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Pelé e outros milhares parados no trânsito perdem início de jogo

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O trânsito travou em São Paulo no meio da tarde de terça-feira (17) e deixou milhares de torcedores presos sem poder assistir ao início do jogo entre Brasil e México. A lentidão, a terceira maior já registrada na cidade, frustrou torcedores que saíram do trabalho mais cedo e queriam acompanhar o jogo com a família ou amigos. Sem ter o que fazer mesmo após o início da partida, a saída foi acompanhar pelo rádio.

Segundo a medição da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a extensão dos congestionamentos teve um aumento de 586% em apenas duas horas. O pico do trânsito foi às 15h, faltando uma hora para o início do jogo, quando a lentidão chegou a 302 km. O recorde histórico é de 344 km, atingido às 19h de 23 de maio, quando a cidade enfrentou dia chuvoso. Nos últimos cinco anos, a média de lentidão na faixa das 15h variou de 22 a 44 km.

QUEDA

Em um cálculo conservador, considerando a dimensão e a ocupação médias dos veículos, pelo menos 170 mil pessoas estavam presas no trânsito no pico de lentidão. Quando a bola começou a rolar em Fortaleza, às 16h, ainda havia 168 km de filas na cidade - e ao menos 94 mil pessoas dentro dos carros.

Um destes cidadãos presos era um ilustre conhecido no hall da fama da Copa do Mundo. Ninguém menos do que Edison Arantes do Nascimento, o rei Pelé. O maior jogador da história do futebol perdeu o primeiro tempo do jogo do Brasil na Copa. Pelé vinha de Santos para assistir à partida no estádio do Morumbi, zona oeste de São Paulo, onde participaria de um evento. Preso na fila de veículos, teve que ouvir o jogo pelo rádio, no carro.

"Foi a primeira vez na história da minha vida que eu assisti ao primeiro tempo no carro. Foi um sofrimento. Pegamos um trânsito e ficamos parados", afirmou ele, em entrevista à TV Globo. Ele tentava chegar ao Campo Belo, na zona sul da cidade, quando soube pelo rádio que o jogo contra o México começaria em instantes.

Desistiu de voltar para casa e parou o carro em uma vaga numa loja fechada, aumentou o som e ouviu a partida ali mesmo. "Parei para prestar atenção no jogo. Está todo mundo louco hoje." Parada no trânsito da avenida Rebouças, na zona oeste, a estagiária Fabiana Correia, 25, desistiu de voltar para casa, na zona sul. "Vou procurar um bar por aqui mesmo e ver o jogo, senão vou ficar no trânsito até o segundo tempo", afirmou. Carolina Mendes, 28, que mora em Sorocaba (SP), ficou desesperada por não conseguir chegar até a casa do irmão, em Pinheiros, onde veria o jogo. "Fui ao mercado comprar petiscos e encontrei a cidade parada na volta."

Informações Folha Press

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