Dia do Tropeiro: Museu de Castro preserva história e legado do tropeirismo
Espaço reúne peças originais e ajuda a manter viva a memória de um ciclo que contribuiu para a formação dos Campos Gerais

O tropeirismo foi um dos ciclos econômicos, sociais e culturais que ajudaram a construir a história do Brasil. Nos Campos Gerais, essa trajetória deixou marcas profundas e, em Castro, é preservada há quase cinco décadas pelo Museu do Tropeiro. Nesta sexta-feira, 28 de agosto, Dia do Tropeiro em Ponta Grossa, a data reforça a importância de conhecer e valorizar esse legado.
O Museu do Tropeiro foi fundado em 1977 e nasceu com uma missão específica: preservar a história do tropeirismo e a identidade cultural deixada por esse período. A historiadora e coordenadora do museu, Amélia Podolan Flugel, explica que o espaço surgiu justamente para dar representatividade a uma parte importante da história brasileira.
“O Museu do Tropeiro, no município de Castro, até então ele era de uma temática exclusiva, que era o tropeirismo. Esse foi um marco fundador de várias cidades do Sul, Sudeste do Brasil, também na região Centro-Oeste, enfim, um ciclo econômico, social e cultural muito importante para o desenvolvimento do Brasil”, conta.
Nos Campos Gerais, a passagem dos tropeiros teve uma relação direta com a formação das cidades mais antigas da região. Amélia explica que os caminhos percorridos por eles acabaram dando origem a paradas, pousos e comunidades que, posteriormente, se desenvolveram.
A atividade também movimentava uma importante cadeia econômica. Os tropeiros viajavam até o Sul do país para adquirir muares e gado e conduziam os animais de volta para o Sudeste, onde eram utilizados principalmente no transporte de cargas.
“De lá esses animais, eles eram destinados ao trabalho nas Minas Gerais, para o transporte do ouro e outros minerais e também para as fazendas de café, aonde eles transportavam o café até o litoral e esse café então era embarcado para a Europa e outros lugares”, explica.
Para Amélia, compreender esse processo ajuda a dimensionar a importância que os tropeiros tiveram para o desenvolvimento do país. “Então esses animais eram a força motriz do transporte no país. E os tropeiros eram responsáveis por todo esse ciclo econômico”, completa.
E boa parte dessa história pode ser conhecida por meio do acervo do Museu do Tropeiro. O espaço preserva objetos originais utilizados durante o período, permitindo que o visitante tenha contato direto com elementos do cotidiano dos tropeiros. Entre os objetos estão roupas, selas, estribos, arreios e selins, que ajudam a mostrar como esse meio de transporte fazia parte da rotina de diferentes pessoas.
Além de preservar a memória, o museu também contribui para o turismo e para a educação. Estudantes e visitantes de diferentes cidades procuram o espaço para conhecer a história dos tropeiros e a influência desse período na formação da região. “Conhecendo, eles também repassam isso para outras pessoas e para novas gerações”, observa.
E o museu já se prepara para uma comemoração especial. Em 2027, o espaço estará de aniversário. “Vai completar 50 anos, se marcando como um ícone mesmo dessa preservação cultural, da nossa história, da nossa identidade”, conta Amélia.
O Museu do Tropeiro é um órgão público do município de Castro e tem entrada gratuita. De segunda a sexta-feira, funciona das 8h às 12h e das 13h às 17h. Aos finais de semana e feriados, o atendimento acontece das 9h às 13h. Uma oportunidade para conhecer de perto uma história que ajudou a construir a identidade dos Campos Gerais.





















