Relato de assédio no campus da UEL expõe realidade de estudantes

O campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL) não é um local seguro para as estudantes da instituição. Diversas delas se utilizaram de uma publicação do perfil "Calourada Feminista UEL", no Facebook, para expor as suas experiências terríveis com molestadores. As informações são do portal Bonde.
A discussão teve início após o perfil divulgar, na quinta-feira (24), que uma caloura da universidade teria sido perseguida por um homem no campus durante a tarde de quarta (23). Flagrado pelos guardas da universidade, o suspeito foi detido e levado pela Polícia Militar (PM) para a 10ª Subdivisão Policial (SDP). Na delegacia, o acusado, que negou o assédio, assinou um termo circunstanciado e foi liberado. As informações foram confirmadas ao Bonde nesta sexta-feira (25) pela Polícia Civil.
De acordo com o relato publicado no Facebook, a estudante perseguida na quarta já havia sido assediada pelo mesmo homem há duas semanas. O suspeito teria mostrado as partes íntimas para a jovem dentro de um ônibus lotado. Pelo menos outras duas estudantes confirmaram, durante a discussão na rede social, que também foram assediadas por esse homem no campus da UEL.
Ele também foi apontado como molestador por jovens que estudaram na universidade há alguns anos. "Esse cara ronda a UEL há anos, desde que eu era caloura, há uns 6 anos. Ele pegava o ônibus na Higienópolis e esses tempos o vi no ponto do Quebec. Os guardinhas da UEL já foram atrás dele, que eu presenciei, três vezes", escreveu uma delas.
A mãe de uma jovem que teria sido assediada pelo homem também participou da discussão, e relatou que ele teria se esfregado contra a sua filha, também dentro de um ônibus, em fevereiro do ano passado. Na época, conforme a mulher, um boletim de ocorrência foi registrado contra o molestador na 10ª SDP.
Algumas estudantes relataram outro tipo de assédio, executado, conforme elas, por um homem em um Fusca de cor azul. Segundo os relatos, o indivíduo usa o veículo para perseguir as alunas. Pelado, o homem encurrala as jovens em pontos pouco movimentados do campus e se masturba olhando para elas. As alunas contaram que os assédios aconteceram, em diversas oportunidades, durante as últimas três semanas.
Procurada pelo Bonde para comentar os relatos das estudantes, a Prefeitura do campus da UEL comunicou que deve se posicionar sobre o assunto no início da tarde desta sexta-feira. A reportagem também tentou contato com a Delegacia da Mulher, para saber se o órgão recebe denúncias de estudantes da universidade, mas não obteve retorno até as 11h.





















