Irã ameaça reagir a eventual intervenção dos Estados Unidos em meio a protestos
Declaração ocorre enquanto repressão a manifestações já deixou ao menos 192 mortos, segundo organização de direitos humanos
Publicado: 11/01/2026, 16:54

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país irá responder de forma contundente caso os Estados Unidos intervenham no atual cenário de instabilidade interna. Segundo ele, bases militares e portuárias norte-americanas, além de territórios ocupados, seriam considerados alvos legítimos em uma eventual reação. As informações são do Portal Metrópoles.
A declaração foi feita durante uma sessão parlamentar e divulgada por veículos locais. Em vídeo, Ghalibaf também mencionou possíveis retaliações contra Israel e instalações militares dos Estados Unidos, reforçando o posicionamento do governo iraniano.
Iranian Parliament Speaker Mohammad Bagher Qalibaf:
— Clash Report (@clashreport) January 11, 2026
If the United States launches a military attack, both the occupied territories and U.S. military and shipping centers will be legitimate targets for us. pic.twitter.com/3H5mfnfu2q
A manifestação ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar no sábado (10) que o país estaria “pronto para ajudar”, em meio ao aumento da repressão contra manifestantes no Irã. A declaração foi publicada por Trump na rede social Truth Social, sem detalhar quais medidas poderiam ser adotadas.
Apesar do cerco imposto pelas autoridades, protestos continuaram a ser registrados em diversas regiões do país até este sábado. Um novo balanço divulgado neste domingo (11) pela ONG Iran Human Rights aponta que, até o momento, ao menos 192 manifestantes morreram desde o início da maior onda de protestos no Irã em quase uma década.
De acordo com a organização, sediada em Oslo, as mortes foram confirmadas por fontes diretas no país e por meio da checagem com veículos independentes. A entidade afirma que a repressão das forças de segurança se intensificou nos últimos dias, à medida que as manifestações ganharam força e se espalharam pelo território iraniano.
O cenário é agravado por um bloqueio quase total da internet, imposto pelo regime teocrático há cerca de 48 horas, conforme a ONG de cibersegurança Netblocks. A restrição dificulta a verificação independente das informações e pode indicar que o número real de vítimas seja superior ao divulgado oficialmente.
Autoridades iranianas sinalizam que a repressão pode se intensificar. A Guarda Revolucionária, tropa de elite do país, classifica os protestos como ações de “terroristas” e afirma que a proteção de prédios públicos é considerada uma “linha vermelha”. A mídia estatal informou que um prédio municipal foi incendiado em Karaj, a oeste de Teerã, atribuindo o ato aos manifestantes.
As manifestações começaram em 28 de dezembro, inicialmente motivadas pela alta da inflação, e rapidamente assumiram caráter político, com pedidos pelo fim do regime clerical. O governo iraniano acusa os Estados Unidos e Israel de estimularem os protestos.
ABAIXO O RESUMO DA MATÉRIA EM 3 TÓPICOS:
- Parlamento iraniano ameaça retaliação caso os EUA intervenham no país.
- Protestos já resultaram em ao menos 192 mortes, segundo ONG internacional.
- Governo iraniano intensifica repressão e acusa EUA e Israel de fomentar os atos.




















