Secretaria de Cultura busca deixar legado que ultrapasse gestões em Ponta Grossa
Com programas permanentes, incentivo a artistas e ações nos bairros, o órgão aposta na continuidade das políticas culturais e na ampliação do acesso da população

Mais do que manter uma agenda cheia de eventos, a Secretaria Municipal de Cultura de Ponta Grossa quer garantir que parte do que foi construído nos últimos anos continue existindo independentemente de quem esteja no comando. Essa é uma das principais preocupações do secretário Alberto Portugal, que está há seis anos à frente da pasta. Em entrevista exclusiva ao Portal aRede, para a série 'PG 203 anos' o secretário detalhou as principais ações da Secretaria.
A Secretaria encaminhou em 2026 à Câmara de Vereadores um pacote de propostas para transformar programas que já acontecem na cidade em políticas públicas permanentes. A ideia é que essas ações deixem de ser decisões de uma administração e passem a fazer parte da estrutura do município.
Nesse pacote está o Conservatório Dramático Musical Maestro Paulino, tradicional espaço municipal de formação de músicos, além de uma política de capacitação para artistas. O objetivo é enfrentar uma dificuldade bastante prática de quem vive da produção cultural: saber como transformar uma ideia em projeto e conseguir recursos para colocá-la em prática.
O incentivo também passa pelo Programa Municipal de Incentivo Fiscal à Cultura (Promific), iniciativa que permite direcionar parte do valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para projetos culturais selecionados. A cidade conta ainda com o Fundo Municipal de Cultura, editais específicos e um banco de credenciamento de artistas.
Para o secretário, o resultado desse conjunto de mecanismos precisa aparecer onde a política cultural realmente faz sentido: na vida das pessoas. “A vantagem é ter produtos múltiplos, diversos, produzidos por artistas residentes em Ponta Grossa e que vão chegar até a comunidade de forma gratuita”, destaca.
É também nesse ponto que entram eventos que já ganharam identidade própria na cidade. O Festival de Dança mudou de setembro para maio. A alteração considerou o calendário das escolas e academias, que costumam preparar espetáculos de fim de ano.
Segundo Portugal, Ponta Grossa tem 54 iniciativas de dança. A mudança de data trouxe um resultado expressivo. “Nós tivemos recorde de inscritos, bailarinos de todos os lugares”, ressalta.
Na música, uma longa história é contada pelo Sexta às Seis. Criado em 1989, o evento transforma espaços públicos em palco para bandas locais, especialmente ligadas ao rock. “É um evento que traz a cena da música underground e mostra que a rua e a praça são para todo mundo”, afirma.
Enquanto alguns projetos ganham novas formas, um dos principais símbolos culturais da cidade passou por transformação. O Cine-Teatro Ópera voltou a receber público depois de obras que incluíram pintura, manutenção do telhado, troca do carpete e reformas nas áreas utilizadas pelos artistas. “O Ópera é o grande coração da cultura de Ponta Grossa”, pontua o secretário.
Mas a cultura não está sendo pensada apenas para quem consegue chegar ao Centro. A descentralização das ações é outra frente da Secretaria. O projeto Satélite Cultural promove oficinas de alfabetização cultural nas comunidades e foi premiado no Prêmio Gestor Público de 2025. Já o Viva Cultura na Minha Vila leva, a cada dois meses, a Secretaria para bairros distantes. “Nós levamos a estrutura para bairros mais remotos que nunca tiveram ações culturais acontecendo”, explica.
A programação envolve grupos como a Companhia Municipal de Dança, Grupo de Teatro, Banda Lira dos Campos, Coro Cidade de Ponta Grossa e Orquestra Sinfônica. Para Portugal, a aproximação pode fazer com que o público passe a procurar atividades culturais pela cidade. “A ideia é incentivar o público a procurar a agenda cultural e entender que temos 365 dias de cultura gratuita promovida pelo município”, resume.
SECRETARIA DEBATE PATRIMÔNIO CULTURAL
A nova legislação sobre o tombamento de templos religiosos abriu uma discussão que ainda aguarda definição jurídica em Ponta Grossa. Um processo que já estava em andamento foi temporariamente congelado pela Secretaria Municipal de Cultura para avaliar se a nova regra pode ter efeito retroativo. “Nós optamos por congelar o processo que está em andamento até que nós tenhamos essa resolução e um entendimento jurídico”, explica o secretário Alberto Portugal. A previsão é retomar a discussão após 30 de outubro.



