'Ponta Grossa planeja e investe junto com o setor produtivo', afirma prefeita Elizabeth
Prefeita destaca a progressão de setores como a indústria, serviços e comérico, e aponta prioridades de sua gestão para os próximos anos à frente do Município

Ponta Grossa vive um dos períodos mais expressivos de transformação econômica de sua história, e, portanto, a gestão municipal carrega grande responsabilidade em administrar esta expansão com políticas de incentivo e investimentos em infraestrutura para sustentar seu crescimento.
A chegada de investimentos industriais na cidade surpreendeu nos últimos anos ao ultrapassar o perímetro do Distrito Industrial para dar prioridade ao novo contorno da cidade, com a instalação da Nissin e XBRI. Consequentemente, a cidade que hoje é reconhecida como uma das mais inteligentes do mundo deu celeridade à projetos estruturantes, como o novo contorno rodoviário.
À frente do Município há aproximadamente seis anos, a prefeita Elizabeth Schmidt (PL) sabia, desde o início de sua gestão, que administrar o crescimento de Ponta Grossa exigiria estratégias inovadoras e confiança no potencial da cidade em se tornar um polo logístico e referência para investidores que buscam desenvolver suas empresas e indústrias junto à cidade.
Neste contexto, Elizabeth apresenta à revista PG Competitiva a sua visão sobre os fatores que sustentam esse ciclo de crescimento, os desafios que as novas demandas trazem à cidade e os projetos que estão sendo estruturados para preparar Ponta Grossa para o futuro.
Confira a entrevista com a prefeita Elizabeth
Ponta Grossa vive um momento de forte crescimento econômico. Na sua avaliação, qual foi o principal motor dessa transformação?
O principal motor é a indústria. E é algo que foi construído pela cidade, mostrando que tem um ambiente de negócios favorável, principalmente com segurança jurídica. Por exemplo, em 2024, o setor industrial alavancou em R$ 14 bilhões no Valor Adicional Fiscal do Município. Para se ter uma ideia, em 2020 eram R$ 6 bilhões.
Tudo é resultado de planejamento, de segurança jurídica, e o investidor vê que isso está acontecendo. É um trabalho conjunto da Prefeitura Municipal com o setor produtivo e vice-versa. A Secretaria de Indústria, Comércio e Qualificação Profisisonal, a Agência de Inovação, a Secretaria da Fazenda, todos nós trabalhamos em conjunto em benefício da indústria.
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Grandes empresas nacionais e multinacionais continuam escolhendo Ponta Grossa para investir. O que diferencia o município nesse cenário competitivo?
É um conjunto de ações e de três coisas que dificilmente acontecem juntas e aqui, graças a Deus, acontece. A nossa localização estratégica, a nossa qualificação de mão de obra e, consequentemente, um ambiente de inovação estruturado com incentivos fiscais, que são muito importantes para essas indústrias.
Nós temos a BR-376, a BR-277 e a PR-151. Tudo muito mais fácil para exportação e para chegar ao Porto de Paranaguá. O Porto de Santos também não é longe. Então, por exemplo, a DAF exporta para Chile, Peru e Colômbia. É um local estratégico para todas as demais indústrias, como Ambev, Continental, Heineken, Envases, que está recém-instalada aqui, e a XBRI, que está chegando.
Por que eles nos escolheram? Porque nós temos esse conjunto de fatores que encontram aquilo que eles precisam.
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Além da indústria, os setores de comércio e serviços também vivem um momento positivo. Como a senhora avalia esse ciclo de crescimento?
Se nós estamos entre os 20 distritos industriais de investimento do Brasil, nós podemos dizer que a indústria é o fio condutor do comércio e dos serviços, porque eles estão todos na mesma esteira, mas também têm mérito próprio. A cidade registrou um crescimento de mais de 10% na abertura de novas empresas. Cada fábrica que se instala aqui movimenta uma cadeia inteira que chega até o comércio e os serviços.
Quais investimentos em infraestrutura serão feitos para consolidar o município como um dos principais hubs logísticos do Brasil?
Nós, enquanto entroncamento rodoferroviário, já somos um hub logístico, mas que ainda precisa de muita infraestrutura. O novo 'Contorno', que a Motiva Paraná vai construir, ajudará muito para que isso aconteça. Trará melhorias para esse tráfego pesado que hoje já está praticamente dentro do perímetro urbano, na Avenida Souza Naves.
A mobilidade urbana é, sem dúvida alguma, uma das grandes prioridades da nossa gestão. Justamente por isso, propomos a 'Solução Costa Rica', além dos projetos de ligação interbairros, a cessão das ferrovias inativas e as obras do Aeroporto Sant’Ana que tanto defendemos, e acredito que venceremos. Acredito que isso ajudará para que possamos consolidar esse nosso lugar de hub logístico do Sul do País.
Também contamos com os Estudos de Impacto de Vizinhança (EIV), que são um investimento muito importante de todas as obras novas que acontecem no município e que dão sua contribuição através de ligações importantes entre bairros, como entre a Vila Cipa e o Cará-Cará. Estamos recebendo as áreas da ferrovia inativa, o que nos ajuda bastante no planejamento urbano. O Parque Linear poderá ser continuado até a entrada da cidade, proporcionando uma mobilidade muito maior.
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Ponta Grossa é reconhecida como um polo universitário e de qualificação profissional. Como a Prefeitura tem trabalhado para preparar mão de obra para esse novo ciclo de desenvolvimento?
Nós contamos com a educação formal, através das universidades, mas também ampliamos em 60% os recursos para qualificação profissional. São R$ 1 milhão neste ano em projetos nos quais compramos vagas no 'Sistema S' para essa qualificação.
Também criamos o programa ‘Capaz’, no qual ofertamos 360 vagas para que as pessoas possam se qualificar e recebam uma bolsa de estudos de R$ 500 para terem essa possibilidade de estudar cada vez mais e se qualificar mediante aquilo que a indústria tem dito para nós que precisa, por exemplo, manutenção industrial, eletrificação predial, logística industrial, curso de empilhadeira e assim por diante. Nós fazemos essa consulta para as indústrias, eles nos respondem e nós investimos nessa qualificação.
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A agroindústria também tem ampliado sua participação na economia local. Como essa integração entre campo e indústria fortalece Ponta Grossa?
Temos aqui na nossa cidade algo que é uma característica rara, porque nós temos um parque industrial forte convivendo com uma zona rural extensa e produtiva.
Boa parte da nossa agricultura já está industrializada aqui mesmo. É uma conexão viva que a gente tem investido também, por exemplo, no programa 'Caminhos do Agro', para que eles possam ter um escoamento da safra muito mais facilitado, com estradas rurais conservadas.
Neste ano nós já fizemos 280 quilômetros de recuperação de estradas rurais. Isso garante que a produção do campo chegue logo às indústrias e, consequentemente, à nossa mesa.
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Olhando para os próximos anos, quais setores devem liderar uma nova fase de investimentos em Ponta Grossa?
O primeiro deles é o da indústria, que está se expandindo com a XBRI Pneus. É algo muito interessante para nós, pois neste segmento, temos a Continental na área da borracha e agora teremos uma fábrica de pneus com investimento de mais de R$ 6 bilhões.
A DAF também está investindo muito fortemente, dobrando a sua indústria. E a Estação HUB, que é a casa do nosso empresário, o ecossistema do Vale dos Trilhos, onde nós temos um programa que se chama Trilhar, justamente para incentivar as startups.
A indústria 4.0, a logística e a indústria de automação estão todas ligadas a essas questões digitais. Agora, a novidade que acrescento como uma terceira linha é o que já estamos recebendo pelos próximos meses: indústrias que estão investindo na 'produção do futuro'. É produção de hidrogênio verde, de amônia verde e de biodiesel, que representam justamente a energia limpa e que logo estaremos despontando nesse setor.
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Entre tantos resultados alcançados, qual é o maior orgulho da senhora à frente da Prefeitura de Ponta Grossa?
Tenho orgulho de tanta coisa, mas, nessa área, é justamente ver que o crescimento de Ponta Grossa chegou às pessoas. Isso significa que, quando a indústria cresce, a inovação acontece e o emprego, a renda e a qualificação chegam às pessoas.
Temos hoje 108 mil pessoas empregadas na indústria. É muita gente, praticamente um quarto da nossa cidade. Nós lideramos no Paraná em 20 atividades econômicas. Isso dá muito orgulho. Com relação aos empregos e também à exportação, estamos em primeiro lugar em diversos segmentos no Paraná e ocupando posições de destaque também no Brasil.
Tudo isso nos leva a acreditar que estamos entre as 21 cidades mais inteligentes do mundo. E isso dá um orgulho 'danado' para todos os ponta-grossenses. Eu ouço as pessoas dizerem isso para mim todos os dias: “Eu tenho orgulho de ser ponta-grossense”.
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Que mensagem a senhora deixa para os empresários que estão avaliando investir em Ponta Grossa?
Ponta Grossa está preparada para receber todo e qualquer investimento, com segurança jurídica, localização privilegiada, incentivos fiscais muito atraentes e visão de futuro.
Hoje somos uma das 20 cidades do Brasil que vivem grandes ciclos de investimentos. Temos atividades econômicas em destaque na nossa cidade e um ecossistema de inovação, que é o Vale dos Trilhos, onde tudo o que acontece de inovador tem o seu berço.
Quem escolhe a cidade de Ponta Grossa vê aqui uma cidade que planeja, que investe junto com o setor produtivo, e nós estamos construindo essa infraestrutura com muita honra e muito orgulho. Venham trabalhar conosco.



