Biblioteca da UEPG transforma vida de jovem privada de liberdade | aRede
PUBLICIDADE

Biblioteca da UEPG transforma vida de jovem privada de liberdade

Mariana Chagas, de 26 anos, viu nos livros uma forma de mudar de vida e abraçar novas oportunidades

A passagem da jovem pela instituição foi parte do processo de cumprimento da sua pena
A passagem da jovem pela instituição foi parte do processo de cumprimento da sua pena -

Publicado Por João Iansen

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

Os livros contam histórias, assim como aqueles que cuidam deles. Mariana Chagas, de 26 anos, viu nos livros uma forma de mudar de vida e abraçar novas oportunidades. Sua vida foi transformada pela Biblioteca Central da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Bicen-UEPG), onde se dedicou à organização dos livros e atendimento ao público, ao longo de um ano e dois meses. A passagem da jovem pela instituição foi parte do processo de cumprimento da sua pena, em regime semi-aberto, que encerrou em março.

Natural de Itararé (SP), Mariana enfrentou várias batalhas ao longo da vida, marcada pelo falecimento da mãe quando tinha 16 anos, seguida por internações médicas e a detenção, em 2019. Após cumprir três anos e meio da pena em regime fechado, Mariana foi transferida para o regime aberto, que lhe possibilitou procurar um emprego. Uma amiga falou para ela sobre Ponta Grossa ser uma cidade que oferecia a oportunidade de recomeço para pessoas privadas de liberdade (PPL) – referindo-se ao Núcleo de Atendimento às Pessoas Com Monitoração Eletrônica (Nupem), projeto de extensão da UEPG que oferece atendimento jurídico e social na região e viabiliza oportunidades de emprego.

Entre o medo de sofrer preconceito onde morava e as preocupações em arriscar se mudar para uma cidade desconhecida, a curiosidade de Mariana falou mais alto. Após a autorização do Patronato – unidade do sistema prisional que auxilia PPLs do Regime Aberto, surge a oportunidade de trabalhar na Bicen, no início de 2023. Logo no início, sua jornada foi marcada pelo acolhimento da equipe da Biblioteca, que orientou Mariana no andamento do seu trabalho. “Eu não achei que seria assim. Eu sou ‘difícil de lidar’ e isso me deixava com medo de que não duraria aqui, mas todo mundo me recebeu com carinho nesse momento de recomeçar a minha vida”.

Na passagem pela Biblioteca, Mariana desempenhou diversas funções, desde o atendimento aos estudantes, na entrega de chaves para os armários, ao cuidado com os livros, da catalogação à organização na prateleira, até mesmo no empréstimo e devolução das obras, por meio do sistema Pergamus. O apoio da equipe da Bicen não se restringiu ao desempenho das funções de Mariana e tornou-se fundamental em sua experiência na Universidade. “Como a Maria Lúcia sempre me fala: a vida é feita de fases. E esta fase foi uma oportunidade de reconstruir minha vida com muito acolhimento”, celebra.

Além do crescimento profissional e das novas amizades, a experiência vivida na Bicen permitiu Mariana realizar mais um objetivo: retomar os estudos. Após o falecimento da sua mãe, abandonou a escola, mas retomou os estudos durante a execução da pena. “Todos os colegas da Biblioteca, sem exceção, me deram apoio nos meus estudos. Eles sempre insistiram para nunca deixar de estudar e fazer vestibular”. Após  concluir o Ensino Médio, realizado eu seu período na Biblioteca, Mariana revela que seu próximo passo nos estudos é iniciar graduação em Pedagogia.

ALÉM DOS LIVROS - “A Biblioteca universitária tem que olhar para todas as pessoas, não apenas para as que transitam aqui dentro. Nossa função, enquanto uma biblioteca humana é abraçar pessoas como a Mariana, que estão em busca de formas de melhorar de vida”, relata a diretora da Bicen, Maria Lúcia Madruga. Ela define a experiência de orientar Mariana em seu trabalho como desafiadora, mas muito gratificante. A diretora reforça a importância do acolhimento, que exige olhar para as pessoas através das suas necessidades e sonhos. “Não se trata do trabalho pelo trabalho. Precisamos entender quais são os desejos da pessoa, e foi o que a equipe da Biblioteca fez para permitir  a Mariana alcançar novos objetivos”, celebra a diretora.

NOVA VIDA - Livre da tornozeleira eletrônica, Mariana atualmente trabalha no Fórum de Justiça de Ponta Grossa. “O pessoal da Biblioteca sabe como eu tive medo. Medo de não conseguir um emprego, medo de voltar para aquele lugar horrível. Mas todos me ajudaram neste processo e pela primeira vez eu tenho minha carteira de trabalho assinada”, celebra. O carinho que Mariana recebeu em seu tempo na UEPG é passado adiante: Mariana aconselha outras mulheres em situação similar à sua e destaca a importância de não desistir frente à provações no processo de melhorar sua vida.

Mariana expressa gratidão pelo apoio na sua trajetória à equipe da Biblioteca da UEPG, especialmente a “Dona” Maria Lucia Madruga, como chama carinhosamente a diretora da Bicen. “Eu achava que não tinha ninguém até entrar na UEPG. Eu poderia ter desistido várias vezes, mas eu tive muito apoio em todo o processo para entender como trabalhar em equipe e atender as pessoas”. Ao final de sua trajetória na UEPG, Mariana Chagas se vê como uma nova pessoa, pronta para aprender e aberta ao acolhimento que marcou sua vida.

Com informações da assessoria de imprensa.

PUBLICIDADE

Conteúdo de marca

Quero divulgar right