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Vereadores novatos cobram mais acessibilidade

Sem acessibilidade na própria sede do Legislativo, Felipe Passos quer ampliar qualidade de vida de cadeirantes na cidade

Felipe Passos, primeiro vereador cadeirante da história em PG, durante a posse no último dia 1º de janeiro
Felipe Passos, primeiro vereador cadeirante da história em PG, durante a posse no último dia 1º de janeiro -

Afonso Verner

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Sem acessibilidade na própria sede do Legislativo, Felipe Passos quer ampliar qualidade de vida de cadeirantes na cidade

Pela primeira vez, Ponta Grossa tem um vereador cadeirante. Com a eleição de Felipe Passos (PSDB), segundo vereador mais votado no pleito de outubro de 2016, a falta de acessibilidade na sede do Legislativo Municipal ficou ainda mais evidente. Com a ampliação de 15 para 23 vagas na Câmara ainda em 2011, o problema de acessibilidade também chegou à distribuição de gabinetes e ao acesso de áreas vitais do Legislativo.

Já na primeira visita de Passos (PSDB) ao Legislativo Municipal, a falta de acessibilidade ao plenário ficou evidente. Procurado pela reportagem, o tucano afirmou que desde que foi eleito o presidente do Legislativo Municipal o procurou para discutir medidas que pudessem ser tomadas para melhorar a situação. “Até o momento nada aconteceu, a Câmara não é um local acessível não só ao cadeirante, mas a qualquer pessoa com deficiência física”, contou Passos.

No sorteio dos gabinetes, Passos apresentou um ofício com o pedido de ficar com o gabinete que tem acesso pelo estacionamento e, com isso, ter menos dificuldades de chegar ao local de trabalho. No entanto, o sorteio de outros gabinetes, principalmente dos espaços que ficam no chamado ‘porão’ do Legislativo, causou polêmica: os gabinetes menos acessíveis ficaram com Celso Cielask (PRTB) e Paulo Balancin (PTN).

Os gabinetes dos dois novatos ficam no subsolo da Câmara e têm acessibilidade zero: um cadeirante ou uma pessoa com muletas não consegue chegar ao local sem ajuda. Celso Cielask (PRTB) lamentou que o local não apresente o mínimo de condições para receber um eleitor de cadeira de rodas, por exemplo. “O espaço do gabinete até é razoável, mas uma pessoa com deficiência física não consegue chegar lá sozinha”, contou. O gabinete de Paulo Balancin (PTN) também fica no subsolo e sofre com as mesmas dificuldades.

De acordo com Passos, os problemas de acessibilidade não estão apenas nos gabinetes, mas também no plenário. Para chegar ao local, o tucano tem que passar por uma rampa que qualifica como “muito inclinada”. “Eu já tenho habilidade com a cadeira de rodas, mas uma pessoa que não tem acaba não conseguindo chegar ao plenário”, contou Felipe. O outro problema está em chegar ao púlpito.

“Eu consigo chegar sozinho até a minha cadeira, mas não consigo ir até o púlpito, só se me carregarem até lá”, afirmou Passos. O púlpito é o local utilizado pelos parlamentares durante os discursos na Casa de Leis e é palco para debates acalorados entre os pares. Segundo Felipe, o Legislativo Municipal precisa providenciar a instalação de rampas e de um elevador. “Isso não só para o cadeirante, mas para qualquer pessoa com dificuldades”, afirmou.

Passos tem projetos para ampliar acessibilidade

Mesmo sem ter a acessibilidade adequada na sede do próprio Legislativo Municipal, Felipe Passos (PSDB) tem como bandeira a ampliação da acessibilidade das pessoas com deficiências na cidade. O vereador afirma que já tem uma série de projetos de lei prontos nesse sentido e que irá apresentar as iniciativas nos próximos dias. “Eu tenho pesquisado muito sobre a questão e quero ampliar a qualidade de vida das pessoas com deficiências na cidade, nossa realidade tem que ser muito mais que a sede da Câmara”, questionou Passos. O vereador preferiu não revelar o conteúdo dos projetos, de forma mais detalhada, até que as medidas sejam apresentadas.

Procurado

O presidente da Câmara de Vereadores, Sebastião Mainardes (DEM), foi procurado pela reportagem para se manifestar sobre o assunto, mas o parlamentar não foi encontrado. Em outras oportunidades Sebastião já havia demonstrado a intenção de realizar reformas, ampliações e melhorias na sede da Câmara.

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