Carbono Oculto desmonta 'mercado' de combustíveis do PCC; entenda | aRede
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Carbono Oculto desmonta 'mercado' de combustíveis do PCC; entenda

Segunda fase da operação é deflagrada nesta quinta-feira (28/5) pelo Gaeco e pela Receita Federal, em cinco estados

Gaeco cumpriu 59 mandados de busca e apreensão
Gaeco cumpriu 59 mandados de busca e apreensão -

Publicado Por Milena Batista

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A Operação Carbono Oculto, deflagrada inicialmente em agosto de 2025, investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e no sistema financeiro brasileiro. Nesta quinta-feira (28), a segunda fase da ofensiva, batizada de Fluxo Oculto, colocou empresários e operadores financeiros suspeitos de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa na mira das autoridades.

Conforme o Metrópoles, a ação foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com a Receita Federal, e cumpriu 59 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Segundo as investigações, o grupo não apenas lavava dinheiro oriundo de atividades ilícitas, mas também lucrava diretamente com a cadeia de produção e comercialização de combustíveis.

As apurações apontam que fintechs eram utilizadas para ocultar a origem dos recursos movimentados pela organização criminosa. Além disso, o esquema envolvia práticas como sonegação fiscal e adulteração de combustíveis, causando prejuízos aos consumidores e impactos ambientais, como danos aos motores de veículos, aumento da poluição devido à alta concentração de enxofre e riscos à saúde pública.

De acordo com a Receita Federal, foram identificadas seis fintechs que atuavam como uma espécie de “banco paralelo” do grupo criminoso. As empresas formavam um núcleo financeiro responsável por operações de compensação entre distribuidoras, postos de combustíveis, empresas ligadas ao esquema e fundos de investimento controlados pela organização.

As seis instituições financeiras movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre os anos de 2022 e 2025. Em um dos casos investigados, uma das fintechs recebeu mais de R$ 1 bilhão em depósitos em espécie no período.

Ainda segundo a Receita, três das fintechs declararam cerca de R$ 8 bilhões em movimentações financeiras por meio da plataforma e-Financeira entre janeiro e dezembro de 2025. As outras três deverão ser autuadas por não apresentarem as declarações obrigatórias.

As investigações também identificaram transações de ao menos R$ 365 milhões em criptoativos realizadas pelas instituições de pagamento ligadas ao esquema.

Considerada uma das maiores ofensivas já realizadas contra a estrutura financeira do PCC, a Operação Carbono Oculto reúne o Ministério Público de São Paulo (MPSP), Receita Federal e Polícia Federal.

Os investigadores apontam que a facção criminosa passou por uma “metamorfose estratégica”, deixando de atuar apenas no narcotráfico para se transformar em um sofisticado conglomerado empresarial.

Segundo o Ministério Público, o foco da operação é desarticular um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro que conectava postos de combustíveis da periferia paulista a estruturas financeiras localizadas na região da Faria Lima, em São Paulo, considerada um dos principais centros financeiros do país.

As autoridades afirmam que a organização criminosa operava em duas frentes integradas: uma voltada às fraudes estruturadas no setor de combustíveis e outra direcionada ao mercado financeiro.

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