Faep diz que agronegócio registra prejuízo astronômico
Somente na suinocultura e na avicultura estima-se que mais de R$ 100 milhões deixaram de circular nestes últimos dias

Ao completar nove dias de duração, a greve dos caminhoneiros gera perdas significativas em todas as cadeias produtivas do agronegócio paranaense, trazendo consequências para o campo e para a cidade, e causando sequelas econômicas que ainda vão demorar muito tempo para serem sanadas. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) já estima prejuízos superiores a R$ 170 milhões.
A Faep e diversos sindicatos rurais do Paraná inicialmente apoiaram o movimento dos caminhoneiros, por entender que as reivindicações eram justas. A Federação encaminhou ofício para diversas autoridades federais e estaduais, inclusive para o presidente da república e para a governadora do Paraná, solicitando soluções urgentes para reduzir a carga tributária incidente sobre o diesel, que pode chegar a 45% do preço na bomba.
Porém, após o governo atender as demandas dos caminhoneiros, os protestos não fazem mais sentido. “Restabelecer o abastecimento tanto de combustível como dos produtos de alimentação da população se faz urgente”, afirmou o presidente da Faep, Ágide Meneguette.
A avicultura e a suinocultura são as atividades mais atingidas pela paralisação. De acordo com o levantamento da Faep, 245 mil suínos deixaram de ser abatidos no Estado, impedido com que R$ 107 milhões circulassem na economia paranaense. Ainda, o documento aponta que 59 milhões de frangos não foram abatidos, enquanto quase 70 milhões acabaram morrendo no Brasil, entre frangos e pintainhos.
“Há uma semana, não se entrega nenhum litro de leite, nenhum pacote de trigo, nenhuma carne, nem óleo, nem verduras, nem industrializados. Há uma semana não se entrega mais nada e há uma semana os animais estão sem comida. Só de pintinhos, tivemos que sacrificar 6,9 milhões de aves. Isso faz com que tenhamos mais uma semana de desabastecimento porque não haverá produção. A situação é gravíssima”, destacou o presidente da Fecoopar, José Roberto Ricken.
Mais de 1,5 milhão de litros perdidos
Na pecuária de leite, os produtores rurais também registram prejuízo. Com a coleta suspensa por conta da greve dos caminhoneiros, muitos estão sendo obrigados a jogar leite fora. O Pool Leite, associação de 800 produtores que congrega sete cooperativas (Frísia, Castrolanda, Capal, Bom Jesus, Coamig, Witmarsum e Agrária), está sendo obrigada a jogar fora 1,5 milhão de litro por dia. Já nos hortifruti, estima-se que os prejuízos já chegaram a cifra de R$ 8,8 milhões.





















