PG está no centro da nova concessão ferroviária com demandas a apresentar
A conselheira Giorgia Bin Bochenek defende o repasse de áreas ferroviárias subutilizadas ao município para a criação de parques urbanos, a segurança da transposição de cruzamentos ferroviários e a oportunidade de Ponta Grossa como centro logístico nacional

A conselheira da área Empresarial do Grupo aRede, Giorgia Bin Bochenek, destaca que a nova concessão da Malha Sul representa uma oportunidade estratégica para fortalecer o papel de Ponta Grossa como um dos principais centros logísticos do país. Para ela, a possível integração da cidade ao Corredor Mercosul amplia ainda mais a relevância regional e exige participação ativa da sociedade nas discussões sobre o futuro da ferrovia.
Giorgia avalia que a transposição dos cruzamentos ferroviários mais críticos deve ser tratada como prioridade no novo contrato. Segundo ela, a medida contribuiria para aumentar a segurança da população, reduzir conflitos entre o tráfego urbano e ferroviário e melhorar a eficiência operacional de um dos trechos mais movimentados do Brasil.
A empresária também defende o repasse de áreas ferroviárias subutilizadas ao município para a criação de parques urbanos e reforça a necessidade da implantação do contorno ferroviário de Ponta Grossa. Na avaliação dela, essas iniciativas podem impulsionar o desenvolvimento urbano, reduzir acidentes e tornar a cidade ainda mais competitiva dentro da nova configuração logística do Sul do Brasil.
Confira abaixo a opinião na íntegra da Giorgia, advogada, empresária e ex-presidente da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg):
A concessão da Malha Sul ferroviária está chegando ao fim. O contrato atual, operado pela Rumo, se encerra em fevereiro de 2027, e o leilão para a nova concessão deve ocorrer ainda em 2026, com a malha dividida em três lotes: o Corredor Paraná-Santa Catarina, o Corredor Rio Grande e o Corredor Mercosul. Ponta Grossa integra este último — e isso não é um detalhe menor.
O portal A Rede noticiou a abertura do processo da nova concessão das linhas férreas do Sul do Brasil, e um dado chama especial atenção: o trecho de Ponta Grossa concentra o maior fluxo ferroviário do Brasil. Além disso, a nova concessão abre a possibilidade concreta de integrar a cidade ao corredor ferroviário do Mercosul, ampliando sua posição estratégica como nó logístico regional.
As audiências públicas que vão balizar o novo contrato serão realizadas em breve. Este é o momento em que a sociedade, o setor produtivo e o poder público podem — e devem — apresentar demandas concretas. Para Ponta Grossa, há três pontos que precisam estar na mesa.
A transposição da linha férrea nos cruzamentos mais críticos da cidade é uma demanda que combina dois objetivos igualmente importantes: aumentar a segurança da população e reduzir as interrupções no fluxo ferroviário. Hoje, os pontos de conflito entre trilhos e vias urbanas geram riscos cotidianos e comprometem a eficiência operacional. O novo contrato precisa endereçar isso com prazos e metas claras.
As antigas oficinas ferroviárias e as localidades próximas representam um patrimônio territorial que pertence à história da cidade — e que pode pertencer ao seu futuro. O repasse dessas áreas ao município para a criação de parques urbanos é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada. Já debatemos neste espaço o potencial da Vila Oficinas como ativo urbano. A nova concessão é o momento de formalizar essa transferência e transformar o espaço subutilizado em equipamento público de qualidade.
Este é talvez o ponto mais urgente. A criação do contorno ferroviário de Ponta Grossa — retirando os trilhos da região urbana — não é apenas uma questão de logística. É uma questão de vidas. Reduzir o número de acidentes, melhorar o trânsito e devolver às comunidades que vivem às margens dos trilhos uma relação mais segura com o espaço urbano são objetivos que justificam o investimento por si mesmos.
Essas três medidas são fundamentais tanto para o desenvolvimento da cidade quanto para a eficiência do fluxo ferroviário na região. Elas não são excludentes — ao contrário, se reforçam mutuamente. Uma ferrovia mais segura, integrada ao tecido urbano de forma planejada e conectada ao Corredor Mercosul é uma ferrovia mais competitiva, mais sustentável e mais benéfica para todos.
As audiências públicas são o canal formal para que essas demandas sejam registradas. É essencial que Ponta Grossa compareça com clareza, com dados e com organização. A cidade tem muito a ganhar nesse processo — mas só ganha quem participa".
Conselho da Comunidade
Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.
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