Ponta Grossa
Ponta Grossa possui 200 mil m² de área verde e projeta construção de novos parques
Devido ao crescimento da população, a Administração Municipal projeta ampliar arborização e parques, visando a impactar positivamente na qualidade de vida da população
João Lourenço e João Iansen | 07 de março de 2026 - 06:30
Ponta Grossa vive um período de transformações urbanas significativas. Nos últimos anos, a cidade passou por mudanças em diversas frentes: novos acessos viários, discussões sobre mobilidade e transporte público, expansão de moradias verticais e horizontais e a implantação de novos empreendimentos comerciais e industriais.
Com o crescimento acelerado, que tem atraído novos moradores — principalmente de cidades vizinhas — um desafio paralelo ganha destaque no planejamento urbano: a ampliação das áreas verdes, da arborização urbana e dos parques públicos.
A discussão não é apenas estética ou paisagística. Em um cenário global de mudanças climáticas, aumento das temperaturas urbanas e eventos extremos, especialistas apontam que infraestruturas verdes são fundamentais para a qualidade de vida nas cidades.
No Brasil, os dados mais recentes sobre arborização urbana foram divulgados pelo Censo Demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o levantamento, 66% da população urbana brasileira vive em ruas com presença de árvores, enquanto 33,7% — cerca de 58,7 milhões de pessoas — moram em vias sem qualquer arborização.
Em Ponta Grossa, estudos acadêmicos indicam que a cidade ainda enfrenta desafios nesse campo. Uma pesquisa publicada por pesquisadores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) apontou que o município possui aproximadamente 7,31 metros quadrados de área verde por habitante.
O índice está abaixo da recomendação internacional estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), que sugere que cidades tenham no mínimo 12 metros quadrados de vegetação por habitante. Além disso, o indicador também fica abaixo da média nacional estimada para cidades brasileiras, que varia entre 10 e 20 metros quadrados por habitante.
Mesmo assim, pesquisadores destacam que os parques e áreas verdes existentes desempenham funções importantes dentro da dinâmica urbana.
Além de espaços de lazer e convivência, essas áreas cumprem papéis estratégicos como controle de enchentes; preservação de rios e nascentes; redução de ilhas de calor; melhoria da qualidade do ar; e proteção da biodiversidade urbana.
Um segundo estudo também conduzido pela UEPG analisou 40 áreas verdes urbanas em Ponta Grossa, incluindo:
- 23 praças
- 8 parques
- 4 clubes
- 5 outros espaços de uso público.
Somadas, essas áreas totalizam aproximadamente 199.280 m², o que corresponde a cerca de 0,5% da área urbana total do município.
Mais recentemente, um levantamento realizado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em 2023, apontou que a distribuição da vegetação na cidade também é desigual.
Segundo a pesquisa, bairros periféricos e regiões com características mais rurais — como Cará-Cará e Chapada — apresentam maior presença de vegetação.
Já regiões mais urbanizadas e centrais, como Centro, Oficinas e Nova Rússia, mesmo concentrando parques e equipamentos urbanos, sofrem com menor arborização nas vias públicas.
De acordo com os pesquisadores, essa diferença reflete diretamente o crescimento urbano sem planejamento ambiental ao longo das últimas décadas.
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PRINCIPAIS PARQUES E PROJETOS EM PONTA GROSSA
Parques existentes
- Parque Ambiental
- Lago de Olarias I
- Parque Linear
Projetos
- Bosque do Rio Verde
- Lago de Olarias II
- Jardim Botânico
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PLANO DE LONGO PRAZO
Paralelamente aos espaços já existentes, a cidade também discute projetos de expansão da infraestrutura verde. Um dos principais é o projeto Parques Lineares da Unilivre, anunciado pela prefeita Elizabeth Schmidt, em 28 de outubro do ano passado.
O plano, desenvolvido em parceria com a Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre), prevê a implantação de uma rede de parques lineares ao longo de rios urbanos da cidade. O tempo de planejamento é de 25 a 30 anos.
O projeto integra ações de:
- macrodrenagem
- arborização
- ciclovias
- recuperação ambiental
- infraestrutura verde.
A proposta considera especialmente as bacias hidrográficas do Rio Ronda, Rio Olarias e Arroio Pilão de Pedra, com o objetivo de recuperar áreas degradadas e criar corredores verdes ao longo dos cursos d’água.
O investimento estimado ultrapassa R$ 120 milhões, e as primeiras licitações devem ser iniciadas nos próximos anos.
Além de melhorar o aspecto paisagístico da cidade, o projeto busca aumentar a resiliência urbana frente ao crescimento da cidade e aos impactos das mudanças climáticas.
Outro projeto aguardado pela população é o Lago de Olarias 2, que será implantado na Avenida Doutor Leopoldo Guimarães da Cunha, ao lado do atual lago.
A proposta é criar uma estrutura semelhante à existente, com espaços destinados ao esporte, lazer e convivência, além de ciclovias e pistas de caminhada.
O investimento inicial estimado é de R$ 7 milhões, podendo chegar a aproximadamente R$ 20 milhões ao final da execução.
Além disso, outro projeto em desenvolvimento é a criação do Jardim Botânico de Ponta Grossa. Em janeiro deste ano, a Prefeitura recebeu da União a cessão de uma área de aproximadamente 21 mil metros quadrados, localizada no bairro Oficinas.
O projeto prevê a criação de um complexo com estruturas integradas à mata nativa existente, incluindo estufas, jardins temáticos, áreas de contemplação e espaços voltados à educação ambiental.
Até o momento, o projeto não gerou custos para o município. O desenho foi desenvolvido por técnicos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Ponta Grossa (Iplan), e o terreno foi cedido sem ônus pela União.
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PROJETO DE ARBORIZAÇÃO IRÁ IMPLANTAR NOVAS ÁREAS VERDES
Para a secretária municipal de Meio Ambiente, Carla Kritski, os novos projetos de áreas verdes fazem parte de uma estratégia mais ampla de planejamento urbano sustentável.
“Os projetos de implantação de novas áreas verdes, como o futuro Jardim Botânico e os parques lineares desenvolvidos em parceria com a Unilivre, representam instrumentos estratégicos da política ambiental do município. Mais do que espaços de lazer, essas iniciativas integram um modelo de planejamento urbano sustentável, voltado à ampliação da infraestrutura verde, à conservação da biodiversidade e à melhoria da qualidade ambiental da cidade”, pontua.
A secretária destaca ainda que os parques lineares possuem papel especialmente relevante dentro desse contexto. “Implantados ao longo de cursos d’água e fundos de vale, eles contribuem diretamente para a recuperação de áreas de preservação permanente, proteção de nascentes, melhoria da drenagem urbana e redução de processos erosivos. Ao mesmo tempo, funcionam como importantes corredores ecológicos dentro da malha urbana, conectando fragmentos de vegetação e favorecendo a biodiversidade, além de oferecerem à população espaços qualificados para convivência, prática esportiva e educação ambiental”.
De acordo com a secretária, o município também possui um planejamento técnico estruturado para a arborização urbana.
Segundo ela, o trabalho segue as diretrizes do Plano Municipal de Arborização Urbana. “O município atua com base em planejamento técnico orientado pelo Plano Municipal, que estabelece critérios para escolha de espécies, priorizando plantas nativas e adequadas às características do espaço urbano, garantindo segurança, diversidade biológica e benefícios climáticos”, comenta.
Ela destaca ainda a parceria com o Viveiro Florestal da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), responsável pela produção de mudas destinadas a projetos ambientais no município.
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APOIO POLÍTICO
Responsável pela captação de recursos e articulação de verbas para projetos em Ponta Grossa, o deputado federal Aliel Machado (PV) destaca a importância dos investimentos em parques e áreas verdes para o desenvolvimento urbano e a qualidade de vida da população.
Segundo ele, a ampliação desses espaços representa um avanço importante na estrutura ambiental da cidade. “Investir na criação e ampliação de parques e áreas verdes é fundamental para garantir mais qualidade de vida para a população. Espaços como o Lago de Olarias, o Parque Ambiental e o futuro Jardim Botânico representam muito mais do que áreas de lazer: são locais que promovem saúde, convivência social, prática de atividades físicas e contato com a natureza”, reforça.
O deputado também ressalta que iniciativas desse tipo contribuem para fortalecer a relação da população com o espaço urbano e para valorizar a cidade. “Além disso, esses espaços ajudam a valorizar a cidade, contribuem para a preservação ambiental e fortalecem o sentimento de pertencimento da população com o lugar onde vive. Ponta Grossa tem avançado nesse sentido, e é importante que continuemos apoiando iniciativas que ampliem essas áreas e levem mais qualidade de vida para os bairros e para toda a comunidade”, analisa.
Aliel também destaca o papel da representação política na viabilização de investimentos voltados ao planejamento ambiental. “Como representante da nossa cidade em Brasília, tenho o compromisso de apoiar projetos e buscar recursos que contribuam para o desenvolvimento urbano sustentável e para a criação de ambientes cada vez mais saudáveis e acolhedores para a nossa gente”, afirma.
A prefeita Elizabeth Schmidt também reforça a importância dos investimentos em infraestrutura verde para o desenvolvimento da cidade. “É importante lembrar que o investimento em Olarias não se trata somente da criação de parques, mas de uma obra de saneamento e defesa ambiental. Mas o saldo é altamente positivo, porque vamos ter uma ampliação no nosso parque mais procurado e mais popular. Quando ampliamos áreas verdes e resgatamos nossos espaços coletivos, estamos investindo em saúde mental, qualidade de vida e oportunidade de convívio”.
Ela acrescenta ainda que está investindo na melhora da qualidade das águas que correm por nossos riachos e também no resgate de áreas degradadas. “Todos ganham com esses investimentos. E nós temos, sim, um ambicioso plano de desenvolvimento sustentável, que vai ser implantado paulatinamente por muito tempo.”
Por fim, o secretário de Infraestrutura e Planejamento, Luiz Henrique Honesko, destaca que o diagnóstico do município mostra a urgência de equilibrar a arborização urbana, substituindo espécies de risco e ampliando os plantios com árvores nativas como Jerivá, Sibipiruna, Ipê e Pitangueira. “Dessa forma, vamos tornar o ecossistema urbano mais resiliente, sustentável e benéfico para toda a população”, finaliza.