Secretaria da Família amplia políticas para reduzir vulnerabilidades em Ponta Grossa
Proteção às mulheres, segurança alimentar e habitação estão entre as principais frentes de uma pasta que busca garantir direitos e reduzir desigualdades

O crescimento de uma cidade não se resume a obras e investimentos. Para a secretária municipal da Família e Desenvolvimento Social de Ponta Grossa, Camila Calisto Sanches, é preciso olhar também para quem precisa das políticas públicas no dia a dia. Em entrevista ao Portal aRede, dentro da série especial ‘PG 203 anos’, ela reforçou que o desenvolvimento do município precisa vir acompanhado da redução das desigualdades.
Uma das principais frentes da secretaria é a política para as mulheres. O município conta com o Centro de Referência da Mulher Brasileira, que atende mulheres em situação de violência com acompanhamento social e psicológico, além de rodas de conversa e ações de prevenção. O trabalho também chega às Unidades Básicas de Saúde, aos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), às comunidades e aos terminais.
A estratégia, segundo a secretária, é não esperar que a violência aconteça para agir. “Não adianta só atender as mulheres que já sofreram violência, mas também trabalhar a prevenção”, explica. Dentro dessa rede está o Sistema Ela Protegida, que reúne informações dos órgãos envolvidos no atendimento às mulheres e permite acompanhar o caminho percorrido por cada uma pela rede de enfrentamento.
Além de agilizar o atendimento, a ferramenta ajuda o município a produzir dados para orientar as políticas públicas. Informações como idade, raça, escolaridade, número de filhos e benefícios recebidos permitem identificar onde há maior incidência de violência e quais regiões precisam de maior atuação do poder público. “Só se faz política pública se a gente tem dados”, destaca Camila.
Esse trabalho ganhou um planejamento de longo prazo com o primeiro Plano Municipal dos Direitos das Mulheres, lançado neste ano. Construído com participação da comunidade, movimentos sociais e Conselho da Mulher, o documento estabelece metas para os próximos dez anos em áreas como assistência social, segurança pública e Judiciário.
A estrutura de atendimento às mulheres deverá ser ampliada com a Casa da Mulher Paranaense, cuja construção já começou ao lado do Ministério Público. “A gente sai do combate à violência especificamente e vai trabalhar como romper esse ciclo de violência”, afirma.
O olhar para as necessidades da população também aparece na segurança alimentar. Um dos projetos é o Centro Integrado Comida na Mesa, pensado para ampliar o trabalho do Banco de Alimentos e criar um mini processamento para aproveitar produtos que perderam valor comercial, mas continuam tendo valor nutricional. Frutas, verduras e outros alimentos que seriam descartados poderão ser recebidos, processados e destinados a entidades do município.
A secretaria atua ainda em parceria com a Fundação de Assistência Social de Ponta Grossa (FASPG). Famílias em situação comprovada de insegurança alimentar podem receber alimentos por meio dos CRAS. Já as pessoas em situação de rua utilizam o Restaurante Popular no almoço e recebem refeições para a janta no albergue municipal.
Na habitação, além da programação de 86 casas pelo Minha Casa Minha Vida, a secretaria tem concentrado esforços na regularização fundiária. O objetivo é transformar a posse de imóveis em propriedade formal para famílias que, em muitos casos, vivem há décadas nos locais.
No Jardim Los Angeles, uma emenda parlamentar de R$ 500 mil permitiu iniciar a regularização de 260 famílias. O Jardim Ouro Verde também está entre as regiões que passam pelo processo. “Ter a posse é uma coisa instável, mas ter um documento, a propriedade dessa casa, é uma herança para os seus familiares”, afirma.
Ao falar sobre Ponta Grossa, Camila reforça que o desenvolvimento da cidade precisa caminhar junto com as políticas sociais. Aos 203 anos, Ponta Grossa segue crescendo, e o desafio é fazer com que esse crescimento signifique mais direitos e menos vulnerabilidades.
POLÍTICAS QUE SE CONECTAM
O trabalho da Secretaria Municipal da Família de Ponta Grossa envolve diálogo constante com outras áreas da administração e com órgãos que integram a rede de atendimento. Na proteção às mulheres, por exemplo, a atuação reúne saúde, assistência social, segurança pública e Judiciário. “Não tem política da habitação, política da segurança alimentar, atendimento à mulher, sem as outras secretarias”, explica a secretária Camila Calisto Sanches. A integração permite ampliar o atendimento e compreender melhor as necessidades da população.



