Lideranças exigem duplicação da BR-373 e regionalização da saúde
A tragédia que vitimou 23 pessoas na BR-373, em Ipiranga, colocou novamente em evidência duas demandas importantes dos Campos Gerais: a ampliação da estrutura de saúde nos municípios e a duplicação da rodovia

A tragédia que deixou 23 mortos na BR-373, em Ipiranga, na madrugada de quarta-feira (19) voltou a colocar em discussão duas demandas importantes dos Campos Gerais: a ampliação dos serviços de saúde nos municípios e a duplicação da rodovia entre Ponta Grossa e Prudentópolis.
Dentre os mortos, 22 vítimas fatais estavam em um micro-ônibus da Secretaria Municipal de Saúde de Imbituva, que seguia para hospitais da Grande Curitiba com pacientes e acompanhantes. O veículo colidiu frontalmente com um caminhão no km 209 da rodovia, onde o motorista também faleceu.
O acidente expôs uma realidade enfrentada por municípios do interior: a necessidade de deslocar pacientes para outras cidades em busca de consultas, exames, cirurgias e atendimento especializado da saúde.
Para a prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt, usuários da rodovia, municípios e especialmente o governo do Estado, podem e devem acionar o governo federal, através da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para sensibilizar as equipes técnicas e acelerar o processo de duplicação, buscando deixar o trajeto mais seguro. “Para todos os municípios desta região, a duplicação é essencial. Poupa vidas. Agiliza negócios. Facilita o trânsito. Melhora para todos”, destaca.
Em relação à regionalização da saúde, a prefeita reforça a importância da articulação dos prefeitos, entre si e com as regionais de Saúde, para ampliar o atendimento especializado para os municípios, e ao mesmo tempo reforçar a oferta desses atendimentos nas cidades-polo. “Estrutura em saúde básica é essencial, e é de responsabilidade dos municípios. Atendimentos de média e alta complexidade são de competência do Estado”, completa.
Segundo o vereador de Ponta Grossa Julio Küller (PL), a tragédia reforça a necessidade de descentralizar os serviços de saúde no Paraná. Durante sessão da Câmara Municipal na quarta-feira (19), ele voltou a defender a regionalização da saúde e criticou o deslocamento de pacientes para hospitais de outras regiões. “Hoje, Ponta Grossa leva seus pacientes para serem internados no [Hospital do] Rocio [em Campo Largo], em Castro, em Guarapuava, e isso está errado. A Central de Regulação não poderia fazer isso conosco, mas faz”, afirmou.
Küller também relacionou os deslocamentos à situação das rodovias utilizadas pelos pacientes. “As nossas estradas do Paraná são péssimas. Algumas sem acostamento, outras todas esburacadas, e nós pagamos um pedágio caríssimo. Foi uma grande tragédia, de pessoas que estavam buscando a melhoria da saúde e que hoje estão as famílias enlutadas”, declarou.
BR-373 tem duplicação prevista
A duplicação da BR-373 entre Ponta Grossa e Prudentópolis é uma reivindicação antiga dos municípios da região e está prevista no contrato de concessão da Via Araucária. Segundo informações repassadas pela concessionária, 99,3 quilômetros da rodovia serão duplicados, com obras previstas para serem entregues entre 2029 e 2031.
No trecho onde ocorreu o acidente, entre os quilômetros 199,3 e 228,4, estão previstos 29,1 quilômetros de duplicação, com entrega contratual prevista para fevereiro de 2030. O projeto também inclui outras intervenções, como novos acessos e viadutos.
De acordo com o governador do Paraná, Ratinho Junior, o cronograma prevê o início da obra da BR-373 em 2027.
Dados fornecidos pela Via Araucária ainda apontam que, desde o início da concessão até a data do acidente, foram registrados 54 sinistros com colisão frontal na BR-373. Desses, 11 não tiveram vítimas, 23 tiveram vítimas e 20 tiveram vítimas fatais.
Deputada Rosangela Moro cobra fiscalização
Após os acidentes registrados nas BR-373 e BR-277 em menos de 24 horas, a deputada federal Rosangela Moro (PL) apresentou requerimento ao Ministério da Justiça e Segurança Pública solicitando informações sobre a fiscalização e a segurança das duas rodovias.
O documento questiona o efetivo da Polícia Rodoviária Federal, a fiscalização de freios, pneus e sobrepeso de veículos de carga, além do número de acidentes e mortes registrados nos últimos três anos.
A urgência de curar a “ambulancioterapia”
O Conselheiro de Saúde do Grupo aRede, diretor de Saúde da Acipg e presidente da Associação Médica de Ponta Grossa (AMPG), Mário Rodrigues Montemór Netto, destaca que a causa imediata desta tragédia aponta para uma fatalidade viária com um caminhão, mas a causa raiz que colocou 26 pacientes em uma rodovia às 3h30 da manhã atende por um nome cruel: "ambulancioterapia", termo que descreve o deslocamento constante de pacientes de municípios pequenos para cidades maiores em busca de atendimento médico especializado.
Para ele, a extrema centralização da alta e média complexidade médica é o principal motivo que obriga pessoas doentes a percorrerem centenas de quilômetros durante a noite em busca de atendimento. “Nossas rodovias, que deveriam ser apenas eixos de desenvolvimento e conexão, transformaram-se na grande sala de espera da saúde — uma sala exaustiva e, por vezes, letal.”
“Diante do luto, o poder público e o Governo do Estado precisam construir respostas estruturais. O objetivo não deve ser apenas garantir um transporte mais seguro, mas garantir que ele seja, na imensa maioria das vezes, desnecessário”, reflete o médico. Segundo ele, a segurança e o futuro da saúde pública nos Campos Gerais passam por dois pilares inegociáveis: a verdadeira incorporação da telemedicina e o fortalecimento físico dos polos regionais.
Leia o resumo da notícia
Tragédia expõe desafios: O acidente que matou 23 pessoas na BR-373, em Ipiranga, reacendeu o debate sobre a necessidade de ampliar os serviços de saúde nos municípios, reduzindo o deslocamento de pacientes para outras cidades em busca de atendimento especializado.
Duplicação da BR-373: A duplicação entre Ponta Grossa e Prudentópolis está prevista no contrato de concessão da Via Araucária, com 99,3 km programados e obras no trecho do acidente previstas para entrega até fevereiro de 2030. O governador Ratinho Junior afirmou que o início está previsto para 2027.
Regionalização da saúde: Autoridades e profissionais defendem o fortalecimento dos polos regionais, a descentralização da média e alta complexidade e o uso da telemedicina, buscando diminuir a chamada “ambulancioterapia” e evitar deslocamentos longos de pacientes.





















