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Projetos com a Unilivre preveem parques com recursos de R$ 120 mi

Parceria entre a Universidade e a Prefeitura Municipal de Ponta Grossa visa a execução de um projeto de recuperação socioambiental e reurbanização de fundos de vales

Elizabeth Schmidt e Rafael Greca estiveram reunidos e debateram projetos de sustentabilidade
Elizabeth Schmidt e Rafael Greca estiveram reunidos e debateram projetos de sustentabilidade -

A Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre) e a Prefeitura Municipal de Ponta Grossa (PMPG) assinaram um contrato para a execução de um projeto de recuperação socioambiental e reurbanização de fundos de vale. A assinatura deste contrato marca o início de uma parceria importante entre a Unilivre e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Ponta Grossa (SMMA), visando à elaboração e execução de um conjunto de ações estratégicas de impacto ambiental e social positivo na cidade. O valor do contrato para viabilizar os projetos é de R$ 4,1 milhões, que, futuramente, devem somar em torno de R$ 120 milhões em obras.

O contrato firmado tem como propósito o desenvolvimento de estudos técnico-científicos e a realização de intervenções nas bacias hidrográficas dos arroios Olarias, Pilão de Pedra e Ronda, todas localizadas no perímetro urbano de Ponta Grossa. Este projeto visa implementar um Plano Estratégico de Recuperação Socioambiental e Reurbanização de Fundos de Vale, com foco em sustentabilidade e melhoria da qualidade de vida nas áreas afetadas.

Para a elaboração do projeto, foram georreferenciadas 152 nascentes e percorridos diversos rios e arroios, projetando soluções de engenharia, macrodrenagem, manutenção e limpeza dos cursos d’água, novos parques lineares e outras intervenções.

Dos parques lineares, na Bacia Hidrográfica do Arroio da Ronda, devem ser feitas obras em pelo menos dois parques considerados de grande porte e outras duas em parques de médio porte.

OBJETIVOS - As intervenções serão voltadas para a recuperação ambiental e a promoção de melhorias estruturais, urbanísticas e sociais. Além disso, o projeto pretende integrar políticas municipais de desenvolvimento urbano, promoção social, habitação e conservação ambiental, colaborando diretamente com o município de Ponta Grossa na execução dessas diretrizes.

PROJETO – A iniciativa envolve uma série de ações complexas e articuladas, abrangendo atividades de levantamento e análise técnica, desenvolvimento de infraestrutura, e mobilização social. Confira as principais etapas a serem executadas pela Unilivre:

1. Estudos Técnico-Científicos e Ambientais:

-     Realização de levantamentos de dados ambientais e urbanísticos, como estudos das condições atuais das bacias hidrográficas, da geomorfologia, geologia, pedologia e hidrografia;

-     Elaboração de um Sistema de Informação Geográfica (SIG) para subsidiar o planejamento e a execução das intervenções, incluindo renderizações em 3D e outras análises visuais para a organização do projeto;

2. Mobilização e Capacitação Social:

-    Ações de engajamento comunitário, mobilização e capacitação dos moradores das áreas de influência. O projeto promoverá oficinas, reuniões participativas e palestras educativas, criando oportunidades para a comunidade se envolver no processo e obter informações sobre a regularização fundiária e os benefícios do projeto;

-     Realização de cadastros socioambientais, identificando e caracterizando imóveis e famílias, com o intuito de viabilizar a regularização fundiária de modo inclusivo e sustentável.

3. Reurbanização e Infraestrutura Verde:

-     Elaboração de anteprojetos de engenharia, com foco na criação de parques lineares, caminhos verdes e praças, proporcionando áreas de lazer e conservação ambiental dentro do perímetro urbano;

-     Avaliação de alternativas para infraestruturas de saneamento, acessibilidade e controle de enchentes nas áreas de risco das bacias hidrográficas.

4. Regularização Fundiária:

-     Desenvolvimento de um estudo técnico urbanístico para a regularização fundiária das áreas de intervenção. Este trabalho contemplará a organização do sistema viário, regularização de lotes e logradouros, e adequação de infraestruturas essenciais para promover uma habitação digna e sustentável;

-     Capacitações profissionais focadas na inclusão produtiva dos moradores, especialmente de mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade social, com o objetivo de criar oportunidades de autonomia financeira e inclusão.

5. Capacitação para Sustentabilidade e Manutenção:

-     O projeto também inclui ações de capacitação em manutenção preventiva e conservação ambiental, com a realização de palestras e distribuição de materiais educativos para orientar os moradores sobre o uso adequado dos recursos, como água e saneamento, e sobre os cuidados com os novos equipamentos públicos instalados.

BACIAS - Confira abaixo a extensão e os arroios que compõem cada bacia hidrográfica estudada pelo projeto entre a Unilivre e a Prefeitura de Ponta Grossa:

BACIA HIDROGRÁFICA ARROIO OLARIAS:

-       EXTENSÃO: 19,43 km².

-       COMPOSIÇÃO:

    - Arroio Shell;

    - Arroio da Olaria;

    - Arroio Maier;

    - Arroio Oficinas;

    - Arroio Guaíra;

    - Arroio Barreto;

    - Arroio Rio Branco;

    - Arroio Capote;

    - Curso Olarias.

BACIA HIDROGRÁFICA ARROIO RONDA:

-       EXTENSÃO: 35,76 km².

-       COMPOSIÇÃO

    - Arroio Lina;

    - Arroio do Padre;

    - Arroio da Ronda;

    - Arroio Contin;

    - Arroio Capão do Cipó;

    - Arroio Burrinho.

BACIA HIDROGRÁFICA ARROIO PILÃO DE PEDRA:

      -  EXTENSÃO: 8,48 km².

-       COMPOSIÇÃO

    - Arroio Pilão de Pedra.

IMPACTOS - O objetivo central deste contrato é transformar as áreas de fundo de vale nas bacias hidrográficas dos arroios Olarias, Pilão de Pedra e Ronda, promovendo a recuperação ambiental das margens dos cursos d’água, o desassoreamento dos arroios e a proteção da mata ciliar. As intervenções também visam combater inundações, proteger a biodiversidade e incentivar o uso sustentável dos recursos naturais da região.

Segundo o diretor de Engenharia e Arquitetura da Unilivre e coordenador geral do projeto, Christyano Cavali da Luz, a ideia do projeto surgiu diante de necessidades que surgiram ao longo do tempo, devido a mudanças climáticas em todo o mundo. “Principalmente no que diz respeito a inúmeros alagamentos e inundações, como no Rio Ronda, que fazem com que famílias sejam atingidas”, comenta.

De acordo com informações da Unilivre, além dos impactos ambientais, espera-se que o projeto tenha um efeito positivo significativo no bem-estar e na qualidade de vida dos moradores das áreas de influência. A infraestrutura verde, os parques lineares e os espaços de convivência planejados não apenas contribuirão para a sustentabilidade ambiental, mas também oferecerão aos cidadãos locais novas oportunidades de lazer e integração comunitária.

Conforme ressalta Christyano, além do projeto, os estudos realizados podem auxiliar em intervenções futuras. “A Unilivre fez um levantamento dos arroios, mas também fez estudos em seus leitos, para compreender, em caso de problemas futuros, quais obras são necessárias para evitar mais problemas”, explica.

A iniciativa visa consolidar políticas públicas de desenvolvimento urbano, habitação e conservação ambiental, promovendo um impacto positivo nas áreas de influência dos três arroios. A conclusão dos serviços está prevista para 300 dias úteis, com monitoramento contínuo para assegurar a qualidade da execução.

Com esse contrato, a Unilivre busca oferecer suporte técnico e promover soluções que favoreçam a sustentabilidade urbana e o bem-estar das comunidades locais, contribuindo para o desenvolvimento urbano sustentável e ambientalmente responsável.

Diretor de Engenharia e Arquitetura da Unilivre e coordenador geral do projeto, Christyano Cavali da Luz
Diretor de Engenharia e Arquitetura da Unilivre e coordenador geral do projeto, Christyano Cavali da Luz |  Foto: Arquivo/aRede.
 

CIDADE DAS ÁGUAS - Em reunião com equipes da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, engenheiros e arquitetos da Unilivre apresentaram o primeiro estudo completo da solução de micro e macrodrenagem do Rio Ronda, com indicações de locais que podem receber novos parques e lagoas em Ponta Grossa.

Os arquitetos e urbanistas da Unilivre, Fernando Canalli e Geraldo Pougy de Rezende Martins, e o engenheiro civil, Cristhyano Cavali da Luz, mostraram os espaços onde o Governo Municipal poderá direcionar os investimentos para tornar a cidade de Ponta Grossa uma ‘Cidade das Águas’.

PRÓXIMOS PASSOS - Conforme conta o coordenador geral do projeto, no momento está sendo realizada a topobatimetria da Bacia Hidrográfica do Arroio de Olarias. O objetivo é  criar um modelo tridimensional contínuo que abrange tanto a superfície emersa quanto o fundo de corpos d'água.

“Isto será feito para que, primeiramente, possamos continuar fazendo intervenções para viabilizar o Lago de Olarias 2. Também já fizemos um projeto para o desassoreamento do Lago 1”, destaca Christyano.

Segundo o coordenador, estão sendo analisadas erosões que acontecem no Arroio de Olarias, para que a Prefeitura tenha um embasamento de engenharia para resolver estes problemas. Por fim, na terceira fase, serão feitos estudos e levantamento no Arroio Pilão de Pedra. Os estudos devem se estender até o final de 2025. “Eventualmente, pela complexidade, eles possam ser finalizados no início do próximo ano”, complementa.

Para Christyano, este é um grande projeto, que trabalha, além do meio ambiente e a resiliência às mudanças climáticas, a governança entre a Prefeitura, a Unilivre e a população. “É algo inédito, não existe no Paraná algo dessa envergadura. Para nós, como Unilivre, é uma felicidade muito grande, pois nossa missão é levar a ciência e a sustentabilidade para a população”, finaliza.

Os projetos, os quais devem somar R$ 120 milhões em obras, serão apresentados após a finalização dos estudos das três bacias hidrográficas da cidade.

Greca exalta plano e elogia articulação de Elizabeth

A prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Silveira Schmidt (União), esteve em Curitiba na última quarta-feira (27), quando se encontrou com o secretário de Estado de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca. Durante o encontro, foram apresentados alguns projetos da cidade ligados à questão ambiental. Entre eles, a proposta em parceria com a Unilivre.

Em conversa com o Portal aRede, Greca afirma que projetos como este são “sementes de futuro”. Segundo o secretário, quando “unimos a ciência e o planejamento urbano ao respeito pela natureza, transformamos fundos de vale em jardins de convivência, parques de esperança e espaços de dignidade. Assim, o desenvolvimento das cidades caminha de mãos dadas com a preservação ambiental, garantindo qualidade de vida para hoje e para as próximas gerações.”

Secretário de Estado de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca
Secretário de Estado de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca |  Foto: Arquivo/aRede.
 

De acordo com a prefeita, o projeto deve beneficiar Ponta Grossa pelos próximos 100 anos. Conforme a gestora municipal, por meio deste estudo, estão sendo mapeadas as áreas de interesse das três bacias. Esses espaços foram selecionados junto aos técnicos da Prefeitura, priorizando as ocupações em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e áreas sensíveis; infraestrutura urbana precária ou ausente; vulnerabilidade social e alta densidade populacional; e risco geotécnico/hidrológico, como declividade, impermeabilização e proximidade a cursos d’água.

"Nesse sentido, estamos elaborando um amplo plano de intervenções que solucionará os problemas de alagamentos pelos próximos 100 anos. São ações de gestão, planejamento e que envolvem medidas estruturais, como drenagem, contenções, desassoreamento de arroios, recomposição de mata ciliar, regularização de calhas, criação de bacias de retenção até o controle da ocupação irregular, colocando fim em casos crônicos como os alagamentos do Rio Ronda sob a BR-376. Com isso, nossa cidade ficará mais segura contra as chuvas torrenciais que têm ocorrido em todo o país, de maneira imprevisível, gerando transtornos para a nossa população", comenta a prefeita.

Prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt
Prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt |  Foto: Arquivo/aRede.
 

Para a secretária municipal de Meio Ambiente, Carla Martins Kritski, com os resultados do diagnóstico da situação ambiental dessas bacias e dos aspectos bióticos das áreas de interesse, será possível elaborar um plano abrangente de intervenções, visando a mitigação dos riscos geológicos e geotécnicos e a prevenção e controle de inundações, aumentando a resiliência do município frente aos eventos climáticos extremos.

“Essas ações têm como propósito restabelecer o equilíbrio dos ecossistemas urbanos, reduzir a pressão sobre os corpos hídricos e assegurar que a cidade esteja preparada para enfrentar, de forma sustentável, os efeitos das mudanças climáticas. Dessa forma, caminhamos para uma cidade mais segura, resiliente e ambientalmente equilibrada, garantindo qualidade de vida à população e preservação dos nossos recursos naturais”, pontua Kritski.

Secretária municipal de Meio Ambiente, Carla Martins Kritski
Secretária municipal de Meio Ambiente, Carla Martins Kritski |  Foto: Arquivo/aRede.
 

RECUPERAÇÃO AMBIENTAL - Para a advogada, gestora e consultora ambiental, Geliandra Lopes Alves, o projeto da Unilivre em parceria com a Prefeitura de Ponta Grossa vem de encontro com a Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) ratificada pelo Brasil em 28 de fevereiro de 1994, no qual ficou convencionado a recuperação de ecossistemas degradados, a proteção das espécies, dos ecossistemas e da diversidade genética. Isso inclui a criação de áreas protegidas e a implementação de projetos de restauração ecológica.

Dessa forma, o Projeto do Plano Estratégico de Recuperação Socioambiental e Reurbanização de Fundos de Vale é uma forma do poder público cumprir as metas da CDB. “É uma das ferramentas, extremamente eficaz, para o processo de recuperação de Áreas de Preservação Permanente nas áreas urbanas do município de Ponta Grossa. Sendo assim, o projeto segue os passos ambiciosos do acordo mundial para deter e reverter a perda de biodiversidade”, complementa Alves.

A consultora ambiental também ressalta que o Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal estabeleceu como objetivo principal alcançar um mundo que vive em harmonia com a natureza. “Isso significa que o Plano Estratégico de Recuperação Socioambiental e Reurbanização de Fundos de Vale vem cumprir exatamente a Meta 2 do Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal que estabelece a obrigação da recuperação de rios e APPs, ou seja, garantir que pelo menos 30% de áreas de ecossistemas terrestres, de águas interiores e marinhos e costeiros degradados sejam submetidos a restauração efetiva, de modo a reforçar a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos”, explica.

Advogada, gestora e consultora ambiental, Geliandra Lopes Alves
Advogada, gestora e consultora ambiental, Geliandra Lopes Alves |  Foto: Arquivo/aRede.
 
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