Homem vende espaços publicitários no próprio corpo

Para andar pelas ruas sem ser notado, Edson Aparecido Borin Alves, de 34 anos, precisa usar camisa de mangas longas e gola alta. Quando está sem camisa, ele é constantemente parado por curiosos que querem conhecê-lo e tirar fotos com ele.
Apesar de não ser um publicitário, a fama de Edson está diretamente ligada à divulgação de marcas. Nascido em Tanabi, ele transformou o próprio corpo em um outdoor ambulante e acaba de se mudar para Araçatuba.
São 48 tatuagens, espalhadas pelo peito, barriga, costas e braços, que fazem propaganda de empresas de Tanabi, Rio Preto, Monte Aprazível e até Birigui.
Os patrocinadores vão desde uma rede de óticas com filiais em diversos municípios até um pequeno trailer de lanches, que pertence a um amigo.
Pela divulgação na própria pele, Edson recebe valores variados, que vão de R$ 200 a R$ 600. Como alguns contratos já acabaram (a mensalidade foi estipulada por certo período, já concluído), ele recebe aproximadamente R$ 1 mil por mês.
"Nem todo mundo paga em dinheiro. Tem empresa que assumiu minha conta no bar e outra que paga minhas viagens pela região."
Edson chegou a Araçatuba há aproximadamente um mês e está hospedado na casa de um amigo que possui uma empresa que aluga brinquedos para festas. "Vou trabalhar com ele por uns tempos, pois lá em Tanabi está muito difícil conseguir emprego."
Começo
A ideia de tatuar o corpo com temas pouco convencionais surgiu de uma brincadeira em um bar, há cerca de quatro anos. "Como eu gosto muito de conhaque, um amigo se ofereceu para pagar a tatuagem de um litro de conhaque nas minhas costas e eu aceitei. Depois de alguns dias, um outro amigo, que é dono de uma rede de óticas, viu e ofereceu dinheiro para eu tatuar a marca dele. Mais tarde, outros empresários também gostaram da ideia", conta.
Quando uma empresa deixa de pagar o valor combinado, Edson não pensa duas vezes: faz um “X” sobre o desenho na pele. No corpo de Edson há espaço até para prestação de serviços. Do lado direito, uma gota vermelha é acompanhada da inscrição "Doe sangue, doe vida". "Essa eu fiz porque gosto mesmo. Sou doador e acho muito importante doar sangue. Não recebo nada por ela."
Ofertas
No momento, ele não pretende fazer novas tatuagens, a não ser que receba boas ofertas. "Vou esperar um pouco, mas ainda tem muito espaço", brinca. Edson não exclui a hipótese de, um dia, tatuar também o rosto. Mas, para isso, exigiria uma quantia bem maior em dinheiro. “Teria de ser, pelo menos, R$ 10 mil, mais uma mensalidade de R$ 1 mil por alguns anos, pois ficaria bem mais difícil conseguir emprego". A namorada dele, Michele Cristiane Leocadio, de 24 anos, não tem nenhum desenho na pele. Para Edson, tatuar nomes de namoradas não é bom negócio.
"É melhor tatuar sempre nome do pai, da mãe ou dos filhos, que são relacionamentos que nunca acabam", comenta.





















