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Mosaic estima redução de 30% na aplicação de fosfatados no Brasil

Alta nos custos de matérias-primas e perda de acessibilidade pelo produtor pressionam demanda; empresa ajusta produção, mas prevê recuperação e liberação de caixa

Aplicação de adubos fosfatados no Brasil pode cair até 30% em 2026 em relação à média histórica, aponta estimativa divulgada pela Mosaic
Aplicação de adubos fosfatados no Brasil pode cair até 30% em 2026 em relação à média histórica, aponta estimativa divulgada pela Mosaic -

Publicado por Eduarda Gomes

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A Mosaic estima que a aplicação de fertilizantes fosfatados no Brasil e nos Estados Unidos sofrerá uma redução de até 30% em 2026 na comparação com a média histórica. Os primeiros reflexos dessa menor reposição de nutrientes já começam a ser observados na produtividade agrícola de alguns estados brasileiros. A estimativa é de que a menor adubação retire cerca de 1,3 milhão de toneladas adicionais de nutrientes dos solos no Brasil e até 1,4 milhão de toneladas em solo norte-americano.

As projeções e análises foram apresentadas pelos executivos da companhia durante a teleconferência de resultados. O motivo central para o recuo do consumo é a elevação expressiva nos preços dos fosfatados, impulsionada pelos custos do enxofre, matéria-prima essencial cujo valor atingiu patamares considerados "proibitivos". As informações sobre as estimativas e o balanço financeiro da empresa foram divulgadas pela CNN Brasil.

Diante do cenário de menor capacidade de compra dos produtores, a Mosaic reduziu a produção de fertilizantes commodities no mercado brasileiro. O diretor financeiro (CFO) da companhia, Luciano Siani Pires, explicou que essa retração na demanda é vista como temporária. Segundo o executivo, o adiamento das compras gera uma demanda reprimida que deve resultar em uma forte recuperação do consumo assim que as condições de mercado melhorarem.

O ajuste produtivo deve afetar a diluição de custos fixos e pressionar o Ebitda, embora o terceiro trimestre deva apresentar desempenho superior ao segundo. Para o terceiro trimestre, a empresa projeta custos de matérias-primas no mercado internacional entre US$ 700 e US$ 710 por tonelada para o enxofre e entre US$ 610 e US$ 620 por tonelada para a amônia. Além disso, custos extraordinários com ociosidade da capacidade produtiva e paradas programadas de manutenção ("turnarounds") somam cerca de US$ 60 milhões, com impacto adicional líquido previsto entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões no próximo período.

Apesar dos desafios operacionais, o CEO da Mosaic, Bruce Bodine, avalia que a recente recuperação nos preços das commodities agrícolas pode amenizar parte das restrições à demanda. Financeiramente, a companhia projeta vender cerca de 600 mil toneladas a mais no terceiro trimestre na comparação com o trimestre anterior. O CFO prevê ainda uma liberação de caixa entre US$ 100 milhões e US$ 200 milhões no curto prazo, podendo atingir entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões até o quarto trimestre, impulsionada pelo recebimento de pagamentos antecipados dos agricultores.

A operação brasileira deve registrar um pequeno resultado positivo no terceiro trimestre, sustentada pela margem de distribuição e pela divisão de Biosciences, que tem estimativa de contribuir com cerca de US$ 12 milhões no período.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Queda na adubação: A Mosaic prevê redução de até 30% no uso de fosfatados no Brasil e EUA em 2026 devido aos preços "proibitivos" das matérias-primas (como enxofre), o que já impacta a produtividade em alguns estados brasileiros.

- Ajuste de produção e recuperação futura: A empresa reduziu a fabricação no Brasil para operar de forma mais enxuta; a diretoria considera o movimento temporário e projeta uma forte retomada do consumo assim que os preços e as condições das commodities melhorarem.

- Projeção financeira e de vendas: A companhia espera vender 600 mil toneladas a mais no terceiro trimestre do que no segundo, prevê um pequeno resultado positivo no Brasil (alavancado por US$ 12 milhões da unidade Biosciences) e estima liberação de caixa de até US$ 500 milhões até o quarto trimestre.

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