Costa recebeu diretoria de Lula após pressão, diz doleiro
Em depoimento prestado nesta quarta-feira (8) à Justiça Federal, o doleiro Alberto Youssef garante que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva cedeu a pressão de aliados ao entregar a diretoria de Abastecimento da Petrobras a Paulo Roberto Costa, em 2004. A pressão foi feita por “agentes políticos” ligados ao esquema de corrupção dentro da estatal, segundo o doleiro.
Segundo informações da Folha de S. Paulo, Youssef foi questionado pelo advogado de defesa sobre o motivo da saída do antecessor de Costa do cargo. "Para que Paulo Roberto Costa assumisse a cadeira de diretor da Diretoria de Abastecimento esses agentes políticos trancaram a pauta no Congresso durante 90 dias", destacou, acrescentando que "na época o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou louco, teve que ceder e realmente empossar o Paulo Roberto Costa"
Sem citar nomes, o doleiro e operador do esquema disse que participou de várias reuniões envolvendo Paulo Roberto Costa, “agentes políticos” e representantes de empreiteiras. "Nós participávamos de reuniões, no caso ou em hotéis no Rio ou em hotéis em São Paulo, ou na própria casa —vamos falar— do agente político, que primeiramente comandava esse assunto através da área de Abastecimento", disse. "Nessas reuniões eram feitas atas de discussão de cada ponto que estava sendo discutido ali naquele dia”, acrescenta.
Entre os assuntos discutidos nesses encontros estavam valores de contratos e acertos para resultados de licitações, segundo o doleiro. "[As reuniões aconteciam] para se discutir exatamente questão de valores, questão de quem ia participar do certame, esse tipo de situação. E outros problemas que também se encontravam nas obras que pediam para ser solucionados, esse tipo de assunto. Isso era feito uma ata."
Tanto Youssef quanto Costa fizeram acordo de delação premiada e prestam depoimento à Justiça Federal. Eles foram presos durante a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que desmantelou um esquema que teria desviado aproximadamente R$ 10 bilhões por meio de uma “organização criminosa” que atuava dentro da empresa. Os dois declararam que o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, desviava recursos de obras da estatal para o PT. A participação de outros partidos no esquema, como PP e PMDB, também é investigada.





















