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BNDES reforça interesse em parceria com setor do cooperativismo

Em encontro na Ocepar, Aloizio Mercadante confirma disposição para reestruturar modelos de financiamento e destaca R$ 84,9 bilhões aprovados para o Paraná desde 2023

Reunião com lideranças cooperativistas ocorreu na sede do Sistema Ocepar
Reunião com lideranças cooperativistas ocorreu na sede do Sistema Ocepar -

Publicado por Eduarda Gomes

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou, desde 2023, cerca de R$ 84,9 bilhões em investimentos para o Estado do Paraná. Os números foram apresentados nessa terça-feira (25/08) pelo presidente da instituição, Aloizio Mercadante, a representantes do setor produtivo paranaense durante evento realizado na sede do Sistema Ocepar.

Na ocasião, Mercadante acentuou o interesse do banco em fortalecer os laços com o segmento cooperativo. "Recebemos algumas boas sugestões para reflexão, para continuar trabalhando fortemente com o cooperativismo, que é a forma de chegarmos na ponta. Somos simpáticos à proposta de sentar e reestudar a configuração dos modelos de financiamento", declarou.

Para o presidente-executivo do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, a abertura concedida pela liderança do banco é fundamental para o aprimoramento do crédito. "O BNDES é fundamental, é o principal agente financeiro especialmente para a agroindustrialização", ressaltou.

Uma das principais propostas levadas pela entidade ao banco é a destinação de R$ 10 bilhões por ano, em condições favoráveis, para atender frentes como armazenagem, tecnologia e energia, além de pleitos para agregação de valor em cooperativas de saúde, infraestrutura e transportes. As informações são do Sistema Ocepar.

PLEITOS DO SETOR, PLANO SAFRA E SEGURO RURAL

Durante a reunião, o sistema cooperativista entregou um documento formal sugerindo ajustes operacionais no Plano Safra. Entre os pontos solicitados estão a redução de 75% para 60% no percentual mínimo de associados portadores de CAF para o acesso de cooperativas aos programas do Pronaf voltados à agroindústria e cotas-partes, além da adequação da disponibilidade de crédito à escala dos investimentos pretendidos.

No tocante ao seguro rural, a Ocepar propôs uma subvenção de R$ 4 bilhões por ano, com cronograma de liberação alinhado ao calendário agrícola e diferenciação de valores para culturas expostas a maior risco climático. "É um momento delicado e a questão do clima nos preocupa, por isso queremos apoio do governo para modernizar o processo de seguro", reforçou Ricken.

PROGRAMA BRASIL SOBERANO, INOVAÇÃO E FERTILIZANTES

Mercadante reiterou que a questão climática é prioridade no BNDES, destacando o protagonismo do país no cenário internacional. "O BNDES está pronto para responder com brevidade e eficiência como fizemos em passado recente no Rio Grande do Sul. Espero que não tenha a mesma intensidade, mas temos de estar muito atentos e muito presentes", salientou, lembrando que a expectativa é de que o Brasil lidere as exportações globais de alimentos este ano.

O presidente da instituição também tratou da inovação como pilar de competitividade. "Há total prioridade, porque não tem como ser competitivo sem inovar. A inovação é o carro-chefe da nova economia, principalmente porque vamos ser muito impactados pela inteligência artificial", afirmou.

Em relação aos desafios globais, citou os impactos dos conflitos na Ucrânia, Rússia e Irã no abastecimento e no custo de fertilizantes. Mercadante informou que a terceira etapa do programa Brasil Soberano deve disponibilizar mais de R$ 20 bilhões, somando-se aos R$ 40 bilhões já liberados para socorrer empresas atingidas pelo tarifaço norte-americano, com foco em companhias afetadas por guerras, tarifas e pela crise de insumos. "Outra preocupação é com armazenagem, queremos acompanhar para não perder safra e poder gerar mais valor agregado para a indústria", complementou.

INVESTIMENTOS E PROJETOS NO PARANÁ

No primeiro semestre de 2026, o BNDES aprovou R$ 13,28 bilhões em investimentos para o Paraná, com desembolso efetivo de R$ 7,62 bilhões. Por setores, os volumes aprovados no semestre foram distribuídos em:

- Infraestrutura: R$ 4,98 bilhões

- Agropecuária: R$ 4,05 bilhões

- Indústria: R$ 2,52 bilhões

- Comércio e Serviços: R$ 1,73 bilhão

Do montante liberado nos primeiros seis meses do ano, R$ 4,93 bilhões foram direcionados a micro, pequenas e médias empresas (MPMEs).

No acumulado entre janeiro de 2023 e junho de 2026, as aprovações para o Paraná somaram R$ 84,9 bilhões, divididos entre Infraestrutura (R$ 31,94 bilhões), Agropecuária (R$ 27,76 bilhões), Indústria (R$ 14,2 bilhões) e Comércio e Serviços (R$ 10,88 bilhões), sendo R$ 40,62 bilhões contratados por MPMEs. Os desembolsos totais no período atingiram R$ 49,9 bilhões, com 58% (R$ 28,91 bilhões) direcionados às MPMEs.

Em relação ao cooperativismo nacional, o BNDES aprovou R$ 18,6 bilhões nos últimos três anos e meio, sendo R$ 7,04 bilhões (38%) destinados ao Paraná, dos quais R$ 1,3 bilhão apenas no primeiro semestre de 2026. Em operações indiretas, o banco movimentou R$ 13,5 bilhões no país (2.098 operações), lideradas pelo Paraná com R$ 3,96 bilhões em 556 operações.

Entre os projetos financiados destacam-se:

- Coamo (Campo Mourão): R$ 500 milhões (de R$ 1,667 bilhão total) na planta de etanol.

- Copacol (Assis Chateaubriand): R$ 37 milhões (de R$ 38,9 milhões total) para armazenagem e secagem de grãos.

- Aurora (Castro): R$ 50 milhões (de R$ 74,5 milhões total) em modernização do sistema de frios.

- Cocamar (Maringá): R$ 25 milhões (de R$ 51,5 milhões total) para armazém de farelo de soja.

Em infraestrutura regional, o banco aprovou R$ 9,2 bilhões para melhorias na EPR Iguaçu (662 km nas regiões Oeste e Sudoeste), R$ 6,3 bilhões para a concessionária EPR Litoral Pioneiro (incluindo 350 km de duplicações e 139 km de faixas adicionais) e R$ 3,6 bilhões para aeroportos da Região Sul.

O encontro lotou o auditório da Ocepar e registrou mais de 180 conexões virtuais pelo interior do Estado. A mesa de lideranças contou com o presidente do Conselho Deliberativo do Sistema Ocepar, Luiz Roberto Baggio; o presidente-executivo, José Roberto Ricken; os diretores Divanir Higino, Clemente Renosto, Jean Rodrigues e Jaime Basso; os superintendentes Robson Mafioletti (Ocepar), José Ronkoski (Sescoop/PR) e Nelson Costa (Fecoopar); a gerente-geral da OCB, Clara Maffia; o superintendente da Fiep, João Arthur Mohr; o diretor-geral da Itaipu Binacional, Ênio Verri; o presidente da Copel, Daniel Slaviero; o ex-secretário da Agricultura, Eugênio Stefanelo; o presidente da Agepar, Rubens Bueno; o superintendente do Mapa, Almir Gnoatto; os deputados federais Gleisi Hoffmann e Zeca Dirceu; e o vereador de Curitiba, Angelo Vanhoni.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Parceria e crédito: BNDES e Ocepar iniciam negociações para adequar modelos de financiamento e pleitear R$ 10 bilhões anuais em condições favoráveis para armazenagem, energia e inovação nas cooperativas.

- Aportes volumosos: Desde 2023, o BNDES aprovou R$ 84,9 bilhões em crédito para o Paraná, beneficiando diretamente projetos de cooperativas como Coamo, Copacol, Aurora e Cocamar, além de concessões rodoviárias e aeroportuárias.

- Seguro e conjuntura: Cooperativistas defenderam R$ 4 bilhões/ano em subvenção ao seguro rural e ajustes nas regras do Plano Safra, enquanto o BNDES detalhou novas fases do programa Brasil Soberano contra crises de fertilizantes e tarifas internacionais.

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