Vereador de Curitiba, suspeito de rachadinha, é filmado recebendo dinheiro
Lórens Nogueira (PP) foi alvo de operação do Gaeco nesta terça-feira (26), em Curitiba

O vídeo que mostra uma servidora comissionada entregando dinheiro ao vereador de Curitiba Lórens Nogueira é uma das principais provas reunidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) durante a investigação sobre um suposto esquema de “rachadinha”. O caso motivou a deflagração da Operação Dejà-Vu, realizada nesta terça-feira (26) pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR).
De acordo com os promotores responsáveis pelo caso, o esquema investigado poderia arrecadar cerca de R$ 118 mil por mês por meio de repasses feitos por assessores do gabinete.
Conforme a Banda B, parceira do Portal aRede, durante a operação, equipes do Gaeco cumpriram 14 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar, incluindo o gabinete dele na Câmara Municipal de Curitiba. Ao todo, mais de R$ 118 mil em dinheiro vivo foram apreendidos.
Na residência do vereador, os agentes localizaram R$ 70.502 guardados em uma mala dentro do quarto, além de R$ 13.526 em um envelope armazenado em uma mochila. Outros R$ 15 mil foram encontrados com os sogros do parlamentar. Também houve apreensão de R$ 2,5 mil em um veículo e de R$ 8 mil no endereço de uma assessora.
Segundo o Ministério Público, a data da operação foi estrategicamente escolhida. Isso porque os salários dos servidores da Câmara teriam sido pagos na última sexta-feira (22), e os investigadores suspeitavam que os repasses da suposta “rachadinha” ocorreriam na segunda-feira (25). A intenção era localizar os valores antes que fossem redistribuídos.
Atualmente, o gabinete de Lórens Nogueira possui sete assessores nomeados, com salários que variam entre R$ 3.099 e R$ 18.599 mensais.
As investigações tiveram início após uma denúncia anônima recebida pelo MP-PR em março de 2026. Conforme os documentos apurados, além dos repasses financeiros, assessores também seriam obrigados a prestar serviços ao Instituto Grupo Solidário, entidade ligada ao vereador e localizada no bairro Xaxim. O Ministério Público investiga se o instituto teria sido utilizado como fachada para lavagem do dinheiro arrecadado no esquema.
Durante as apurações, uma servidora comissionada procurou o Gaeco e confirmou a existência da suposta “rachadinha”. Segundo ela, os envolvidos utilizavam termos codificados e evitavam conversas por mensagens para manter o esquema em sigilo. O dinheiro repassado ao vereador era tratado internamente como “documento”.
No fim de abril, a servidora colaborou com a investigação utilizando uma câmera escondida. Na ocasião, ela foi até o Instituto Grupo Solidário e entregou R$ 5,6 mil a Lórens Nogueira — valor que corresponderia a R$ 1,2 mil referentes ao mês de março e R$ 4,4 mil do mês atual. As imagens mostram o vereador conferindo o dinheiro nota por nota diante da funcionária.
Por meio de nota, o vereador afirmou ter sido surpreendido com o cumprimento dos mandados de busca e apreensão e disse que ainda não teve acesso ao conteúdo integral da investigação. Segundo a defesa, ele se manifestará oficialmente após tomar conhecimento dos autos do processo.





















