Maltaria Campos Gerais consolida região como polo do malte nacional | aRede
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Maltaria Campos Gerais consolida região como polo do malte nacional

Com unidade da cooperativa Agrária em Ponta Grossa, a cidade ocupa posição estratégica na cadeia produtiva da cevada, conectando agricultores, indústria e mercado cervejeiro e contribuindo para ampliar a produção nacional do cereal

Instalações da Maltaria Campos Gerais em Ponta Grossa, estrutura responsável por transformar a cevada regional e abastecer a indústria cervejeira nacional
Instalações da Maltaria Campos Gerais em Ponta Grossa, estrutura responsável por transformar a cevada regional e abastecer a indústria cervejeira nacional -

Publicado por Eduarda Gomes

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Com o início do ciclo de inverno no Sul do país, a cevada ganha espaço nas lavouras e assume importância estratégica para o agronegócio. Em Ponta Grossa, esse movimento tem um significado ainda maior. A cidade abriga a Maltaria Campos Gerais, unidade da cooperativa Agrária que integra uma das principais cadeias de produção de malte do Paraná e desempenha papel relevante na ligação entre os produtores de cevada e a indústria cervejeira.

A expansão da cultura ocorre em um momento em que o setor busca oferecer maior segurança aos agricultores e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência brasileira da importação de cevada. Para estimular o plantio, a Ambev, maior indústria cervejeira do Brasil, estruturou uma nova política comercial voltada à previsibilidade de renda dos produtores.

Pelo novo modelo, 50% do valor da cevada cervejeira terá preço previamente definido em R$ 75 por saca, enquanto a outra metade seguirá a cotação de mercado do trigo, principal concorrente da cevada na ocupação das áreas agrícolas durante o inverno. A proposta, segundo Edivan Panisson, diretor de Suprimentos e Sustentabilidade da Ambev, é garantir ao agricultor maior previsibilidade financeira sem eliminar a referência dos preços de mercado.

Para Ponta Grossa, a estratégia reforça a importância da Maltaria Campos Gerais como elo de uma cadeia que começa no campo e termina na indústria de alimentos e bebidas. A presença da unidade da Agrária amplia a relevância regional da cevada, criando um mercado estruturado para os produtores e fortalecendo a vocação dos Campos Gerais para a produção agrícola de alta qualidade.

A relação entre produtores, cooperativas e indústria também reduz riscos de comercialização. No modelo adotado pela Ambev, toda a produção contratada é adquirida. Mesmo os grãos que não atingem os padrões exigidos para a fabricação de malte cervejeiro encontram mercado, sendo destinados à utilização como forrageira. A estrutura dá ao agricultor uma alternativa mais segura diante das incertezas que tradicionalmente acompanham as culturas de inverno.

A estratégia também responde a um desafio nacional. Atualmente, a Ambev importa cerca de 50% da cevada que utiliza. O objetivo é ampliar a oferta nacional do cereal, especialmente nas regiões próximas às maltarias, reduzindo custos logísticos e a dependência do mercado externo.

Nesse cenário, Ponta Grossa ganha importância justamente por contar com uma estrutura industrial capaz de absorver e transformar a produção regional. A Maltaria Campos Gerais faz parte de uma parceria de longa duração entre a Agrária e a indústria cervejeira, juntamente com a unidade mantida pela cooperativa em Guarapuava. As duas plantas garantem mercado para a produção de malte, fortalecendo o Paraná como um dos principais polos brasileiros da cadeia.

CRESCIMENTO NO PARANÁ

As perspectivas para a cevada são positivas. A previsão para 2026 é de que o Paraná semeie 111,3 mil hectares, crescimento de 7,3% em relação ao ano anterior. No Rio Grande do Sul, a área projetada chega a 34,5 mil hectares, alta de 9,9%.

O avanço da cultura, entretanto, ainda enfrenta obstáculos climáticos. Geadas tardias e excesso de chuvas durante a fase de colheita podem comprometer a qualidade dos grãos e impedir que parte da produção alcance o padrão exigido pela indústria cervejeira. O pesquisador da Embrapa Trigo Aloisio Vilarinho aponta o clima como um dos principais desafios para a expansão da cultura no Sul.

A busca por maior produtividade e resistência também está no centro da estratégia do setor. A Ambev homologou a cultivar ABI Valente, que apresenta potencial de produtividade 16% superior e maior resistência a doenças.

Para Ponta Grossa, o crescimento da cevada representa mais do que uma oportunidade para os agricultores. A expansão da cultura fortalece uma cadeia que possui na Maltaria Campos Gerais um de seus principais pontos de transformação e agregação de valor. A presença da maltaria amplia a importância da cidade no agronegócio paranaense e aproxima a produção dos Campos Gerais de uma das maiores cadeias industriais do país.

Com mais área plantada, novas tecnologias e mecanismos de proteção de renda, a cevada pode ganhar espaço nas lavouras de inverno. E, nesse processo, Ponta Grossa tende a manter papel estratégico: do campo dos Campos Gerais às cervejarias brasileiras, a Maltaria Campos Gerais ajuda a transformar a produção agrícola regional em um produto de alcance nacional.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Política de preços e garantia de compra: A Ambev garantiu valor fixo de R$ 75 por saca para metade da produção, atrelando a outra metade à cotação do trigo, além de assegurar a compra total da safra contratada (com destinação para forragem em caso de desvio de padrão).

- Expansão de área plantada em 2026: Previsão de aumento na área de cultivo de 7,3% no Paraná (atingindo 111,3 mil hectares) e de 9,9% no Rio Grande do Sul (alcançando 34,5 mil hectares).

- Infraestrutura e inovação: A atuação da Maltaria Campos Gerais da Agrária em Ponta Grossa, somada à adoção da nova cultivar ABI Valente (com ganho de 16% em produtividade), fortalece o abastecimento interno e reduz custos logísticos de importação.

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