Ponta Grossa
Mobilização reúne população de Ponta Grossa e reforça defesa das escolas especializadas
Durante caminhada da APAE, Câmara Municipal marca posição contra ação que ameaça funcionamento das escolas
Iolanda Lima | 29 de agosto de 2025 - 03:10

A manhã desta quinta-feira (28) foi marcada pela mobilização em Ponta Grossa em defesa das escolas especializadas. Promovida pela APAE, a caminhada saiu da Praça dos Polacos às 8h30 e reuniu famílias, alunos, professores e autoridades em apoio às instituições que podem ser afetadas pela Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7796. A ação, proposta pela Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, pede a revogação das leis estaduais 17.656/2013 e 18.419/2015, que garantem o suporte do Estado à modalidade de educação especial oferecida por entidades filantrópicas como as APAEs.
O presidente da Câmara de Ponta Grossa, vereador Julio Küller (MDB), esteve à frente do ato e reforçou seu compromisso com as famílias atípicas, em especial as de crianças autistas. “Estamos juntos para mostrar que a educação especial é um direito que precisa ser protegido. Não podemos permitir que as APAEs sejam limitadas apenas a centros de atendimento, porque elas são escolas e oferecem formação completa”, afirmou Küller.
O vereador também lembrou da Moção de Apelo que protocolou recentemente no Legislativo municipal. O documento é dirigido “ao Egrégio Supremo Tribunal Federal, para que avalie de acordo com os princípios e garantias constitucionais a ADI 7796”. Segundo ele, trata-se de uma defesa legítima não apenas das APAEs, mas de todas as famílias que dependem da educação especializada no Paraná. “As leis estaduais em vigor são conquistas que não podem ser desconsideradas. Vamos continuar pressionando para que o STF reconheça a importância da inclusão efetiva e do respeito a essas famílias”, disse.
Além de Küller, a caminhada contou com a presença das vereadoras Teka dos Animais e Joce Canto, que se somaram às famílias e profissionais da área para fortalecer o coro contra a possível mudança legal. Ao longo do trajeto, cartazes, faixas e palavras de ordem lembraram que a defesa das APAEs é também a defesa da dignidade, da autonomia e da educação de qualidade para pessoas com deficiência.
A mobilização destaca o protagonismo das famílias atípicas e a relevância da causa. Para os organizadores, a caminhada foi um recado claro às autoridades de que Ponta Grossa e o Paraná não abrirão mão da manutenção das escolas especializadas.
DOSSIÊ - A mobilização ocorre após a produção do dossiê produzido pela equipe de jornalismo do Portal aRede e Jornal da Manhã, divulgado durante o último final de semana. O material destaca o trâmite envolvendo a Federação Brasileira de Associações de Síndrome de Down (FBASD) e a Federação Paranaense das Associações de Síndrome de Down (FEPASD), que questionam como o Estado do Paraná utiliza o dinheiro público para financiar instituições privadas que oferecem ensino segregado ao invés utilizar estes recursos no ensino regular. A chamada Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 7796) afeta diretamente o funcionamento das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs). Confira as produções clicando aqui.
Com informações: Assessoria de Imprensa e do repórter Lucas Ribeiro.