, recentemente, investimentos de R$ 48 milhões pelo Governo do Estado.
Na foto, um menino no Aeroporto de Pato Branco. A unidade recebeu, recentemente, investimentos de R$ 48 milhões pelo Governo do Estado. |  Foto: Gabriel Rosa/AEN.

OUTROS TERMINAIS REGIONAIS

Na avaliação do superintendente da Fiep, João Arthur Mohr, traz referências dos avanços de Cascavel, que ampliou pista e terminal e passou a atrair mais companhias, e de Guarapuava, que recebeu anúncio de investimento de cerca de R$ 100 milhões para ampliar a estrutura aeroportuária.

O deputado estadual Moacyr Fadel (PSD) compartilhou da mesma opinião. “A experiência de outros municípios, como Maringá e Cascavel, nos mostra que é possível ter um aeroporto bem estruturado atendendo a demanda regional e atrativo para as companhias áreas”.

O cenário, portanto, combina urgência e planejamento. No curto prazo, o Sant’Ana segue dependente das obras em andamento e da costura institucional entre Prefeitura, Estado e União. No horizonte mais amplo, a pista maior e a possível concessão federal abrem uma nova janela para recolocar Ponta Grossa no mapa da aviação regional. Até lá, a cidade tenta evitar que a falta de voos comerciais seja um grande impacto no seu desenvolvimento.

PUBLICIDADE

Conteúdo de marca

Quero divulgar right