Seca e El Niño aumentam risco de incêndios no campo no Paraná
Com previsão de inverno mais quente e seco no Paraná, Sistema FAEP intensifica treinamentos práticos para preparar produtores rurais na contenção do fogo e na minimização de prejuízos econômicos

Com a proximidade da chegada do inverno, o setor agropecuário do Paraná entra em estado de alerta máximo devido ao aumento do risco de incêndios em áreas rurais. Previsões climáticas emitidas pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) apontam que a estação deste ano será marcada por temperaturas acima da média histórica, um reflexo direto da influência contínua do fenômeno meteorológico El Niño. O cenário preocupa lideranças do setor, já que os incêndios não apenas destroem lavouras e florestas plantadas, gerando severos prejuízos econômicos, mas também colocam em risco direto a integridade física, a segurança e a saúde das famílias que residem e trabalham no meio rural.
De acordo com o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o período de maior criticidade e perigo estende-se até o mês de outubro, exigindo vigilância constante de todos. “Por isso a importância de estar preparado não apenas para prevenir, mas também para combater o fogo. O perigo maior vai até outubro. É preciso que todos estejam em alerta. Não dá para relaxar”, adverte o dirigente. As informações são do portal de notícias do Sistema FAEP.
O meteorologista Samuel Braun, do Simepar, explica que, do ponto de vista climatológico, o inverno já se estabelece naturalmente como a estação mais seca em todo o território paranaense. A atual combinação de estiagem prolongada, baixa umidade relativa do ar e a ocorrência de geadas, que comumente castigam e desidratam a vegetação no período, cria o ambiente perfeito para a propagação das chamas. “Os valores médios são mais baixos, chove entre 100 e 200 milímetros. Períodos secos são muito comuns, com vários dias consecutivos sem chuvas. A faixa norte tem registros com mês inteiro sem chuvas”, detalha Braun.
Investigações e históricos demonstram que, embora as causas dos incêndios no campo sejam multifatoriais, o “fator humano” desponta como o principal gatilho para o início do fogo. Diante disso, especialistas reforçam a necessidade urgente de adoção de atitudes preventivas rigorosas nas propriedades, tais como realizar a manutenção periódica de maquinários e equipamentos agrícolas; remover e limpar materiais secos que acabam entulhados nas sedes e lavouras; banir definitivamente o uso de queimadas na produção (uma prática que já é proibida por lei); redobrar a atenção com as festividades juninas que se aproximam; e buscar capacitação técnica sempre que necessário. “O incêndio acontece onde a prevenção falha”, resume Neder Maciel Corso, técnico do Sistema FAEP.
Para mitigar esses riscos, o Sistema FAEP mantém, desde o ano de 2010, um programa robusto de formação de brigadistas florestais, acumulando mais de 10 mil pessoas capacitadas para prevenir e combater o fogo no campo. O ritmo de preparação foi intensificado este ano: somente entre os meses de janeiro e maio, foram ministrados 65 cursos práticos. Desse total, 40 treinamentos foram formatados especificamente para brigadistas florestais atuantes em usinas do setor sucroenergético, 16 contemplaram produtores rurais de diferentes cadeias produtivas e nove atenderam empresas de base florestal.
Atualmente, a instituição disponibiliza quatro modalidades distintas de cursos focados em incêndios florestais, priorizando a dinâmica totalmente prática de campo. “Nossa orientação é que os produtores passem pelo treinamento para entender os conceitos básicos sobre incêndios florestais e saber como prevenir e agir. Quanto mais preparados estiverem, mais rápidas serão a detecção e a mobilização para minimizar os prejuízos”, ressalta Corso.
Paralelamente ao conhecimento técnico, a estrutura física das propriedades desempenha papel vital no controle do fogo. É recomendada a aquisição de ferramentas manuais básicas, como enxadas e rastelos, além de abafadores, bombas costais e, no caso de agroindústrias e usinas, o uso de caminhões-pipa. Outro elemento estratégico indispensável é a abertura de aceiros nas divisórias das propriedades. “OOs aceiros são faixas limpas, livres de vegetação, construídas em volta das áreas de lavoura e florestas, que facilitam o acesso de equipamentos para conter o incêndio. Além disso, também é fundamental que os produtores tenham mapeado as áreas de onde podem fazer a captação de água para esse controle”, complementa o técnico do Sistema FAEP.
A necessidade de autofretamento e preparo por parte dos próprios produtores ganha contornos ainda mais dramáticos diante de uma realidade estrutural: a ausência de postos e unidades operacionais do Corpo de Bombeiros em grande parte dos municípios do Estado. Segundo Corso, essa limitação logística pode retardar de forma significativa a chegada de socorro governamental, tornando o combate inicial de pequenas chamas pelos produtores a única alternativa para evitar que o fogo tome proporções desastrosas e incontroláveis antes que o incêndio atinja grande escala.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Clima Adverso e Alerta: A combinação do inverno naturalmente seco com o fenômeno El Niño trará temperaturas acima da média e estiagem prolongada ao Paraná (com a região norte enfrentando até meses sem chuva), elevando drasticamente o risco de incêndios rurais até outubro.
- Capacitação Intensificada: Como o "fator humano" é a principal causa do fogo, o Sistema FAEP já treinou mais de 10 mil pessoas desde 2010; apenas de janeiro a maio deste ano, foram realizados 65 cursos práticos voltados para produtores, usinas sucroenergéticas e empresas florestais.
- Prevenção e Logística Autônoma: Diante da escassez de quartéis do Corpo de Bombeiros em muitos municípios, torna-se vital que os produtores adotem medidas como a construção de aceiros (faixas limpas de vegetação), compra de equipamentos manuais e mapeamento de pontos de água para rápida contenção do fogo.





















