Safra de feijão perde espaço e tabaco bate recorde no Paraná
Primeira estimativa da safra de verão 2026/27 mostra mudança na ocupação das áreas agrícolas do estado

A primeira estimativa da safra de verão 2026/27 indica uma mudança importante na ocupação das áreas agrícolas do Paraná. Enquanto a soja mantém sua expansão e o tabaco caminha para o terceiro recorde consecutivo de área cultivada, o feijão de primeira safra deve atingir seu menor espaço histórico no ciclo de verão. Os dados são do Boletim Conjuntural, divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) nesta quinta-feira (27).
No caso do tabaco, a área cultivada deve passar de 87 mil para 91 mil hectares, crescimento de aproximadamente 4%. Com isso, a cultura deve registrar seu terceiro recorde consecutivo de área no Paraná.
O aumento da área traz a expectativa de crescimento proporcional da produção total, desde que as condições meteorológicas favoreçam o desenvolvimento das lavouras.
Já o feijão de primeira safra segue em direção oposta. A estimativa aponta retração de 12% na área, que deve ficar em apenas 90,3 mil hectares. Se confirmada, será a menor área registrada na história para o cultivo de feijão na safra de verão paranaense.
Segundo o Deral, a redução da área de feijão na primeira safra faz parte de uma reorganização que já vinha sendo observada no campo. Enquanto o feijão perde espaço no verão, pressionado pela expansão da soja, a cultura vem se consolidando como uma alternativa importante na segunda safra.
O feijão também pode ser cultivado em sucessão ao tabaco, ampliando sua presença em outro momento do calendário agrícola. A mudança mostra uma reorganização do uso das áreas durante o ano agrícola, com a soja ocupando espaço na primeira safra e o feijão se deslocando cada vez mais para a segunda safra.
O tabaco aparece no levantamento como uma alternativa de alta rentabilidade por hectare para a pequena propriedade. Segundo o Deral, a cultura tem papel importante na permanência dos fumicultores no campo. O avanço para o terceiro recorde consecutivo de área reforça a relevância da atividade dentro desse perfil de propriedade.
A presença do fenômeno El Niño é um dos pontos de atenção para a safra 2026/27. No Paraná, o fenômeno tende a proporcionar maior disponibilidade de chuvas e, consequentemente, mais umidade no solo. Ao mesmo tempo, o aumento de dias nublados pode limitar a luminosidade disponível para as plantas.
Essa redução da luminosidade pode prejudicar a fotossíntese, afetar o desenvolvimento vegetativo e reduzir a produtividade final das culturas. O excesso de chuva também pode dificultar os trabalhos de colheita.
O Deral ressalta que, para o Paraná, o El Niño tende a apresentar um cenário comparativamente menos severo do que a La Niña, fenômeno que costuma estar associado a períodos de estiagem. Ainda assim, a restrição de luminosidade provocada pelo aumento da nebulosidade representa um risco real para o potencial produtivo das lavouras.
Com supervisão: Mário Martins.





















