Reputação digital passa a definir marcas serão recomendadas por inteligências artificiais
Fundador da Bons de Briga destaca que empresas precisam ir além do tráfego pago e investir em posicionamento e presença digital estruturada

A forma como as empresas se comunicam com o público está passando por uma transformação profunda com o avanço da inteligência artificial. No 57º episódio do podcast Papo de Mercado, do Grupo aRede, o fundador da agência Bons de Briga, Guilherme Dias, destacou que a reputação de marca deixou de ser apenas um fator humano e passou a influenciar diretamente a forma como algoritmos recomendam produtos e serviços.
Segundo ele, a agência, fundada em 2017 com foco em tráfego pago, precisou se adaptar ao novo cenário. “Com o passar dos anos, a gente entendeu que não fazia mais sentido focar apenas em tráfego pago. Ele passou a ser apenas um braço dentro de uma estratégia maior”, explica.
Com a popularização de ferramentas como o ChatGPT, a empresa direcionou seus esforços para um conceito que, segundo Guilherme, se tornou central no marketing atual. “Nós direcionamos os nossos esforços em uma coisa chamada reputação de marca, que é a palavra-chave mais importante quando a gente fala sobre propaganda com inteligência artificial”, afirma.
Ele resume o conceito de forma direta: “Reputação de marca é o que dizem da sua marca quando você não está na sala”. Para o especialista, esse fator agora vai além da percepção do consumidor. “A reputação não é mais só importante para os seres humanos. A reputação agora é de fundamental importância para os robôs”, pontua.
Nesse novo cenário, a lógica de consumo também muda. “Teu próximo cliente, nos próximos anos, não é um ser humano, é o agente de IA daquele ser humano. Se você não convencer o agente de IA que você é a melhor escolha, aquela pessoa não vai chegar na tua marca”, alerta.
Nova economia e competitividade ampliada
Durante a entrevista, Guilherme também apresentou o conceito da “tríade da nova economia”, formada por posicionamento de marca, networking e inteligência artificial aplicada. Segundo ele, a tecnologia democratizou o acesso a ferramentas antes restritas, aumentando a competitividade entre empresas. “Hoje qualquer um que sabe utilizar uma boa inteligência artificial consegue resolver problemas que antigamente eram muito caros e complexos. Isso deixa todo mundo mais competitivo”, explica.
Diante disso, ele reforça que apenas oferecer um bom serviço já não é suficiente. “Tráfego pago hoje é obrigação, é o básico, não te diferencia”, afirma.
Como ser recomendado pelas IA's
Para que uma marca seja recomendada por ferramentas de inteligência artificial, Guilherme destaca dois conceitos centrais: reputação e “elegibilidade”. “Eu preciso disparar sinais de elegibilidade para as inteligências artificiais para que elas possam ler a minha marca”, explica. Entre os principais fatores, ele cita a importância de um site estruturado, informações padronizadas em todos os canais e avaliações positivas.
“Quanto mais avaliações você tiver, quanto mais você responder essas avaliações, inclusive as negativas, mais sinais de elegibilidade você está dando para que as IAs leiam a sua marca”, afirma. Outro ponto destacado é a validação externa. “Não basta eu falar bem de mim mesmo. Eu preciso ter outras marcas e outros canais falando bem de mim”, completa.
Inteligência artificial como aliada
Apesar do avanço da tecnologia, o especialista alerta que a IA deve ser utilizada como apoio, e não como substituta da tomada de decisão. “Você tem que tratar a inteligência artificial como um copiloto. Você precisa revisar tudo que ela faz”, orienta.
Ele também aponta que ainda há espaço para empresas que desejam se adaptar. “Apenas 8% das empresas no mundo estão utilizando inteligência artificial de maneira séria no dia a dia”, destaca, citando dados recentes do mercado.
Caminho para as empresas
Entre as primeiras ações recomendadas para quem deseja fortalecer a presença digital, Guilherme sugere ajustes simples e acessíveis. “Configure seu Google Meu Negócio, peça avaliações, responda todas elas. Isso já começa a gerar sinais importantes”, afirma.
Ele também reforça a importância de manter canais atualizados e investir em presença digital consistente. “É uma série de atividades que você precisa fazer e manter fazendo para que sua marca esteja sempre elegível para as inteligências artificiais”, conclui.
Ouça o episódio completo no Spotify, pesquisando ‘Papo de Mercado’, ou acompanhe o bate-papo em vídeo, na íntegra, aqui.
Confira um resumo da notícia:
- A inteligência artificial está transformando o marketing: a reputação de marca passou a influenciar não só pessoas, mas também algoritmos que recomendam produtos e serviços.
- Guilherme Dias destaca que o tráfego pago deixou de ser diferencial e apresenta a “tríade da nova economia”, baseada em posicionamento, networking e uso estratégico da IA.
- Para ser recomendada pelas IAs, a empresa precisa gerar “sinais de elegibilidade”, com site estruturado, dados padronizados, avaliações positivas e presença digital consistente.





















