Paraná chega a 14 tornados registrados em 2026, aponta pesquisadora
Fenômeno que atingiu Piraí do Sul no fim de semana está entre os casos identificados pelo Observatório da UEPG

O tornado que atingiu Piraí do Sul, nos Campos Gerais do Paraná, no último fim de semana, é o 14.º tornado registrado no Estado em 2026, segundo a professora e pesquisadora do Observatório de Tornados da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Karin Linete Hornes.
Conforme a pesquisadora, o número reforça que a ocorrência de tempestades severas e tornados não é algo incomum no Paraná. Ela também destaca que Ponta Grossa já possui registros históricos do fenômeno.
"Nós já tivemos tornados em Ponta Grossa. Tem o trabalho do Rodrigo Gabri, de 1927, que retrata o tornado do São João Maria. Nós tivemos um tornado em 2016. Nós também tivemos um tornado em 2015; existem trabalhos que mostraram a atuação de tornados aqui em Ponta Grossa", explicou.

Segundo Karin, novos registros ainda podem ser identificados a partir de pesquisas sobre episódios antigos de ventos intensos registrados no município.
"Quando a gente olha na história de Ponta Grossa, nós nos deparamos com situações de ventos violentos que não são características de vendaval, são características de tornado", afirmou.
A pesquisadora ressalta que as tempestades severas fazem parte da realidade do Paraná.
"A realidade é que tempestade severa no Paraná é algo comum, é rotineiro, mas nós não estamos pensando sobre essas tempestades", destacou.
Caminho da destruição
Karin explica que os tornados percorrem uma área específica, conhecida entre os pesquisadores como "caminho da lágrima" ou "caminho da destruição".
"Um tornado tem um caminho específico que a gente chama de caminho da lágrima ou caminho da destruição. Geralmente, a média de tamanho desse vórtice é de 500 metros até 1 quilômetro. Então ele sempre vai atingir essa faixa específica de destruição", explicou.
Segundo a professora, moradores precisam estar atentos às condições meteorológicas e às imagens de radar e satélite para acompanhar o deslocamento das tempestades.
"Nesses locais, a gente precisa sempre orientar a população a procurar um lugar seguro. Mas é importante estar atento às previsões do tempo, é importante estar observando as imagens de satélite, radar", afirmou.
Ela também defende que as famílias tenham um planejamento para situações de emergência, principalmente porque eventos extremos podem provocar quedas de energia e interromper a comunicação.
"Quando a gente tem vendaval ou tornado, colapsa a parte da energia elétrica e, por consequência, a comunicação. Então, a gente tem que ter um plano de comunicação familiar e estarmos atentos, informados sobre a situação", explicou.
Para Karin, a preparação é fundamental para reduzir o medo durante eventos extremos.
"Eu acho que a melhor forma de combater o pânico é pensar numa estrutura resistente e segura. Essa é a melhor forma de combater o pânico: pensar e nos organizarmos para enfrentamento desses fenômenos que não são raros no Paraná", destacou.
Observatório acompanha ocorrências
A pesquisadora afirma que o Observatório de Tornados da UEPG tem encontrado diversos registros de fenômenos severos no Paraná e defende que a população conheça melhor os sinais e os riscos associados aos tornados.
"O nosso grupo se depara todo dia com notícias extremamente tristes, de pessoas que voaram, de trens que foram tombados, de tratores levantados. Isso, pessoal, não é vendaval, isso é tornado", afirmou.
Segundo Karin, o trabalho de pesquisa também busca contribuir para a melhoria das normas de construção e para a identificação de áreas mais vulneráveis.
"Nós precisamos estar falando sobre isso para melhorar as normas, para melhorarmos as estruturas e para que todo mundo fique bem. É isso que o Observatório de Tornados aqui da UEPG deseja", disse.
Ela reforçou ainda o papel da universidade na orientação da população.
"Nós estamos aqui para auxiliar a sociedade e, no que depender da gente, nós vamos mostrar quais são as áreas mais vulneráveis a tornados e nós estamos informando, fazendo a parte que a universidade deve fazer: auxiliar a sociedade", concluiu.
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