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Toffoli pauta recursos das big techs sobre regulação das redes

Google e Facebook pedem ao STF ajustes em decisão que ampliou responsabilidade de plataformas por conteúdos ilícitos

Ministro Dias Toffoli na sessão plenária do STF
Ministro Dias Toffoli na sessão plenária do STF -

Publicado por Iolanda Lima

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O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), pautou para julgamento no plenário virtual recursos de empresas de tecnologia contra a decisão da Corte que ampliou a responsabilização de big techs por conteúdos ilícitos publicados por usuários.

A análise dos embargos de declaração ocorrerá entre os dias 29 de maio e 9 de junho.

Entre as empresas que recorreram estão Meta e Google, que pedem ao Supremo esclarecimentos e ajustes em pontos da tese fixada no julgamento do Marco Civil da Internet.

Em junho do ano passado, o STF decidiu, por 8 votos a 3, que o artigo 19 do Marco Civil da Internet é parcialmente inconstitucional. A Corte entendeu que a regra que condicionava a responsabilização das plataformas ao descumprimento de ordem judicial não oferece proteção suficiente contra conteúdos ilícitos. As informações são da CNN Brasil. 

Na prática, a decisão ampliou as hipóteses em que redes sociais podem ser responsabilizadas por publicações de terceiros.

Nos recursos, as empresas alegam haver omissões, obscuridades e riscos de insegurança jurídica na tese aprovada pelo Supremo.

O Facebook afirma que a decisão criou um “novo regime de responsabilidade civil” para plataformas digitais e pede esclarecimentos sobre a aplicação temporal das novas regras. A empresa solicita que os efeitos da decisão sejam aplicados apenas após o trânsito em julgado do processo.

A plataforma também pede que o STF estabeleça um prazo para adaptação às novas obrigações de moderação e transparência impostas pela decisão.

Outro ponto levantado pela empresa é a necessidade de que a tese faça referência apenas a conteúdos “manifestamente” ilícitos ou criminosos, para evitar risco de censura e remoções indevidas.

Já o Google afirma que a redação da tese pode gerar interpretações divergentes nos tribunais inferiores e pede esclarecimentos sobre os requisitos mínimos das notificações extrajudiciais enviadas por usuários às plataformas.

Lula e as big techs

Mais cedo, também nesta quarta-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou dois decretos que criam novas regras para a atuação das big techs no Brasil. As medidas devem ser publicadas no DOU (Diário Oficial da União) de quinta-feira (21).

Um dos decretos atualiza a regulamentação do Marco Civil da Internet para fortalecer a prevenção e o enfrentamento de fraudes, golpes e atos criminosos nas plataformas digitais. O decreto possibilita a responsabilização das plataformas digitais e atribui competência à ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) para regular, fiscalizar e apurar infrações.

Uma das mudanças é a obrigação de empresas que comercializam anúncios guardarem dados que permitam eventual responsabilização dos autores e reparação de danos às vítimas.

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