Sistema FAEP critica decisão que proíbe plantio em faixas de domínio | aRede
PUBLICIDADE

Sistema FAEP critica decisão que proíbe plantio em faixas de domínio

Medida do órgão federal impõe cercamento de áreas paralelas às rodovias em 30 dias, gerando insegurança jurídica e forte impacto financeiro na renda de pequenos produtores

Plantações lindeiras às rodovias paranaenses terão de ser erradicadas para instalação de cercas no prazo de 30 dias, contrariando acordos firmados com as concessionárias
Plantações lindeiras às rodovias paranaenses terão de ser erradicadas para instalação de cercas no prazo de 30 dias, contrariando acordos firmados com as concessionárias -

Publicado por Eduarda Gomes

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

O Sistema FAEP manifestou publicamente, nesta sexta-feira (19), seu profundo descontentamento com a recente determinação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A nova medida do órgão federal volta a impor a obrigatoriedade do cercamento das faixas de domínio, as áreas de terra paralelas às rodovias, estipulando um prazo regulamentar de apenas 30 dias para o cumprimento da ordem.

No Paraná, essas porções lindeiras vinham sendo utilizadas por produtores rurais para a produção agrícola de maneira totalmente regularizada. O cultivo ocorria respaldado por instrumentos jurídicos da própria agência nacional, como o Contrato de Permissão Especial de Uso (CPEU) e o Projeto de Interesse de Terceiro (PIT). De acordo com a federação, a guinada na orientação da autarquia traz grave insegurança jurídica para a atividade agrícola e pecuária em todo o território estadual.

A decisão inviabiliza a continuidade de um amplo processo técnico de regularização que o Sistema FAEP vinha coordenando nos últimos anos, em parceria direta com as concessionárias de pedágio, sindicatos rurais e os agricultores lindeiros. As informações são da Assessoria de Imprensa.

“Sem contar que gera impactos econômicos significativos para os produtores rurais afetados”, lamentou Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP. O dirigente destacou que os pequenos produtores respondem por cerca de 85% das propriedades rurais paranaenses, muitas das quais possuem área total inferior a 50 hectares. “Para essas, a utilização da faixa de domínio representa parcela relevante da renda familiar e da viabilidade econômica da atividade rural”, completou.

O presidente da entidade classificou como "lamentável" o fato de os produtores rurais do Paraná sentirem medo novamente por conta de uma questão que o setor considerava pacificada. Desde 2024, quando começaram os atuais contratos de concessão das estradas federais e estaduais no Paraná, a FAEP vinha mobilizando o campo para assegurar o uso agrícola dessas faixas de forma regular e segura.

Meneguette ressaltou que o setor reconhece a importância da segurança viária e da gestão das margens das estradas, mas criticou o retrocesso. O sucesso do modelo de parceria vinha sendo comprovado em números pelas concessionárias que operam os lotes de rodovias no Estado:

- Motiva Paraná: Mais de 60% das áreas passíveis de regularização já haviam sido formalizadas, o que corresponde a aproximadamente um milhão de metros quadrados de cultivo regular.

- Via Araucária: Aproximadamente 500 mil metros quadrados de áreas lindeiras já estavam devidamente regularizados para o plantio.

- Via Campo: Os trabalhos de regularização já haviam atingido cerca de 15% de um universo estimado em 520 quilômetros de margens utilizadas para a produção de alimentos.

“Esses números evidenciam que concessionárias e produtores rurais vinham construindo soluções consensuais, compatíveis com a segurança operacional das rodovias e pautada na regulação desenvolvida pela própria ANTT”, pontuou o presidente.

Diante do cenário de crise, o Sistema FAEP enviou ofícios formais nesta sexta-feira (19) à própria ANTT, ao Ministério dos Transportes e aos deputados federais que integram a bancada paranaense na Câmara de Deputados. Nos documentos, a entidade pede apoio político e institucional para reverter a medida.

A federação solicita, em caráter de urgência, a abertura de um canal de diálogo institucional com o Governo Federal. O objetivo é construir uma solução conjunta que consiga harmonizar os critérios de segurança viária das estradas, a regularização fundiária e a preservação econômica da atividade agropecuária. “Não é possível seguir produzindo alimento e gerando receita para o país, diante da constante insegurança”, concluiu Meneguette.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Proibição do Cultivo: A ANTT determinou a proibição da atividade agrícola nas faixas de domínio das rodovias e deu um prazo de 30 dias para que as concessionárias e produtores realizem o cercamento dessas áreas.

- Prejuízo aos Pequenos: A medida afeta diretamente a renda da agricultura familiar no Paraná, onde 85% das propriedades são de pequeno porte (menos de 50 hectares) e utilizavam as margens de forma regularizada via CPEU e PIT.

- Mobilização contra Retrocesso: O Sistema FAEP acionou o Ministério dos Transportes e a bancada federal de deputados para tentar reverter a decisão, que interrompe acordos que já haviam regularizado mais de 1,5 milhão de m² de plantio nas rodovias estaduais.

PUBLICIDADE

Conteúdo de marca

Quero divulgar right