Relatório da CPI da Sanepar deve ser apresentado em 10 dias
Investigação deverá apontar que Sanepar não cumpriu com o plano municipal de saneamento e que houve omissão na fiscalização da operação da companhia. As informações foram reveladas pela relatora da comissão, nesta sexta-feira (4)
Publicado: 04/04/2025, 18:08

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o contrato firmado entre a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e a Prefeitura de Ponta Grossa deve ser apresentado nos próximos 10 dias. A informação foi apurada pela reportagem junto da relatora da CPI da Sanepar, vereadora Joce Canto (PP).
Conforme a parlamentar, o relatório já está em fase de elaboração. “Acredito que em 10 dias apresentaremos os resultados finais”, disse ao Portal aRede. Joce destacou que as oitivas serviram para que dois pontos importantes fossem percebidos. O primeiro deles seria a falta de investimentos da Sanepar, que não teria cumprido o plano municipal de saneamento. Ela destaca que se a obra do Rio Pitangui estivesse sido entregue conforme o prazo estipulado não haveria desabastecimento. “Também a omissão do Poder Executivo na fiscalização dessa mesma obra, afinal a Sanepar não cumpriu o contrato, deixou de realizar a obra e sequer foi multada”, ressaltou a relatora da CPI.
Joce Canto afirma que o relatório final da investigação será encaminhado a todos os órgãos competentes, com pedido de multa e responsabilização de todos os entes. Cabe lembrar que, depois que Joce finalizar o relatório, o documento passará por votação de todos os membros da comissão.
Para o presidente da CPI da Sanepar, vereador Guilherme Mazer (PT), a comissão conseguiu recolher elementos suficientes para responder os pontos levantados no início da investigação. “A CPI foi importante porque pressionou a empresa, pressionou o governo, pressionou a Prefeitura a regularizar situações de fiscalização que eram precárias”, aponta Mazer. Ele acredita que com o relatório final, a CPI poderá fazer as recomendações necessárias. “Tanto enquadrando possíveis irregularidades dos agentes públicos e a Companhia de Saneamento como recomendar melhorias no sistema e também na relação contratual entre a empresa e o Município”, completou o presidente da comissão.
Quem também conversou com a reportagem foi Geraldo Stocco (PV), vereador que integra a CPI da Sanepar. O parlamentar destaca que os vereadores se esforçaram para entender o que havia de errado no cumprimento do contrato entre Prefeitura e Sanepar. Conforme Stocco, a CPI também pressiona os órgãos competentes por uma recompensação financeira aos moradores de Ponta Grossa que foram prejudicados pela interrupção no fornecimento de água. “Acredito que a CPI cumpriu seu papel ao apontar para vários pontos em que a Sanepar simplesmente deixa de cumprir o contrato”, destacou Stocco.
Além de Joce, Mazer e Stocco, também integram a CPI da Sanepar os vereadores Leandro Bianco (Republicanos) e Léo Farmacêutico (União Brasil).
LINHA DO TEMPO - A CPI da Sanepar foi aberta na Câmara Municipal de Ponta Grossa em 19 de fevereiro deste ano. A primeira reunião entre os membros da comissão ocorreu uma semana depois. Em pouco mais de um mês de investigação, houve quatro oitivas. Foram ouvidos representantes da Agepar, um diretor da Sanepar, a atual secretária e o ex-secretário de Meio Ambiente, o Procurador-Geral do Município e o ex-prefeito Marcelo Rangel. Além disso, a CPI encaminhou 54 requerimentos de informação no intuito de esclarecer pontos do contrato firmado entre a Administração e a companhia de saneamento.