Operação investiga corrupção envolvendo empresários e policiais penais de Londrina
Ação investiga suspeitas de propina e fraudes em contratos do Conselho da Comunidade

O Ministério Público do Paraná, por meio do núcleo de Londrina Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria), e a Polícia Civil do Paraná, por meio da Divisão Estadual de Combate à Corrupção (Deccor), deflagraram nesta quinta-feira, 3 de setembro, a Operação Profundidade. A ação investiga a existência de um esquema criminoso envolvendo servidores públicos e empresários, com atuação no Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon), no Departamento de Polícia Penal do Estado do Paraná (Deppen) e no Conselho da Comunidade de Londrina.
Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão contra oito policiais penais que ocupam posições de destaque na estrutura do sistema prisional, incluindo um ex-diretor-geral do Deppen e presidente do Conselho da Comunidade de Londrina, o atual chefe de Inteligência do Deppen e a atual presidente do Conselho da Comunidade. Também são alvos das ordens judiciais seis empresários. A esposa de um dos agentes públicos, apontado como principal beneficiário do esquema, também é investigada.
As diligências realizadas nesta quinta-feira buscaram reunir novos elementos de prova sobre a atuação dos investigados, identificar a extensão do esquema e esclarecer a origem e a destinação dos recursos movimentados. As medidas judiciais foram autorizadas pela 2ª Vara Criminal de Londrina. Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos equipamentos eletrônicos, documentos e R$ 87,5 mil em espécie. Desse total, R$ 45 mil foram encontrados na residência de um dos alvos, R$ 24,5 mil na casa de outro e R$ 18 mil na residência de um terceiro. Também houve uma prisão em flagrante por porte de arma de fogo.
Investigações – Os investigados estariam envolvidos em duas principais frentes de atuação ilícita: o recebimento de propinas de pessoas privadas de liberdade em troca da concessão indevida de benefícios na execução penal e o direcionamento fraudulento de contratações realizadas pelo Conselho da Comunidade de Londrina.
As investigações tiveram início a partir de denúncias anônimas e avançaram com a análise de dados obtidos por meio de quebras de sigilo bancário e fiscal. Os elementos reunidos apontaram que policiais penais teriam movimentado valores milionários incompatíveis com seus rendimentos lícitos, além de terem recebido repasses injustificados de outros investigados e de empresas fornecedoras.
Fraudes em contratações – Uma das frentes investigadas envolve supostas fraudes em contratações realizadas pelo Conselho da Comunidade de Londrina. Conforme as investigações, empresas pertencentes a três núcleos empresariais teriam sido utilizadas para simular concorrência e viabilizar o direcionamento dos contratos.
Como contrapartida pelos contratos supostamente direcionados, as empresas teriam realizado pagamentos aos investigados. Segundo as apurações, parte dos valores teria sido depositada de forma fracionada, em diferentes operações, estratégia conhecida como smurfing, com o objetivo de dificultar a identificação da origem dos recursos e burlar mecanismos de controle.





















