Requião defende investimento público para sair da recessão

Candidato a reeleição destaca o papel do senador na construção de um modelo de economia que recupere o país.
O período financeiro vivido pelo Brasil foi o principal viés analisado pelo senador Roberto Requião (MDB), candidato à reeleição, em entrevista do Jornal da Manhã e ao portal aRede. A proposta de Requião é fazer com que o país invista no momento de crise - diferentemente das empresas privadas, que evitam gastos durante a recessão. O candidato ainda lembrou algumas conquistas de Ponta Grossa e da região dos Campos Gerais durante o período em que era governador, além de destacar o motivo pelo qual se lançou novamente ao Senado, ao invés de buscar a chefia do Executivo estadual.
Jornal da Manhã: O que motiva o senhor a concorrer a uma vaga no Senado?
Roberto Requião: Eu percebi a importância que tem o Senado e a minha atuação dele. Ao lado de senadores nacionalistas e desenvolvimentistas, bloqueamos a privatização da Petrobras, seguramos o fim da Previdência Social e estamos desenvolvendo um mandato a favor da soberania brasileira, com o desenvolvimento da política de emprego. Ao contrário da política levada pelo governo brasileiro, que é uma política de liberalismo econômico que faliu e Europa: destruiu a Grécia, atrapalha a Alemanha, fez a Inglaterra abandonar a União Europeia, dificulta as atividades na Espanha. O único país se que se saiu mais ou menos neste momento é Portugal, justamente com a política desenvolvimentista.
JM: O que pesou em sua decisão de não se lançar ao Governo do Estado e como sua experiência no Senado pode te ajudar para mais um mandato?
Requião: Eu tenho muitos anos de estudo em Economia e Sociologia. A experiência é fundamental para saber como funcionam as coisas. Eu poderia ter me lançado ao Governo do Estado e participar de uma eleição que estava praticamente ganha, como alguns dizem por aí. Mas cheguei a conclusão que é mais importante com minha experiência e meu trabalho no Senado, e é onde acredito que posso contribuir mais com a população.
JM: Por que os eleitores dos Campos Gerais podem confiar no senhor como representante no Senado Federal?
Requião: Basta acompanhar minha atuação no Senado, meus resultados, e fazer uma leitura dos meus governos do Paraná. Sou o Senador que, quando governador, construiu o Hospital Regional dos Campos Gerais em Ponta Grossa, que transformou o Seminário do verbo Divino em uma escola pública, que melhorou a situação do Saneamento em Ponta Grossa… Fui o governador que que reduziu impostos das microempresas a zero e das pequenas a 2% e 2,5%... Em parceria com os professores, garanti que a Educação fosse a primeira do Brasil, fiz o programa Panela Cheia e outras políticas sociais extremamente eficientes. Fui o governador que baixou os impostos na grande crise de 2009, que fez com que as tarifas de água e de luz ficassem congeladas. Resumidamente, um governo não voltado para financiadores de campanha e nem para empresas multinacionais, mas sim voltado para atender as necessidades sociais da população.
JM: Existe um discurso de candidatos da oposição que afirma que os atuais senadores paranaenses pouco olham para as demandas do Estado e estão mais preocupados com assuntos do âmbito nacional. Como o senhor analisa este discurso?
Requião: Eu consegui recursos abundantes para o Paraná que não foram usados pelo governo do Estado. Um governo que roubou o recurso das escolas públicas e que foi pouco eficiente. Quando um candidato ao Senado fala “Eu vou trazer recursos para uma ambulância, para isso, para aquilo, etcétera, etcétera”, eles na verdade querem ser vereadores, e não senadores. Senado cuida do macro, do desenvolvimento econômico do país. Outros dizem que “sempre sonharam em ser senador”. Veja: a gente sempre sonha com as coisas materiais desde criança. Sonha em ter um carrinho, isso, aquilo... Somente sonhar não basta. O Senado é muito mais do que isso. É a defesa dos trabalhadores de um Estado. O Senador está em outro nível. Não é mais um ‘ratinho’ da Economia, ele tem que ter uma noção muito clara do que acontece no país e no mundo.
JM: Já sabemos de seus posicionamentos contrários às reformas que estão em discussão em Brasília. Se for reeleito ao Senado, como pretende atuar para fazer valer a sua posição neste sentido?
Requião: Sou absolutamente contra tudo aquilo que prejudicar o empresário brasileiro e principalmente o trabalhador brasileiro. Precisamos de grandes investimento públicos em momentos como este de recessão. uma empresa privada não investe na recessão, somente o Estado é quem investe. Foi o que fez os Estados Unidos com o ‘New Deal’ durante a grande crise, com investimentos pesados em ferrovias, rodovias e portos, reduzindo a carga tributária e aumentando o salário dos trabalhadores. Porque se não tem a quem vender, também não há porque produzir. Há anos estão querendo transformar o nosso país e um lugar bom para pouca gente. Tenho uma política totalmente contrária a essa que estão tentando implantar.
JM: O momento político atual deixa o eleitor um pouco descrente. Você acha que as eleições sejam um bom momento para despertar e desencadear essa mudança de pensamento?
Requião: É um momento muito ruim e com perspectivas de mudança muito pequenas. Um momento em que o Legislativo perde autonomia para o Judiciário. É como digo: tem juízes que imaginam que são Deus, enquanto tem outros que já tem certeza que são. Como disse o Ciro Gomes, precisamos colocar cada um dentro do seu quadrado. Juiz tem que obedecer a lei, e não legislar de acordo com uma visão partidária e parcial. Precisamos também de uma retomada do desenvolvimento que tome como base os modelos da Alemanha, dos Estados Unidos e do Japão. O liberalismo econômico é um zumbi, um morto-vivo, que financia um golpe no país e através dele estabelece uma política falida que marginaliza os trabalhadores e provoca a quebra de uma nação.
O quê? Roberto Requião
Sempre no ‘velho MDB de Guerra’, como costuma chamar, Requião está na vida pública desde 1983. Já atuou como deputado estadual, prefeito de Curitiba, governador por três mandatos e Senador por outros dois. Com postura polêmica, Requião é atualmente um dos maiores defensores do ex-presidente Lula no Paraná, assim como foi durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff.





















