Falso médico acusado de nove mortes é filmado aplicando injeções no meio da rua
Marcos Phelipe de Barros e outro falso médico são suspeitos de terem ligação com nove mortes registradas em plantões deles

Um vídeo mostra o momento em que um homem investigado por fingir ser médico aplica uma injeção em uma paciente no meio da rua, em São Paulo. O suspeito foi preso nesta terça-feira (26) durante uma operação da Polícia Civil paulista que também apura a morte de pacientes atendidos pela dupla investigada.
Nas imagens, o homem identificado como Marcos Phelipe de Barros aparece mostrando o medicamento para a mulher antes de fazer a aplicação na calçada. Segundo as investigações, ele não tem formação em medicina. O vídeo foi divulgado pela CNN Brasil.
A prisão do falso médico aconteceu durante a Operação Hipócrates II, deflagrada pela Polícia Civil na capital paulista e nos municípios de São Bernardo do Campo, Guarulhos, Poá e Mogi das Cruzes. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, dois de prisão temporária e outras medidas cautelares.
De acordo com as investigações, Marcos e outro suspeito, identificado como Mayke César Silva, teriam atuado por cerca de dois anos como médicos plantonistas em um hospital da zona leste de São Paulo. A dupla teria feito aproximadamente 2 mil atendimentos no período.
De acordo com o jornal Estadão, a polícia investiga ao menos nove mortes de pacientes que passaram pelos atendimentos dos falsos médicos. Um dos laudos do Instituto Médico Legal (IML) já apontou que um erro de procedimento contribuiu diretamente para a morte de uma paciente.
Ao Estadão, o delegado Mariano de Araújo, titular do 22º Distrito Policial de São Miguel Paulista, afirmou que Marcos também fazia aplicações de medicamentos estéticos fora do ambiente hospitalar. “Ele estava aplicando Mounjaro. Ele fazia esses bicos com pessoas dessa questão estética. Um cara totalmente sem noção. Para chegar na porta da casa dele, fazer a aplicação da medicação na rua, você imagina. Sem responsabilidade é pouco”, afirmou o delegado.
Ainda segundo o delegado, um dos casos investigados envolve uma paciente cardíaca que ficou cerca de oito horas sem realizar um exame considerado essencial para diagnosticar um aneurisma de aorta. “Desses nove, já temos um laudo do IML atestando que o erro de procedimento deu causa mortis”, disse Mariano de Araújo.
USO INDEVIDOS DE DADOS MÉDICOS
As investigações apontam ainda que os suspeitos usavam dados e registros profissionais de médicos verdadeiros para atuar ilegalmente. Conforme a polícia, eles tinham cópias de diplomas e registros do CRM de profissionais do interior paulista.
Mayke César Silva, apontado como comparsa de Marcos, está foragido desde a primeira fase da operação, realizada em dezembro do ano passado. Segundo a Polícia Civil, ele teria fugido para o Chile.
Funcionários do hospital ouvidos pela investigação relataram que os suspeitos demonstravam comportamento irresponsável e inexperiência durante os plantões. Em um dos casos citados pela polícia, uma paciente diagnosticada com dengue sofreu uma parada cardíaca, e os investigados não teriam conseguido realizar corretamente os procedimentos de ressuscitação.
Com informações da Banda B, parceira do Portal aRede.
RESUMO
Prisão e Atuação Criminosa: O falso médico Marcos Phelipe de Barros foi preso nesta terça-feira (26) durante a Operação Hipócrates II da Polícia Civil de São Paulo, após ser flagrado em vídeo aplicando uma injeção (do medicamento Mounjaro) em uma paciente no meio da rua. Ele e seu comparsa, Mayke César Silva (atualmente foragido no Chile), atuaram ilegalmente por cerca de dois anos como plantonistas em um hospital na Zona Leste de São Paulo, realizando cerca de 2 mil atendimentos utilizando diplomas e registros de CRM falsificados de médicos verdadeiros.
Investigação de Mortes e Erros Médicos: A polícia investiga a relação dos suspeitos com pelo menos nove mortes de pacientes. Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) já confirmou que um erro de procedimento cometido por eles foi a causa direta do óbito de uma paciente. Entre os casos de negligência relatados, estão o de uma paciente cardíaca que ficou oito horas sem um exame essencial para diagnosticar um aneurisma e o de uma paciente com dengue que sofreu uma parada cardíaca, na qual os investigados não souberam realizar os procedimentos de ressuscitação.
Operação Policial e Relatos de Irresponsabilidade: A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária em várias cidades paulistas. Funcionários do hospital relataram em depoimento que a dupla demonstrava extrema inexperiência e comportamento irresponsável durante os plantões, o que foi endossado pelo delegado do caso, que classificou a conduta de realizar aplicações estéticas na calçada como "totalmente sem noção" e sem responsabilidade.





















