Tornado atinge Piraí do Sul e deixa rastro de destruição em comunidades rurais
O tornado provocou danos em diferentes localidades, especialmente nas regiões da Jararaca, Fundão, Capinzal, Vassoura, Boa Vista e áreas próximas

Um tornado atingiu Piraí do Sul, nos Campos Gerais do Paraná, no final da tarde desse sábado (08). A ocorrência foi confirmada pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).
De acordo com o órgão, vídeos registrados durante o evento apresentam características visuais compatíveis com um tornado. A confirmação técnica considera diferentes evidências, como imagens, relatos de moradores e os danos provocados pelo fenômeno.
O Simepar informou que vai trabalhar em conjunto com a Defesa Civil para realizar o levantamento das informações e avaliar as características do tornado em Piraí do Sul, incluindo a intensidade.
O tornado provocou danos em diferentes localidades, especialmente nas regiões da Jararaca, Fundão, Capinzal, Vassoura, Boa Vista e áreas próximas.
Conforme o levantamento inicial realizado pelas equipes municipais, foram registrados danos em residências, barracões, estruturas e áreas de criação de animais, entre outros pontos atingidos pelo fenômeno.
Equipes da Defesa Civil e das secretarias municipais estão mobilizadas no atendimento às famílias afetadas e na avaliação dos danos registrados.
Até o momento, felizmente, não há registro de vítimas em decorrência do evento.
DOAÇÕES
A Prefeitura de Piraí do Sul está recolhendo doações para as famílias atingidas. Estão sendo recolhidos alimentos não perecíveis, água, roupas, sapatos, itens de higiene, entre outros.
As doações podem ser entregues no Ginásio de Esportes Samuel Milleo, localizado na avenida Manoel Ribas.
EVENTO CLIMÁTICO
A professora Karin Linete Hornes, do Observatório de Tornados da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), explicou em vídeo como se formam os tornados que tem atingido a região dos Campos Gerais e o Sul do Brasil nos últimos meses.
Em vídeo encaminhado para a equipe de Jornalismo do Portal aRede, Karin explica que o tornado se forma a partir de uma supercélula. "O tornado se forma a partir de uma supercélula, que é uma nuvem cumulonimbus gigantesca que tem um topo muito frio, por conta da sua altura, pode chegar até menos 118 graus Celsius."
Segundo a professora, essa nuvem acaba tendo uma energia muito grande, porque na sua base ela é constituída de ar em condensação líquida e o seu topo apresenta a solidificação, ou seja, cristais de gelo e granizo. "Então, dentro da própria nuvem, nós vamos ter cargas diferentes de energia e também movimentos de convecção por conta dessas temperaturas diferenciais."
Atrelado a isso, quando há ventos em diferentes direções, essa cumulonimbus passa a rotacionar, ou seja, girar. "Essa rotação acaba produzindo um ambiente de gradação de pressão diferenciado. E isso pode proporcionar formação de colunas de ar descendentes, frias, e colunas de ar ascendentes, que vão surgir para tentar equilibrar o sistema. E quando isso acontece nós temos então a formação dessa coluna giratória que vai se configurar em um tornado", explica Karin.
Segundo ela, os tornados que vêm dessas supercélulas são os mais violentos. "O horário de ocorrência preferencial desse tipo de fenômeno aqui no estado do Paraná é à tarde e à noite, como reportado pelos trabalhos da Loriane Gomes de Almeida e também da Maria Piotrowski. Além disso, destacamos que a força destrutiva desses tornados aqui no Paraná já atingiram a categoria EF4, com velocidades acima de 300 km/h. Inclusive, no Brasil, nós já temos reportados tornados que chegaram a tombar vagões de trens."
RESUMO
Confirmação do fenômeno e estragos: O Simepar confirmou a passagem de um tornado em Piraí do Sul no sábado (08), que causou estragos em casas, barracões e áreas rurais (como Jararaca e Capinzal), sem registrar vítimas.
Mobilização e doações: A Defesa Civil atua no levantamento de danos, enquanto a Prefeitura arrecada alimentos, água, roupas e itens de higiene no Ginásio Samuel Milleo para ajudar os atingidos.
Explicação científica: A professora Karin Hornes (UEPG) explicou que o fenômeno se origina em supercélulas (cumulonimbus) com topo congelado a até -118 °C, onde ventos cruzados geram a coluna de ar giratória.





















