Avanço do El Niño acende alerta para lavouras de trigo no Sul do país
Fenômeno climático altera o regime de chuvas entre agosto e outubro e traz cenários distintos para o cultivo de trigo, soja, milho, cevada e canola nas principais potências agrícolas

O fenômeno climático El Niño segue ganhando força e já começa a afetar as condições das lavouras globais de maneira desigual entre os principais países produtores. Conforme dados divulgados pela Organização Meteorológica Mundial (WMO), o fenômeno pode influenciar o clima entre agosto e outubro, promovendo alterações nos padrões de precipitação. As análises do cenário foram apresentadas pelo analista de safra da EarthDaily, Felippe Reis, em relatório divulgado na sexta-feira (28).
No Brasil, o ponto de atenção está no trigo da região Sul, responsável por mais de 80% da produção nacional. Reis afirmou que o aumento das precipitações eleva o risco de umidade prolongada, o que pode dificultar o manejo, ampliar a incidência de doenças fúngicas e reduzir a disponibilidade de radiação solar para o enchimento dos grãos.
Segundo o analista, a partir de setembro a cultura entra em um período crítico de desenvolvimento. Ele citou as safras de 2015 e 2023, quando o excesso de chuva sob influência do El Niño resultou em perdas de produção. As informações são do Estadão Conteúdo e divulgadas no Canal Rural.
Na Argentina, as chuvas registradas desde meados de julho elevaram a umidade do solo nas regiões produtoras. De acordo com Reis, o volume acumulado supera os níveis de 2023 e configura um cenário de melhora para o desenvolvimento do trigo.
No Canadá, as chuvas intensas de maio e junho garantiram a melhor condição de meio de temporada em cerca de uma década para as lavouras das Pradarias. Julho foi mais seco, mas o potencial produtivo do trigo canadense segue acima do observado em 2023.
A Austrália concentra a piora mais relevante desde a avaliação de junho. Embora trigo, cevada e canola ainda apresentem boas condições gerais, as chuvas diminuíram na Austrália Ocidental, em padrão semelhante ao de 2023. A previsão para agosto a outubro indica precipitações abaixo da média na maior parte dos estados do leste e na região oeste.
Na Índia, as chuvas de monção estavam 11% abaixo da média de longo prazo em 5 de agosto. O déficit chegou a 27% no leste e nordeste e a 18% na península sul, atingindo áreas de milho e soja.
Nos Estados Unidos, Reis avaliou que ainda não há consistência para medir os efeitos do El Niño sobre milho e soja no Meio-Oeste. Para o trigo de inverno, o resultado dependerá do volume e do momento das chuvas nas áreas de cultivo.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Alerta no Sul do Brasil: O aumento das chuvas provocado pelo El Niño ameaça a produção de trigo no Sul do país, elevando o risco de doenças fúngicas, dificultando o manejo e reduzindo a radiação solar na fase crítica de enchimento dos grãos.
- Recuperação na Argentina e no Canadá: Em contrapartida, as precipitações mais volumosas trouxeram melhora substancial na umidade do solo argentina e mantêm o potencial produtivo do trigo canadense acima dos patamares de 2023.
- Déficit Hídrico na Austrália e Índia: A diminuição das chuvas preocupa produtores na Austrália Ocidental e na Índia, onde a monção abaixo da média histórica já impacta áreas estratégicas de milho e soja.





















