Tio doa parte do fígado e salva vida de sobrinho de seis meses

“Agora, vocês irão se emocionar”, anunciava a funcionária do Hospital da Criança Santo Antônio, em Porto Alegre, enquanto encaminhava a equipe de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas pelos corredores que levavam à UTI. Ao entrar na sala, a constatação de que ela estava certa: o bebê Raizo Weber Stach, 6 meses, descansava tranquilo no colo no mãe, ainda com alguns aparelhos presos ao corpo, consequência de um transplante de fígado realizado há cinco dias. Ao lado deles, um dos protagonistas desta história: o pedreiro Jonas da Cunha Weber, 23 anos, tio de Raizo e doador do órgão que salvou a vida do sobrinho.
Raizo nasceu saudável. Era o segundo filho da frentista Andrea da Cunha Stach, 31 anos, e do eletrotécnico Gilmar Stach, 37 anos, moradores de Estrela. Com 15 dias de vida, Andrea percebeu que seu filho estava com a pele muito amarelada e as fezes, brancas. Procurou um pediatra na cidade, que indicou um banho de luzes. Não resolveu. Andrea buscou outro profissional, que suspeitou de hepatite, também sem sucesso.
Quando Raizo já estava com mais de dois meses de vida, foi encaminhado para a equipe da Santa Casa de Porto Alegre. Foram pelo menos 20 dias de exames e acompanhamento até o diagnóstico: atresia biliar, uma doença que provoca a perda da função hepática e pode evoluir para cirrose. Somente o transplante de fígado poderia salvar a vida da criança.
Mas Raizo não tinha tempo. Encontrar um doador com o tamanho certo do fígado e compatibilidade sanguínea seria muito difícil. Era necessário realizar um transplante de intravivos, com o doador ainda em vida. A cesária feita pela mãe e a presença de anticorpos de hepatite no organismo do pai impediram que eles fossem os doadores. Diante desta situação, Jonas não hesitou.
“Eu me ofereci na hora para ser o doador. Estava pronto para ajudar. Algo me dizia que iria dar certo, não tive medo”, conta.
O transplante aconteceu na sexta-feira, dia 13, no Hospital Dom Vicente Scherer. O procedimento durou 10 horas e envolveu mais de 40 profissionais. Nesta quarta-feira (18), apenas cinco dias após a cirurgia, Jonas já recebeu alta. Raizo foi encaminhado para o quarto e deve sair do hospital em duas semanas.
O transplante de Raizo significa um marco para a equipe da Santa Casa de Porto Alegre. O procedimento consolida o complexo como o segundo maior centro de transplantes intravivos pediátricos no país, atrás somente do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo, parceiro da Santa Casa. A partir do caso de Raizo, a equipe se torna apta a inserir este procedimento em sua rotina. A meta é realizar um por mês em 2014, todos exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde.
Informações do Zero Hora





















