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O dragão chamado Rachel Sheherazade

Imagem ilustrativa da imagem O dragão chamado Rachel Sheherazade
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Afonso Verner

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Quem liga a TV no horário nobre e sintoniza no Jornal do SBT já deve ter visto uma nordestina porreta, com opiniões fortes e que solta o verbo – doa a quem doer. Dessa vez, Rachel Sheherazade se envolveu em uma polêmica sobre o fato de um bandido ter sido amarrado junto a um poste.

Prefiro não discutir o fato em si (já que o debate possivelmente vai girar em torno de visões de mundo antagônicas e até mesmo contraditórias), no entanto, é impossível desconsiderar um fato em todo esse 'disse que me disse': temos sérios problemas em compreender a opinião alheia, ainda mais se ela nos parecer absurda.

Algumas vezes a impressão que fica é aquele de que o bom Jornalismo é aquele que contempla nossas opiniões e visões de mundo, todo o resto é picaretagem de primeira linha. Rachel tem o comportamento de um dragão: em cerca de um minuto de comentário ela solta chamas que as vezes chamuscam uns, as vezes ferem outras pessoas e desagradam outros tantos indivíduos.

Desse modo a discussão toma outro caminho: qual é nosso papel em digerir e, principalmente, respeitar a opinião de nossos colegas? Rachel se arrisca a fazer algo um tanto raro na TV aberta: comentários ácidos em um telejornal nacional.

Confesso que eu mesmo já me peguei concordando com argumentos lançados pela jornalista, como também já tive calafrios ouvindo as opiniões de Rachel e achei que ela estava chamando urubu de meu loro para ganhar uns pontinhos no Ibope.

Mas se engana quem pensa que a jornalista se incomoda com a repercussão dos comentários: foi dessa maneira que Rachel ganhou notoriedade e se tornou, quase de um dia pro outro, âncora do SBT Brasil. Sheherazade emite opiniões que, querendo você ou não, tem respaldo em algum setor da sociedade. E isso quer dizer que, obrigatoriamente, outras pessoas ficam profundamente irritadas com isso - afinal, o mundo não é flores e sim debate de opiniões.

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