PF abre investigação sobre vazamento do Master e parlamentares podem estar na mira
Apuração de vazamento de dados do dono do Banco Master pode alcançar, além de parlamentares, também servidores, após divulgação de mensagens privadas de Daniel Vorcaro

A Polícia Federal iniciou uma investigação para apurar o vazamento de informações sigilosas envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A apuração foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a divulgação de mensagens privadas do empresário que viralizaram nas redes sociais. As informações são da CNN Brasil.
Segundo a reportagem, o inquérito busca identificar como conteúdos sigilosos chegaram ao público após terem sido enviados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A investigação pode avançar sobre parlamentares e servidores do Legislativo que tiveram acesso ao material compartilhado com o colegiado. Ainda não há prazo definido para a conclusão dos trabalhos.
Comissão nega responsabilidade
A cúpula da CPMI do INSS afirma não ter relação com o vazamento. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que não é possível atribuir a divulgação ao colegiado.
“Não há menor condição de se dizer que os vazamentos aconteceram pela CPMI”, declarou.
“Temos dezenas de pessoas que podem ter tido acesso e que podem ter feito o vazamento, e que fizeram um bem para o país, porque esses vazamentos interessam a toda a população.”
Viana acrescentou que o material foi manipulado por diferentes órgãos antes de chegar à comissão, incluindo a mesa do Congresso Nacional e a própria Polícia Federal.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), também negou qualquer participação e disse ter orientado sua equipe a evitar divulgação de informações durante os trabalhos.
“Eu disse aos meus assessores: ‘Nós vamos ser alvo, vazamento zero’”, afirmou o parlamentar.
Críticas no STF
A divulgação das conversas privadas gerou críticas dentro do próprio Supremo Tribunal Federal. O ministro Gilmar Mendes classificou a exposição de mensagens íntimas sem relação direta com crimes investigados como uma grave violação de direitos.
“É uma gravíssima violação ao direito à intimidade” e uma “barbárie institucional”, afirmou o magistrado.
As mensagens foram tornadas públicas depois que materiais obtidos a partir de quebra de sigilo bancário foram enviados pela Polícia Federal à CPMI do INSS, por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master no STF.
Polícia Federal se manifesta
Em nota, a Polícia Federal afirmou que os relatórios produzidos durante a investigação sobre possíveis fraudes financeiras envolvendo o Banco Master incluíram apenas dados considerados relevantes para o esclarecimento dos fatos.
A corporação também destacou que não realiza edição ou seleção de trechos de conversas obtidas em equipamentos apreendidos.
Segundo a PF, esse tipo de procedimento poderia comprometer o direito ao contraditório e à ampla defesa previstos na Constituição.
RESUMO DA MATÉRIA
- Polícia Federal abriu inquérito para investigar o vazamento de dados sigilosos do empresário Daniel Vorcaro.
- Apuração pode alcançar parlamentares e servidores que tiveram acesso ao material enviado à CPMI do INSS.
- Ministros do STF criticaram a divulgação de mensagens privadas, classificando o episódio como violação à intimidade.





















