Flávio Bolsonaro faz declarações e traz propostas após visita a Filipe Martins em PG
Presidenciável afirmou que ex-assessor é vítima de perseguição, defendeu mudanças no sistema prisional, reforçou apoio a Sergio Moro e cobrou impeachment de ministro do STF

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) esteve em Ponta Grossa na tarde deste sábado (5) para visitar Filipe Martins, ex-assessor especial para Assuntos Internacionais do governo Jair Bolsonaro, que cumpre pena na Cadeia Pública de Ponta Grossa Hildebrando de Souza. Após o encontro, o senador falou à imprensa sobre a situação de Martins, segurança pública, saúde, sua aliança com Sergio Moro (PL) e críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
A visita foi autorizada por Moraes e ocorreu entre 13h e 14h30. Martins foi condenado pelo STF a 21 anos de prisão no âmbito da Ação Penal 2693, por participação na tentativa de golpe de Estado. O Supremo determinou o início do cumprimento da pena em abril deste ano.
Flávio diz que Filipe Martins é vítima de perseguição
Ao comentar o encontro, Flávio Bolsonaro afirmou que conversou com Martins sobre sua situação e sobre as dificuldades enfrentadas pela família do ex-assessor. Segundo ele, Martins reafirmou sua inocência e demonstrou expectativa com a eleição presidencial. “Eu vim, na verdade, visitar um amigo, mais um perseguido, mais uma vítima dessa grande farsa que foi o 8 de janeiro”, declarou Flávio.
O senador também questionou a existência de uma suposta minuta relacionada ao caso. “Ele está preso aqui, acusado de ter feito uma minuta que não existiu, uma minuta que ninguém nunca viu”, afirmou.
As declarações divergem da decisão do STF que condenou Martins. Na decisão oficial, a Corte registrou que Filipe Martins foi responsabilizado, junto aos demais integrantes do chamado Núcleo 2, por sua atuação na operacionalização da tentativa de ruptura institucional.
Críticas a Alexandre de Moraes
A maior parte da declaração do presidenciável foi direcionada ao ministro Alexandre de Moraes. Flávio afirmou que o chamado inquérito das fake news teria sido utilizado para perseguir pessoas previamente escolhidas e citou a inclusão de André Mendonça no procedimento. “Hoje, nós temos a convicção, nas claras para o Brasil inteiro ver, o que é o gabinete do ministro Alexandre de Moraes: é o gabinete da perseguição”, exclamou.
Flávio também afirmou que pretende, em uma eventual Presidência, buscar a recuperação da credibilidade das instituições e voltou a defender a saída de Moraes do STF. “Mais uma vez, a gente tem que proteger as instituições, temos que proteger o Supremo Tribunal Federal de pessoas como o Alexandre de Moraes”, disse.
Presidenciável cobra impeachment de Moraes
Ao falar sobre a possibilidade de processos contra ministros do STF, Flávio criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), e afirmou que a prioridade deveria ser a análise dos pedidos de impeachment contra Moraes. “Já passou da hora do impeachment dele ser pautado no Senado. Então, fica aqui de público, quem tem que ter o início do processo de impeachment feito é o Alexandre de Moraes”, declarou.
O Senado é presidido por Davi Alcolumbre no período 2025-2027.
Flávio mencionou ainda a existência de mais de 54 pedidos de impeachment contra Moraes e criticou a possibilidade de um processo envolvendo André Mendonça. "Porque agora ele quer pautar o impeachment e do André Mendonça? Exatamente o ministro que está relator de uma investigação, que a imprensa traz à tona da forma como ele conduz o seu gabinete dentro do Supremo Tribunal Federal, o Alexandre de Moraes conduz, como é que ele toma as suas decisões, o que é lamentável", questionou.
Apoio a Sergio Moro
O senador também reforçou a aliança com Sergio Moro, que disputa o Governo do Paraná. Flávio chamou o ex-juiz de “grande quadro da política nacional” e afirmou que ele integra seu grupo político no estado. “O Moro faz parte do nosso time, é o nosso candidato a governo aqui no Paraná”, apoiou.
Flávio disse ainda que, em uma eventual gestão, pretende ampliar investimentos no Paraná em áreas como infraestrutura, educação e saúde. "Tenho certeza que vai ser um grande governador e com o Flávio Bolsonaro a presidente da república, o povo do Paraná pode ter certeza que vai ter investimento aqui em infraestrutura, vai ter investimento em educação de qualidade, vai ter investimento na saúde pública de qualidade, que vai ser padrão Einstein", prometeu.
Saúde pública com referência no Einstein
Na área da saúde, Flávio afirmou que pretende levar práticas da rede privada para o Sistema Único de Saúde (SUS). Como exemplo, citou o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. “Tudo que vocês veem o rico que tem condição de pagar lá no Einstein, a gente vai trazer tudo que for possível da rede privada para dentro do SUS”, afirmou.
O presidenciável também disse que pretende convidar um ex-diretor do Einstein para comandar o Ministério da Saúde, caso seja eleito. "Estamos chamando para ser ministro da saúde o ex-diretor do hospital Albert Einstein, um dos mais renomados do Brasil", enfatizou.
Segurança pública e sistema prisional
Flávio apresentou ainda propostas para a área de segurança pública. Entre elas, afirmou que seu plano de governo prevê a criação de mais de 500 mil vagas no sistema penitenciário e mudanças na legislação penal.
Segundo ele, a proposta prevê penas mais rigorosas para integrantes de organizações criminosas e autores de determinados crimes. Flávio citou especificamente o roubo de celulares e afirmou que pretende estabelecer pena mínima de oito anos para esse tipo de crime. "A gente vai proteger a sociedade para que o trabalhador, o cidadão honesto desse país possa voltar a andar com segurança nas ruas. Quem tem que ter medo de andar nas ruas é o bandido e é assim que vai ser a partir de 2027", exclamou.
O candidato também afirmou que pretende classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como grupos terroristas e prometeu maior tempo de prisão para integrantes dessas organizações. “A gente vai proteger a sociedade para que o trabalhador, o cidadão honesto desse país possa voltar a andar com segurança nas ruas”, declarou.
Ao final, direcionou uma mensagem a criminosos e organizações narcoterroristas: “Metam o pé do Brasil até o final do ano porque a partir do ano que vem vocês serão presos ou neutralizados pelas nossas polícias”.
Críticas ao governo Lula
Durante a entrevista, Flávio também criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente nas áreas econômica e de segurança pública. Ao falar sobre a situação financeira da população, relacionou os juros oficiais ao aumento das parcelas de financiamentos e empréstimos. “A prestação podia estar bem menor se fosse o presidente Bolsonaro”, afirmou.
Flávio disse que, caso seja eleito, pretende atuar para reduzir o que chamou de “estrangulamento financeiro” enfrentado pelos brasileiros.
A agenda em Ponta Grossa terminou após a entrevista à imprensa. Flávio Bolsonaro chegou à cidade por volta das 12h30 e, após a visita e as declarações, deixou o município com destino a Brasília.

























