Brasil articula mudanças para garantir envio de carnes à União Europeia
Governo Federal projeta resposta em até 15 dias para atender novas exigências sanitárias e de rastreabilidade

O Governo Federal iniciou uma força-tarefa para responder às novas e rigorosas exigências impostas pela União Europeia (UE) à cadeia de proteína animal brasileira. Durante o Congresso da Abramilho, realizado nesta quarta-feira (13), em Brasília, o ministro da Agricultura, André de Paula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e membros do alto escalão do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) declararam que, embora as exigências sejam consideradas "adicionais" e tenham surpreendido o setor, o Brasil irá atendê-las para manter o fluxo comercial com o bloco europeu.
As novas regras, que envolvem controle sanitário mais rígido, restrição ao uso de antibióticos e mecanismos de rastreabilidade individual dos animais, geraram preocupação após a exclusão temporária do Brasil de uma lista preferencial europeia. "Fomos surpreendidos. Foi uma antecipação de uma questão que estava sendo debatida tecnicamente", admitiu o ministro André de Paula. Apesar disso, ele garantiu que o Brasil continuará exportando para os europeus, amparado por um sistema de defesa agropecuária que atende a 170 países há quatro décadas.
RESPOSTA TÉCNICA E DIPLOMACIA
O vice-presidente Geraldo Alckmin informou que o governo apresentará os esclarecimentos técnicos necessários à Comissão Europeia em um prazo de até 15 dias. O embaixador Pedro Miguel Costa e Silva já iniciou as tratativas diretas em Bruxelas. Segundo Alckmin, impasses comerciais são comuns e a situação está "bem encaminhada", destacando que o país é referência mundial em cuidados sanitários. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do MAPA, Luis Rua, reiterou que o país não irá "sucumbir" a pressões, mas focará na construção de soluções técnicas. O Brasil deve enviar, nos próximos dez dias, um material detalhando o uso de antimicrobianos em cada cadeia produtiva. Por sua vez, a secretária Grace Tanno lembrou que as discussões sobre normas fitossanitárias já duram três anos e que o acordo Mercosul-UE prevê mecanismos de reequilíbrio caso medidas unilaterais prejudiquem o comércio.
CENÁRIO DE PRESSÃO SOBRE O PRODUTOR
A ofensiva europeia chega em um momento de vulnerabilidade para o agronegócio nacional. A ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina, alertou para o impacto de crises externas, como as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, que encareceram fertilizantes e a logística. Internamente, o alto custo do crédito rural e os juros elevados foram classificados por ela como uma "insanidade", defendendo uma reformulação urgente do Plano Safra e a ampliação do seguro rural diante dos riscos climáticos do El Niño.
Representantes do setor produtivo, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), destacaram a falta de transparência dos europeus no processo recente. Suemi Mori, diretora de Relações Internacionais da entidade, observou que a carne bovina é o ponto mais sensível das negociações, mas acredita que parte das medidas restritivas para outras proteínas possa ser revertida até o início de setembro.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Compromisso com o Mercado: O governo brasileiro confirmou que atenderá integralmente às exigências da UE sobre rastreabilidade e controle sanitário, projetando uma solução técnica em até duas semanas.
- Articulação Internacional: O Brasil utiliza seus canais diplomáticos em Bruxelas para buscar clareza sobre as regras e garantir que o histórico de 40 anos de fornecimento para a Europa seja respeitado.
- Desafios do Setor: A crise ocorre em meio a dificuldades internas dos produtores rurais, que enfrentam juros altos e custos logísticos elevados, exigindo uma defesa mais incisiva do setor dentro do governo federal.





















