Ponta Grossa planeja o futuro em meio ao crescimento da cidade
Iplan reúne projetos de mobilidade, infraestrutura e desenvolvimento urbano para acompanhar a expansão do município e orientar os próximos anos

O crescimento de Ponta Grossa exige novas formas de pensar a cidade. Com bairros em expansão, mais veículos circulando e rodovias e ferrovias fazendo parte da rotina urbana, o planejamento ganhou espaço na definição dos próximos caminhos do município. Em entrevista ao Portal aRede, para o projeto 'PG 203 anos' o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Iplan), Rafael Mansani, falou sobre os projetos desenvolvidos para acompanhar o processo.
Desde o início de 2026, o Iplan passou por uma remodelação que concentrou etapas da análise e aprovação de projetos. Segundo Mansani, a mudança busca dar mais agilidade aos processos e segurança jurídica aos requerentes. A estrutura também passou a reunir atividades ligadas ao urbanismo e ao cadastro técnico municipal, facilitando a tramitação de projetos mais complexos, como loteamentos e condomínios.
A nova organização ampliou ainda a atuação do instituto junto às demais secretarias. O Iplan desenvolve projetos de praças, parques, revitalizações e novas ligações entre bairros. Entre os trabalhos está o projeto de uma área que está sendo negociada para receber o novo Jardim Botânico de Ponta Grossa.
Outro ponto do planejamento são os Estudos de Impacto de Vizinhança (EIV). De acordo com Mansani, desde 2021 os estudos resultaram em aproximadamente R$ 100 milhões em investimentos e melhorias para a população. O objetivo é antecipar possíveis impactos de grandes empreendimentos, principalmente no trânsito, na mobilidade e no meio ambiente, e estabelecer medidas para reduzi-los.
“O estudo antecipa o problema antes que ele venha a causar uma modificação significativa para o usuário”, explicou. Como exemplo, o presidente citou a ligação da Vila Cipa, realizada como medida mitigadora relacionada a um empreendimento.
As regras que orientam o crescimento da cidade também passaram por revisão. Em 2025, cinco leis que fazem parte do Plano Diretor foram atualizadas, além da revisão de decretos. Para Mansani, porém, o acompanhamento deve ser permanente, considerando onde a cidade cresce, quais regiões podem receber novos empreendimentos e se a infraestrutura consegue absorver a expansão. “Nós temos que ver se aquela via tem possibilidade de receber a demanda das pessoas que vão ali residir, se a demanda de veículos pode ser absorvida”, destaca
A análise se relaciona diretamente com os desafios da mobilidade. Com o crescimento de Ponta Grossa, algumas rodovias que antes estavam fora da área urbana passaram a fazer parte da cidade. Por isso, Mansani defende que o novo Contorno permaneça fora do perímetro urbano, evitando que futuramente seja incorporado ao município e se transforme em uma nova avenida de grande circulação.
As ferrovias também fazem parte dos desafios do planejamento urbano do município. Segundo Mansani, os trilhos que cortam o município precisam ser considerados na definição de novas ligações e na organização do sistema viário.
Natural de Ponta Grossa, Mansani vê o trabalho também como uma forma de contribuir com a cidade onde cresceu. Para ele, o desafio dos próximos anos será fazer o município continuar crescendo sem perder de vista aquilo que já existe. A expectativa, nas palavras do presidente do Iplan, é seguir construindo “uma cidade melhor, maior e com toda certeza mais humana”.
ESTUDO TRAÇA AÇÕES PARA DUAS DÉCADAS
Um dos estudos desenvolvidos pelo município teve como foco as 22 bacias hidrográficas que cortam Ponta Grossa. O trabalho foi produzido ao longo de dois anos e apresentado em agosto de 2026 em parceria com a Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre). Segundo o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Iplan), Rafael Mansani,, Rafael Mansani, a proposta é deixar documentos e projetos que possam ser executados ao longo dos próximos 20 anos, ajudando a enfrentar problemas históricos que ainda afetam o município.



