China restringe fertilizantes e agrava crise global de preços em meio à guerra
Medida de Pequim para proteger mercado interno reduz oferta mundial e pressiona países dependentes, como o Brasil

A China passou a restringir a exportação de fertilizantes com o objetivo de proteger seu mercado interno, decisão que amplia a pressão sobre o abastecimento global e contribui para a alta dos preços. O cenário ocorre em meio à instabilidade internacional provocada pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e o Irã, conforme informações da CNN Brasil.
Considerada uma das maiores exportadoras do insumo, a China movimentou mais de US$ 13 bilhões em fertilizantes no último ano. Historicamente, o país já adota controles de exportação para manter preços internos mais baixos, priorizando o abastecimento doméstico.
Restrições ampliam escassez
De acordo com fontes do setor, Pequim proibiu, em meados de março, a exportação de misturas de nitrogênio e potássio, além de determinados tipos de fosfato. A medida, ainda não formalizada publicamente, foi inicialmente divulgada pela imprensa internacional.
Atualmente, apenas alguns produtos — como o sulfato de amônio — seguem com exportação liberada. Estimativas indicam que entre metade e até três quartos das exportações chinesas podem estar restritas, o que representa até 40 milhões de toneladas.
A situação é agravada pela limitação no transporte via Estreito de Ormuz, rota responsável por cerca de um terço do comércio marítimo do insumo e impactada pelo conflito.
Preços em alta
Com a redução da oferta, os preços internacionais da ureia já subiram cerca de 40% em relação ao período anterior à guerra. Na própria China, os contratos futuros do produto atingem níveis próximos ao maior patamar em dez meses.
Especialistas apontam que a estratégia chinesa segue um padrão: priorizar a segurança alimentar interna diante de cenários de escassez global.
Impacto global e dependência
Os fertilizantes são essenciais para a produtividade agrícola, e o aumento de preços pode levar produtores a reduzir o uso ou migrar para culturas menos dependentes desses insumos.
Países como Brasil, Indonésia e Tailândia dependem significativamente das exportações chinesas — cerca de um quinto das importações no caso brasileiro. Já na Malásia e na Nova Zelândia, essa fatia chega a um terço.
Incerteza sobre retomada
Apesar de declarações recentes indicando possível normalização, não há confirmação oficial sobre a retomada plena das exportações. No mercado, a expectativa é de que as restrições permaneçam ao menos até agosto, após o período de maior demanda interna na China.
RESUMO:
- China restringe exportação de fertilizantes para proteger mercado interno.
- Medida agrava escassez global e eleva preços, com alta de 40% na ureia.
- Países como o Brasil são impactados pela dependência do insumo chinês.




















